C63 AMG 2008 – O sedã alucinado!


Já faz um tempinho que tive a chance de andar no carro que entitula este post, mas a lembrança é fresca na minha cabeça.

Recentemente, só um acéfalo seria incapaz de reconhecer que a AMG vem aprimorando seus veículos a cada novo modelo. Ok, o peso continua elevado, a direção ainda não é tão precisa quanto uma BMW ///M, mas, verdade seja dita, enquanto a Mercedes melhora, tenho a ligeira sensação que a sua principal concorrente, a BMW, dorme no ponto.

Quem me conhece pessoalmente sabe muito bem que eu sou um grande fã de BMWs ///M e, como tal, costumo ter a língua afiada para tirar sarro de Mercedes-Benz AMG. Sempre estou falando do quanto os AMGs são carros muito fortes, mas sem o mínimo de interação com o motorista, pesados, ruins de curva etc.
 
Para não fazer deste post uma comparação histórica entre BMW ///M e Mercedes-Benz AMG (que será objeto de outro texto), vou focar de agora em diante no carro testado: o C63 AMG, muito embora seja muito difícil evitar comparações com o M3.
 

CONTEXTO DO LANÇAMENTO

 
Em meados de 2008, a BMW tinha acabado de colocar no mercado a nova geração do BMW M3 – nos modelos E90 (sedã) e E92 (coupé). Muitos fãs da marca torceram o nariz para o carro, afinal, o motor passou a ser um V8, abandonando o antigo L6 e aquele ronco metálico delicioso. Até aí, esse tipo de crítica sempre vem do público “chato”. No meu ver, o grande problema mesmo foi o acréscimo de peso do veículo e o aumento de suas dimensões.
 
Vejam bem, BMW ///M sempre foram, por natureza, carros puros, estritamente conectados aos seus motoristas – the ultimate driving machine! Porém, peso e dimensões avantajadas, salvo raríssimas exceções, não são características adequadas para um veículo que se propõe ser um carro afiado e na mão. Muito longe de mim dizer que o M3 E90 ou E92 é um “barco” em termos de dirigibilidade, muito pelo contrário, é um carro sublime, mas em conflito com suas origens. 
 
Nesse contexto, a Mercedes-Benz claramente viu uma oportunidade! Já que a BMW havia ingressado na era do V8 e o M3 crescido, depondo contra suas principais características diferenciais em relação ao concorrente AMG, a Mercedes resolveu apelar… e como!
 
Vejam bem, a Mercedes já havia colocado um V8 em um modelo AMG da classe C na antiga C55 AMG, um carro que não fez muito sucesso se comparado ao M3 E46, seu principal concorrente. Em grande parte, isso se deve ao fato de que enquanto o Mercedes C55 AMG rendia 355 HP, o M3 E46 entregava 343 HP, em um carro mais leve, mais puro e mais afiado. 
 
Dessa vez, aproveitando a deixa da BMW, a Mercedes Benz não olhou para o lado na hora de escolher o conjunto motriz do AMG que iria concorrer com o então recém chegado M3 V8, mas sim olhou para os irmão maiores da linha! A resposta foi colocar o motor 6.3 V8 aspirado que equipava as versões da classe E, CLS, S e SL AMG. 
 
Infelizmente, o C63 AMG não saiu do forno com mais de 500 cvs, como os demais modelos da marca com o mesmo motor, mas o potencial estava lá. O C63 AMG entrega 457 HP a 6800 rpm com um torque de cerca de 61 Kgfm a 5000 rpm. O peso? Pouco acima dos 1800 kgs. Por outro lado, o V8 do M3 entrega 420 HP a 8300 rpm com um torque de cerca de 37 Kgfm a 4900 rpm, tudo isso em um conjunto de cerca de 1650 Kgs.

 

O que isso representa na realidade? OK, o BMW M3 é um pouco mais leve, mas enquanto o V8 BMW precisa de giro para despertar, o C63 AMG entrega cerca de 37 HPs 1500 rpms mais cedo. Além disso, se compararmos o números de torque, outro tapa na cara da BMW, são 24 Kgfm de torque a mais quase na mesma faixa de rpm. 
 
