LAMBORGHINI GALLARDO SUPER TROFEO STRADALE (no passageiro) – TUDO AQUILO QUE A GALLARDO DEVERIA TER SIDO

Korncars Lamborghini Super Trofeo Stradale I

Usualmente, procuro evitar escrever sobre um carro sem tê-lo dirigido.

Em raríssimas ocasiões acaba valendo a pena contar para vocês a experiência no banco do passageiro. Essa é uma delas.

Há alguns anos eu estive a bordo da Lamborghini Gallardo Performante, a versão conversível da Superleggera, que é uma versão semi-pista do Gallardo. À época, minhas conclusões não foram exatamente as mais felizes para o carro.

Em curtas palavras: o câmbio E-Gear era demasiadamente truculento, segurando a performance com mergulhos e trancos a cada troca. A direção parecia não conversar com o que se passava embaixo do carro. A tração passava uma desagradável artificialidade. Esperava um motor um pouco mais solto e mais explosivo.

Aquilo havia sido suficiente para fazer com que eu descartasse a Gallardo do meu panteão de carros admirados. O problema não era o carro em si. Chamar um carro do nível de uma Performante de “ruim” é quase que uma blasfêmia automotiva.

O problema, na minha opinião, era a concorrência, anos luz na frente – Porsche 911 Turbo PDK 997, Ferrari 458 Itália, Nissan GTR e Mercedes SLS AMG.

Recentemente, um amigo adquiriu uma Lamborghini Gallardo Super Trofeo Stradale. Na minha cabeça, não passava de mais uma versão da Gallardo. Realmente me incomodava essa ideia da marca de estender a longevidade de um modelo por mais de uma década lançando diferentes repaginações do mesmo produto.

As coisas mudaram um pouco desde que me foi oferecida uma volta na STS

Korncars Lamborghini Super Trofeo Stradale III

Já havia visto ela de perto andando em provas de velocidade. Sabia que havia alguma coisa diferente no modelo. Sejamos sinceros, até hoje, o desempenho das Lamborghinis nesses eventos aqui no Brasil sempre deixou a desejar, apesar de no velho continente e na terra do Tio Sam, as Gallardos darem um belo trabalho para esportivos conhecidos com os reis do desempenho.

Obviamente, a STS que tive a chance de andar não é um carro completamente original, porém, diria que, no âmbito das preparações em solo tupiniquim, ela está no nível básico, com alterações de ECU (remap), filtro BMC, coletores da versão GT3 de corrida da Gallardo e escape Larini Clubsport.

O resultado é um Lamborghini V10 que rende consideravelmente acima dos 600 cavalos e pesa 1340 Kgs.

Korncars Lamborghini Super Trofeo Stradale V

Números à parte, o que me interessava mesmo era saber como tudo isso seria na prática. Honestamente, tirando o fato que ainda quero experimentar uma Aventador, essa STS foi de longe o Lamborghini que mais me impressionou até hoje. Há muito tempo que eu não saía de um carro com um golpe de adrenalina tão intenso.

Primeiro, temos o ronco. De longe, o ronco mais bruto que já ouvi urrar de um Lamborghini. Talvez, o mais agressivo que já tenha ouvido de perto. Como eu sempre digo, no duelo italiano, o ronco da Ferrari V8 é uma obra de arte e melódico, enquanto que o Lamborghini V10 soa como um psicopata com machado. Infelizmente, o fenômeno da injeção direta de combustível “afanhou” esses magníficos sons. A combinação do filtro BMC, com os coletores e escape dessa STS são um brinde aos tempos em que carros eram politicamente incorretos a ponto de lhe deixar com uma coceira dentro do ouvido e assustar as pessoas na rua!

Segundo, como em todo carro esportivo que se preze, de nada adianta a alegoria, se não há performance. Diferentemente da Performante, não há letargia durante os primeiros 3000 mil rpms. Essa STS já explode freneticamente a banda de rpms ao menor toque, algo como se as borboletas do acelerador abrissem com violência imediata. Engraçado você sentir uma grudada no banco com tamanha intensidade vindo de um motor aspirado.

Terceiro, o câmbio! Sim, eu sou um dos maiores críticos do E-Gear da Lambo. Por razões que não preciso repetir novamente, acredito que o sistema era um atraso no desempenho das Gallardos. Curiosamente, na STS aquela mergulhada de nariz cumulada com aquela pancada na nuca é muito menos perceptível. Isso é aquele tipo de coisa que nenhum press release vai explicar. Mesmo original, minha aposta é que o câmbio da STS tem calibragem diferente de qualquer outra até então vista. É mais rápido e realmente impulsiona o carro. Detalhe, o módulo desse câmbio ainda receberá nova programação para ficar ainda mais rápido.

Korncars Lamborghini Super Trofeo Stradale II

Quarto, a dinâmica do carro. Eu sempre falei que na Performante me parecia que a direção não conversava com o chassi, que ignorava a tração. Havia um hiato entre o que você comandava ao volante e como o carro respondia, juntamente com uma certa anestesia geral. Aproveitamos alguns trechos bem vazios para ver como a STS se comportaria. Mesmo sentado ali no passageiro lhes asseguro que a resposta do carro aos comandos do motorista está em outro nível.

A sensibilidade da via a bordo da STS é realmente nítida e isso é um grande ponto, afinal, o carro é violento e agressivo. Saber o que se passa debaixo é muito importante nessa hora. O carro muda de direção de uma maneira incrível. É afiado de uma maneira que nunca vi antes em uma Gallardo. A sensação de grip mecânico é excepcional.

Se há um detalhe que incomoda um pouco é que os bancos são rígidos e o carro tremendamente duro. Isso culminado com o teto baixo, corrobora para pancadas da cabeça contra o teto do carro. Tanto para mim e meu amigo, que temos pouco mais de 1,85 metro, usar um capacete significa que sua cabeça ficará inclinada.

Korncars Lamborghini Super Trofeo Stradale Interior

Portanto, meu ponto é: a STS é tudo aquilo que a Gallardo deveria ter sido desde o começo. Entre erros e tentativas, foram tantas versões do mesmo modelo que naturalmente era fácil condenar a STS como apenas mais uma ferramenta de marketing de uma montadora sem orçamento para desenvolver um novo carro.

A STS é, sem sombra de dúvidas, um grande troféu de despedida para os quase 10 anos de vida da Gallardo. É um pacote completo – tem ronco, desempenho e tocada… mas… talvez um aspecto tremendamente importante em um mundo de esportivos cada vez mais politicamente corretos e digitais – tem um tremendo senso de ocasião. Você não tem como duvidar nem por um instante que comprou um carro especial e emocional.

 

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