AUDI RS5 FACELIFT – UM SR. GT

Quando a Audi lançou o RS5 para o mundo em 2011, eu particularmente achei  o design sensacional. Limpo, sem grandes vincos e no tamanho certo. A mídia especializada caiu matando em cima do carro, no entanto. Segundo muitos jornalistas, o carro era pesado, a direção era anestesiada e saía muito de frente.

O carro testado no Amigos por Carros foi cordialmente cedido pela Audi do Brasil e trata-se do facelift do modelo (ocorrido oficialmente em 2013). As mudanças visuais são sutis na dianteira e na traseira.

Eu estava curioso para ver se procediam as críticas a respeito do modelo. Honestamente, tem gente que condena demais algumas coisas para ser polêmico.

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O AUDI RS5

Vamos às entranhas do modelo: motor 4.2, V8, aspirado. Velho conhecido da montadora. São 450 cvs a 8250 rpms para 43 Kgfm de torque entre 4000 e 6000 rpms. O câmbio é de dupla embreagem com 7 marchas conhecido por S-tronic. O peso do modelo coupé fica na casa dos 1800 kgs com fluídos.

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Os principais concorrentes  são o BMW M3 E92 e o Mercedes Benz C63 AMG (na variante coupé, em especial). A diferença essencial para os competidores, no entanto, está na tração integral Quattro da Audi, enquanto que os demais são traseiros.

Eu vejo o Audi RS5 bem no meio das propostas dos seus principais adversários e isso deve ficar claro na hora que falar para vocês sobre a tocada do carro.

Em termos de modos de condução, você tem 3 opções: ComfortAuto Dynamic. 

Por dentro, os materiais são muito bem acabados. Comparativamente aos concorrentes, eu considero a cabine do Audi com um acabamento (nesse modelo em específico) intermediário entre o M3 e o C63. O Benz usa materiais marginalmente superiores, mas em termos de design interno, o RS5 parece um local mais moderno. Agora, não se engane, ainda há uma orgia de botões para todos os lados e a central de multimídia utilizada é o embrião daquela que você vê em carros como o Audi RS6 atual (ou seja, um pouco obsoleta).

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A TOCADA DO AUDI RS5

Uma das coisas mais elogiadas do Audi RS5 era justamente o conforto e ergonomia do modelo para uso cotidiano. Para testar isso, resolvi sair com o carro no modo Comfort. Aqui a suavidade é palavra-chave. O acelerador é lerdo nas resposta, o câmbio está sempre procurando a marcha mais alta possível e as trocas são tranquilas. A direção é uma das mais leves que já senti em um carro. Ao trafegar por vias com asfalto mais irregular, o carro absorveu impactos de maneira ímpar. Nesse ponto, a mídia especializada estava certa – o Audi RS5 talvez seja o carro mais confortável da categoria para trafegar em situações normais.

A posição de dirigir é bem baixa, mas, ao mesmo tempo, o teto também é. Uma pessoa com mais de 1,85 metro vai se sentir um pouco incomodada. Lutei um pouco para enxergar aonde termina o capô. Esse foi o primeiro momento em que me dei conta que o Audi RS5 é um carro grande. Acho que uma maneira adequada de definí-lo nesse aspecto específico é que ele lembra muito o Chevrolet Camaro, mas as semelhanças acabam por aí.

Resolvir descobrir se todas as críticas sobre as aptidões esportivas do RS5 eram verdadeiras. Para tanto, selecionei o modo Dynamic. Imediatamente, o acelerador acordou e a direção ficou tremendamente mais pesada. Comecei a fletar com algumas mudanças de direção, simulando um slalom para ver como o carro se comportava nessa circunstância. Notei que o RS5 tem um comportamento mais voltado para o lado pesado da balança, mas resolvi deixar para tirar conclusões quando chegasse ao trecho com mais curvas

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Aproveitei para explorar bem o comportamento do motor do carro em linha reta. O corte de giros fica a consideráveis 8250 rpms como todo bom aspirado de alta potência específica. O torque é uma relação direta da capacidade cúbica do motor aspirado. Um aspecto muito positivo do conjunto, no entanto, é que eu esperava que fosse ser um carro meio letárgico até os giros subirem consideravalmente, mas o motor é bem uniforme. O carro tem uma dose considerável de força a giros mais baixos do que o motor BMW 4.0 V8 do M3. Ou seja, não há aquela dupla personalidade entre o começo e o final da banda de RPMs que você se acostuma a esperar em aspiradões.