O grande trunfo da Mercedes C63 AMG, no entanto, é que dessa vez o modelo AMG não foi apenas um modelo com muita força comparado ao M3, mas também um carro divertido ao extremo, mas uma diversão que vem de uma escola diferente da BMW, não se tratando de pura precisão e comunicabilidade com o motorista, mas sim mera entrega de potência e torque da maneira mais escandalosa possível. 
 
Eu encho a boca para dizer que o Mercedes Benz C63 AMG veio para dar à AMG algo que nunca teve – personalidade! O C63 AMG é um carro lunático e insano. O que ele perde em precisão para o BMW, ele ganha em diversão com simplicidade! Afunde o pé no AMG e irrompe um estrondo de V8 legítimo de muscle cars da década 60 e 70, pneus cantando, fumaça levantando – tudo com muita tranquilidade e facilidade. Entre numa curva, dê pedal no acelerador e veja o mundo rodar!!!! O BMW M3 é um carro muito mais técnico e, por falta de melhor palavra, “chato”. Se divertir no volante do M3 exige esforço, dedicação e atenção. Não é melhor, nem pior, é diferente – uma outra escola. 
 
Agora, levando-se em conta que nem todos os motoristas são pilotos natos, o C63 AMG foi e é um sucesso de vendas pelo mundo todo! Junte-se a isso que o carro tem toda a praticidade de um classe C da Mercedes, ou seja, alto grau de conforto e acabamento em um carro com roupagem esportiva. Obviamente, comparado a uma classe C comum, o AMG tem pedais mais comunicativos, rolagem de carroceria mais rígida e direção mais pesada, tudo isso, no entanto, sem sacrificar demasiadamente o conforto!
 
Não que o M3 E90 ou E92 tenha sido um fracasso, mas, realidade seja dita, o fã tradicional da marca começou a perceber que o M3 perdeu um pouco de sentido. Se antes era um carro ágil, leve, preciso e afiado, acabou adormecendo em parte essas características por causa do acréscimo de peso e dimensões.
 

O C63 AMG

 
Acabamento. Entrando no carro, a cabine tem ares de um legítimo Mercedes Benz. Até esperava um pouco mais de distinção comparado ao modelo classe C tradicional. Não que isso seja ruim, pois o acabamento Mercedes Benz é ainda um padrão a ser seguido, porém, o comprador de um AMG não é o mesmo comprador de modelo classe C tradicional. Ele merecia um pouco mais de mimo, afinal, o C63 AMG é o topo da cadeia da classe C. Pelo pouco contato que tive com o novo C63 AMG, cujo facelift acabou de chegar, parece que o carro ficou um pouquinho mais refinado em relação aos modelos mais comuns da classe C. 

 

Dirigibilidade. Antes de dirigir o carro, eu sempre dizia para este grande amigo que me cedeu o carro: “de nada adianta um carro com grandes quantidades de HPs e torque se o conjunto não acompanhar”. Eu quero ser capaz de sentir os 457 HP e 61 Kgfm de torque. Não quero computadores invasivos que seguram o carro de tudo o quanto é jeito. Tendo em vista o peso elevado do carro e o câmbio automático, eu já estava com o discurso pronto para criticar o carro.
 
Para a minha surpresa, acabei ficando estupefato com a experiência. É FORTE, BRUTO e LUNÁTICO. Modo esportivo ligado e trocas manuais no câmbio… cutucou o acelerador… lá vamos nós… patada de torque em baixa, cantada de pneus, controles piscando no painel. Haja pneu e risada! 

O câmbio em si não tem a precisão e nível de resposta de um câmbio de dupla embreagem. Tende a hesitar aos comandos do motorista de maneira demasiada, afinal, é uma caixa automática neste modelo 2008, mas quando a marcha entra e vem aquela força descomunal na roda, acompanhada por um ronco fenomenal, só lhe resta dar risada! É estúpido!
 
