LAMBORGHINI HURACÁN SPYDER (NÃO LEIA SE VOCÊ GOSTA DO GALLARDO)

Durante as minhas férias, tive a oportunidade de testar o Lamborghini Huracán, sucessor do emblemático e longevo Gallardo. Trata-se do veículo de “entrada” da marca, equipado com motor central V10.

Eu nunca fui fanático pelo Lamborghini Gallardo e suas variantes. Apesar de gostar muito do ronco do V10, a dinâmica do carro nunca me impressionou. Para mim, faltava uma conexão maior com o motorista e o câmbio E-gear era truculento demais. Confesso que minha experiência a bordo da versão Super Trofeo Stradale limpou um pouco minha impressão negativa sobre o modelo, mas, ainda assim, não o suficiente para que eu o considerasse um esportivo excepcional.

Quando a Lamborghini anunciou o Huracán, a priori, eu fiquei um pouco preocupado. Em tempos de motores sobrealimentados, a proposta aspirada para o modelo me pareceu um pouco como natimorto, ou seja, como poderia o Lambo V10 peitar Mclarens, Ferraris ou Porsches?

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Para minha surpresa, testes da mídia especializada davam conta que, na prática, o Lambo V10 não estava fazendo feio. Em especial, a caixa de dupla embreagem, agora presente no baby Lambo, dava outra cara para o desempenho. Porém, não é só de linha reta que vive um esportivo desse tipo.

ENTRANDO NO HURACÁN

Finalmente a modernidade chegou à cabine do Lambo V10. É notório o senso de novidade e refino por dentro do carro. O painel digital é show à parte. De fato, há semelhanças com um caça e você traça um paralelo com a cabine do Gallardo, mas há muita modernidade agora.

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O padrão dos botões e centrais dentro do carro vem daquilo que a Audi oferece de melhor em seus modelos mais caros. No meu dicionário, isso é positivo. Em suma, o Huracán entrega o que se espera ali dentro, ainda mais considerando os concorrentes.

A posição de dirigir é baixa. A visibilidade externa é melhor do que a do modelo anterior, especialmente se você precisa ter uma noção melhor do espaço que o carro ocupa na via. O único aspecto negativo consiste no caimento do parabrisa dianteiro, que é bem inclinado e bloqueia boa parte da visão dianteira superior. Atrapalha um pouco na hora de enxergar semáforos, por exemplo.

Ignição dada. Você seleciona os modos de condução ali no volante, na parte de baixo entre normalstrada corsa. 

Imediatamente ao pressionar o modo corsa, o escape fica com as borboletas abertas e mais grave. Como o carro era alugado e a temperatura externa na casa dos 5º, fui alertado de que o teste seria conduzido no modo normal mesmo. Inclusive, o carro estava equipado com pneus de inverno.

Vamos à tocada.

DIRIGINDO O HURACÁN

A primeira coisa espetacular a se notar é quanto o V10 é cheio de personalidade. Não adianta. Eu sei que um motor com um par de caracóis seria mais rápido, como veria dali a pouco no McLaren 650 S, mas nada bate a experiência de um belo aspirado girando alto a quase 9000 rpms. Ele ronca forte e bravo. São 610 Hp a 8250 rpms para 57 kgfm a 6500 rpms.

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Agora, ultrapassado o aspecto emocional, o powertrain V10 lembra em desempenho uma versão atualizada e pouco mais esperta daquela vista no R8 V10 e nas antigas Lambos V10. Parece que temos mais torque em giros mais baixos, mas isso pode ser resultado da relação de marchas mais curta desse câmbio. Na realidade, a maior diferença de desempenho em linha reta para as antigas versões não se deve exatamente ao motor, mas sim ao casamento simbiótico com o câmbio doppia frizione, ou, em bom português, de dupla embreagem.

Esqueçam a era dos mergulhos de frente a cada subida de marcha. Agora, o Lamborghini V10 engole uma marcha atrás da outra com pequenos sobressaltos para frente. Em termos de velocidade de trocas de marcha, sejam elas para cima ou para baixo, a caixa de câmbio do Huracán está no melhor nível de desempenho da indústria atualmente. É instantânea, seja no modo automático ou por meio das borboletas atrás do volante.

No entanto, o aspecto que o Huracán mais evoluiu na minha percepção é sem sombra de dúvidas o chão do carro. Não que o antigo modelo fosse instável, mas, para mim, faltava aquele senso de conexão com a via que o Audi R8 passava de uma maneira muito melhor.

O Huracán fez um estágio mais apurado com os engenheiros da Audi. Se o antigo R8 era extremamente sofisticado nesse aspecto, o antigo Gallardo tinha um senso de artificialidade irritante. Nas curvas de alta velocidade, o Huracán vem traçado da melhor maneira possível. Arrisco dizer que esse seja talvez o esportivo mais “traçado” que experimentei. É um tipo de carro que transmite uma confiança e segurança sem precedentes.

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Mas nem tudo são flores. O câmbio e o chão do carro são sem sombra de dúvidas os pontos altos. A direção é direta e precisa, mas ainda passa uma sensação de peso artificial. É como se houvesse horas em que os sensores endurecessem a caixa para transmitir mais esportividade, mas você nota que ali, caso fosse um conjunto hidráulico, seria mais leve. Talvez, esse seja o ônus sobre o qual li a respeito quando o Huracán vem equipado com a direção variável, que muitos recomendaram não ter.

Tirando esse aspecto, outra coisa que pude perceber ligeiramente em algumas curvas um pouco mais fechadas é como o Huracán equipado com a tração integral é um carro “dianteiro”. Ao menor sinal de cutucadas de acelerador mais agressivas, a tendência principal foi arrastar as rodas dianteiras. Em suma, acredito que para estradas mais vicinais e/ou circuitos mais travados, talvez a versão com tração integral não seja o produto mais adequado.

Por último, um outro ponto que me incomodou foi a frenagem. Vou dar um desconto para os pneus de inverno e talvez um alinhamento meio errado, mas todas as vezes que eu subi mais forte no pedal, a frente mergulhava e puxava para direita. O carro tem poder de frenagem, mas eu simplesmente não me senti confortável com essas puxadas esquisitas. Mesmo depois que o conjunto esquentou mais, ainda assim havia a mesma tendência.

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CONCLUSÃO

Para mim, o Huracán é uma proposta de carro mais emocional, em especial por seguir com um motor V10 aspirado. A hora que você sobe naquele acelerador e belisca acima dos 8000 rpms é uma sensação incomparável. Acoplado com o câmbio de dupla embreagem, o desempenho é muito bacana, apesar de ser bem linear. Falta aquele senso de “grudada no banco” que você teria a bordo de outros concorrentes turbinados.

Por outro lado, o Huracán compensa você por isso com uma trilha sonora invejável e uma segurança absurda. Acho que o Huracán é um dos carros que mais me senti confortável de ficar com o “pé embaixo” por mais tempo. É um belo produto, com uma faceta mais GTzão de ser do que de track weapon.

Por fora, você não tem como negar o caráter show stopper do carro, apesar de eu acreditar que a Lambo poderia ter sido mais ousada na dianteira. Trata-se de uma evolução absurda em relação às antigas versões do Gallardo. Para mim, isso por si só rende um elogio à Lamborghini. Por outro lado, me dá um pouco de medo. Eu realmente torço para que o R8 V10 atual não seja superior ou tão parecido com o Huracán, sob pena do Lambo perder o encanto.

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