A qualquer momento você parece ter acesso àquela mesma sensação de força. Obviamente, qualquer coisa abaixo de 3500 rpms em marchas acima da quarta vai ser meio complicado. A combinação, no entanto, do câmbio de dupla embreagem com a tração integral significam quantidades absurdas de tração nas saídas mais vigorosas. Em situações onde você sai de uma lombada e senta o pé, o RS5 tem uma agilidade excepcional por causa da tração, situação essa em que você veria controles de tração trabalharem absurdamente nos competidores.

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Chegamos ao trecho onde teria a oportunidade de verificar se o RS5 seria bom de curva. Aqui eu realmente veria se todas aquelas declarações sobre as saídas de frente, eixo dianteiro pesado e direção ruim seriam verdadeiras. Logo de cara, já desconfio que houve exagero. Obviamente, não adianta você querer o RS5 aponte tão bem como o BMW M3, que é apenas tração traseira, mais leve e com equilíbrio de peso perfeito.

O RS5 não muda de direção com a mesma velocidade até mesmo que o C63 AMG, mas é um carro extremamente dócil e fácil de tocar. Assim que você supera a letargia na entrada da curva comparativamente aos competidores, você pode subir no pedal do acelerador com um vigor que faria você botar a traseira do M3 para passear e o C63 AMG rodar.

Os freios do RS5 também são muito bons. Dão conta da massa do carro. Mesmo após um intenso abuso, não deram nenhum sinal de perda de eficiência.

A questão é que o RS5 é um carro que transmite muita confiança. Acho que é um dos carros mais previsíveis que já dirigi. A força em si não é descomunal, mas o ritmo que você consegue manter num trecho de curvas de média velocidade é sensacional. O problema de tocada mesmo é quando a curva fecha mais e você se pega tendo que contornar mais forte no volante. Nessas circunstâncias, as saídas de frente são bem evidentes.

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Agora, uma coisa que você pode fazer para apontar a frente com mais agilidade é subir no freio um pouquinho mais tarde a apontar a direção com o pé em cima do freio. Curiosamente, a traseira ameaça até desgarrar.

A direção é bem precisa e direta no modo Dynamic. O peso também é na medida certa para as horas de diversão. Não chega a ficar tão pesada como no Audi RS6, mas totalmente dentro do esperado para o peso e força do carro. Poderia transmitir um pouco mais das condições da via, mas não acho que dá para criticar incisivamente nesse aspecto.

As trocas de marcha não merecem nenhum tipo de crítica. São rápidas e afiadas no modo automático e as borboletas atrás do volante são extremamente boas de resposta. Você tem que ser muito bom para afirmar qual a melhor caixa entre S-Tronic da Audi, M-DCT da BMW ou PDK da Porsche. Elas são diferentes em experiência, mas todas ótimas em desempenho.

CONCLUSÃO

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Acredito que o maior problema para aqueles que criticam o Audi RS5 é se negar a ver sua verdadeira proposta Gran Turismo. É um carro pensado para quem vai passar longas horas ao volante do carro e não necessariamente vai atacar trechos sinuosos de pista. Nesse último aspecto, você certamente estará melhor servido a bordo de um BMW M3 E92.

Aí você mencionaria que talvez um C63 AMG coupé seria algo mais apto à proposta a qual eu estou sugerindo para o RS5. De fato, é uma troca interessante para essa proposta mais GT de ser. No AMG você terá tração traseira e um torque bom, mas é um carro que carece de mais borracha no eixo traseiro e de um câmbio realmente interativo. É nesse contexto que o RS5 entra no meio – o câmbio de dupla embreagem é espetacular e o “chão” do Audi é muito bom devido à tração integral.

Não dá para dizer que o RS5 é um carro fraco, mas o tanto o C63 e o M3 parecem mais rápidos do que ele. O motor é bem linear, sem picos de potência e torque notáveis.

Em termos de conforto, o Audi também parece ser o mais macio para quem pretende utilizar no dia a dia. Tirando a altura da cabine, na parte da ergonomia, apesar de um pouco obsoleto para os dias de hoje, o RS5 é um carro muito bacana de conviver. Por fora, em termos visuais, especialmente a versão do facelift é muito bonita e não deixa nada a desejar no quesito “presença”.

A realidade é que os três carros são muito bons, mas cada um tem uma personalidade. Parece-me que o Audi RS5 é o mais sóbrio e tranquilo de tocar dos 3. Qual eu levaria para a minha garagem? Eu ainda me encanto mais com o M3 para o final de semana ou com uma C63 AMG sedã como proposta de único carro, mas entendo que compre um Audi RS5. Está muito longe de ser ruim como muitas mídias sugeriram.

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