Até aí, excelente! Chegada a hora de sentir os freios, subo no pedal de maneira mais incisiva e me surpreendo positivamente novamente! Freios comunicativos e muito bons. Podem não ser precisos como o de uma M3, mas estancam o carro com a mais alta competência e permitindo ao motorista saber onde o carro vai parar. 

 
A direção tem um peso excelente e a resposta na medida certa! Ligeiramente mais pesada que um carro de passeio, mas sem incomodar. Eu sinceramente esperava aquela direção típica dos AMGs que eu conhecia até então – pouco comunicativa e anestesiada, mas nada disso! 

Soltar a traseira do carro é muito simples, mas tem que ser algo induzido, portanto, somente faça isso em locais fechados e com área de escape. Dirigindo de maneira mais forte, o carro não titubeia a traseira tão facilmente. É um carro razoavelmente dócil e previsível, apesar de toda a loucura que o espetáculo sonoro saindo do escapamento parece sugerir.
 
A suspensão é rigída, mas não achei completamente desconfortável como já ouvi de alguns proprietários. Obviamente, comparado ao típico padrão de conforto Mercedes-Benz, o C63 AMG é um carro bem duro, mas é aceitável. Confesso, no entanto, que mesmo considerando o estado das nossas ruas, eu gosto de um carro mais rígido. Por essa razão, talvez, eu seja meio suspeito para questionar o desconforto do C63 AMG.
 
Os alemães da Mercedes Benz souberam onde atacar a concorrente BMW direitinho. Conseguiram criar um carro que não era apenas um M3 wannabe, mas sim um carro com traços próprios. Aliás, ainda bem que a Mercedes Benz teve personalidade. É como dizem: “quem olha demais para os lados, esquece de olhar para frente”. O trabalho da Mercedes-Benz em fazer um carro próprio a fez criar um concorrente a altura do M3. Não mais um carro abaixo da concorrente, mas sim diferente, uma escola própria! Pela primeira vez, o consumidor realmente tem uma escolha de equivalentes com propostas diferentes.
 
Visual. O C63 AMG deixa bem claro a que veio. Não existe sutileza, mensagens implícitas ou indiretas. O tiro é reto e certo quanto à mensagem que a Mercedes-Benz quer passar. Saias dianteiras, laterais e traseiras largas e agressivas. Faróis dianteiros com máscaras escurecidas. Capô dianteiro com ressalto para cobrir o motor 6.3 V8. Rodas aro 19 (isso nos modelos pré-facelift. Nos modelos atuais, por alguma razão sórdida, os carros estão vindo com rodas aro 18). Saídas duplas de escapamento no lado direito e esquerdo do parachoque traseiro entre o difusor de ar.

Para aqueles que leram o meu post sobre Audi RS2 (https://korncars.com/2012/06/20/audi-rs2-uma-ideia-ousada-que-virou-carro-esporte/), neste momento, é bem provável que o conceito de “lobo em pele de cordeiro” tenha vindo na sua cabeça! Pois é, na minha opinião, o C63 AMG é exatamente a antítese desse conceito. Não há como achar que o C63 AMG pode ser confundido com um mero classe C. O carro grita que chegou, seja pelo visual ou pelo ronco do motor. 

Sinceramente, eu acho o visual externo do C63 AMG bonito e condizente com a personalidade bruta do carro, porém, tenho que confessar que em 2008, quando vi o carro pela primeira vez, fiquei impressionado. Hoje, tendo a achar um pouco exagerado e enjoativo pelo excesso de vincos e ângulos agressivos. Por outro lado, o facelift recém chegado fez muito bem para o carro, deixando-o ligeiramente com uma cara de “boa menina”. Muito salutar, pois acredito que o carro vai apelar para aquele consumidor que sempre achou o design da C63 AMG exagerado.

 

Perfomance comparada. Aqui acho que posso fazer dois tipos de comparação: em reta e em autódromos. Eu acredito que o C63 AMG tem um leque muito variado de carros com os quais pode se comparar. Em termos de autódromos, se você é um rato de track-day e gosta do máximo de comunicabilidade e sensibilidade em termos de tocada, de fato, eu não acho o C63 AMG o carro mais indicado – nesse aspecto, o principal concorrente declarado, é o M3. Na minha opinião, o M3 será um carro muito mais recompensador em um autódromo, é mais leve, mais preciso e mais comunicativo.

Por outro lado, se você é o cara que só vai para um autódromo casualmente e, quando está lá, não necessariamente está atrás das voltas mais rápidas, mas sim de se divertir simples e puramente, dando uma largadinha ou outra de traseira nas curvas mais fechadas, o C63 AMG pode lhe servir muito bem.

Aqui no Brasil as coisas começam a ficar muito interessantes mesmo quando começamos a observar o desempenho dessa Mercedes em linha reta, como em uma estrada, por exemplo. Vejam bem, devido a qualidade de nossa gasolina, muitos carros perdem desempenho no Brasil se comparado com os números de perfomance obtidos no velho continente.
 
O C63 AMG, curiosamente, é um carro que não fica devendo muito nesse aspecto, ou seja, não perde tanto desempenho com a nossa gasolina – a receita está pronta para dar susto em muito carro “de gente grande”. É um carro que legitimamente consegue acompanhar o ritmo da irmã mais velha da M3 E92 – a M5 E60, que tem um V10 5.0 com 507 cvs, por exemplo. 
 
Porém, existe um grande “porém” a respeito dos carros que o C63 AMG consegue acompanhar. Muitas das C63 AMG do Brasil estão com as centrais eletrônicas remapeadas (“chipadas”), algumas outras estão sem catalisadores e outras mais com outras maldadezinhas escondidas. Facilmente essas C63 AMG ultrapassam os 500 cvs de potência, mesmo nível das irmãs AMGs maiores, afinal, o motor é o mesmo, apenas, no caso da C63, “castrado” nos detalhes!


Em linha reta, o C63 AMG, além de tudo, é um daqueles carros feitos e pensados nas Autobahns alemãs (estradas alemãs sem limite de velocidade), pois é incrível a serenidade do carro em velocidades elevadas. Tudo com muita tranquilidade e serenidade.

 
CONCLUSÃO

Se antes a BMW podia se vangloriar do quanto o seu ///M3 sempre foi um carro superior a qualquer Mercedes Benz C AMG, com a chegada da C63 AMG, finalmente, as piadas acabaram. Hoje em dia, o consumidor tem uma legítima escolha de concorrentes. Não é uma questão de qual é melhor, mas sim de qual tem as características que vão agradar mais um ou outro motorista.

O C63 AMG é um carro emocional e lunático. Graças a ele podemos dizer que a linha AMG hoje tem uma personalidade própria. Um belo motor V8, um ronco de motor incrível, facilidade de se controlar e dirigir, bem como performance fenomenal… Tudo isso em um sedã, com dimensões médias e recheado com o melhor que a ergonomia alemã pode oferecer.

Sim, o C63 AMG é assim bom! Hoje em dia, os primeiro modelos, de 2008, já tem preço por volta dos 200 mil reais, o que torna o modelo uma tremenda barganha pelo que ele entrega em todos os aspectos. Fuja, no entanto, dos modelos mais baratos, mas mal cuidados ou com muitas coisas para fazer em termos de manutenção, afinal, a manutenção dos AMGs não é uma das mais baratas e o carro apresenta desgaste acentuado de pneus, discos e pastilhas de freio, especialmente se o antigo proprietário resolveu explorar ao máximo o potencial lunático do C63 AMG, algo que pode “salgar” muito a conta.

 

 

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5 comentários sobre “C63 AMG 2008 – O sedã alucinado!

  1. Bacana o post Korn … é uma nave. Parece meu vectra gt 2009 meketrefe kkkkkkkkkk (q eu adoro mesmo assim)… Já andei de carona numa C200, mas não consigo imaginar oq deve ser esse torque de 60kg! Acompanho vcs no Amigos por Carros… tá bem legal os vídeos… descobri por acaso recentemente fuçando pelo youtube… em breve o canal emplaca. Desejo sucesso a todos. Salve !!!

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