MINI COOPER S (F56) – EXCEPCIONAL EM TODOS OS SENTIDOS

 

A mudança de geração de um carro que tem uma legião de fãs é sempre um momento complexo. Um movimento na direção errada é suficiente para estragar o legado do modelo. Isso talvez ajude a justificar a razão de alguns modelos terem alterações bem conservadoras visualmente, deixando as revoluções para onde os olhos não enxergam. O Mini Cooper é um desses carros.

2014 Mini Cooper S (F56); top car design rating and specifications

No entanto, a ousadia tomou um pouco mais o controle na transição da geração R56 para a F56. Reviews internacionais  davam conta que o novo Cooper havia crescido e perdido talvez a alma de kart. Quando a Pitstopshop contatou o Amigos por Carros para que fizéssemos um teste com um Cooper S F56 preparado por eles, eu estava muito curioso e confuso a respeito do que esperar.

Realidade seja dita sobre a geração R56 do Cooper: apesar de divertidíssima de dirigir, era um carro que demandava sacrifícios dos proprietários que se aventurassem a utilizá-lo todos os dias.

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Geração anterior do Mini Cooper S, a R56.

O Cooper S R56 foi um dos carros mais rígidos que já tive a oportunidade de dirigir, tanto do ponto de vista da suspensão, como também de chassi. Entradas de estacionamentos ou postos de gasolina, lombadas, valetas ou asfalto irregular eram o capeta. O fato do carro vir equipado com pneus run flat também corroborava para uma das experiências mais desconfortáveis de condução que eu já tive a chance de testar. Por dentro, o acabamento deixava a desejar, pois apesar de agradável aos olhos, sempre parece que algo vai desmontar, sem prejuízo à selva de grilos internos que demandam um constante “reaperto de acabamentos”.

Agora, você poderia esquercer tudo isso sobre o R56 no momento em que resolvesse provocá-lo dinamicamente. Nada se movimentava com tamanha agilidade nas mudanças de direção na categoria hatchback. Engana-se que pensa, no entanto, que o carro era dócil. Andando próximo do limite, na hora que a frente começasse a sair, era bom você ser bem educado e suave na sua aliviada de acelerador, sob pena do carro chicotar a traseira. Em suma, era um prato cheio de tocada para os mais entusiastas.

Como será que ficaram as coisas a bordo do novo modelo?

POR DENTRO DO COOPER S F56

Logo ao entrar no carro e me ambientar com a nova cabine, noto uma sensação familiar do antigo carro. É como se tivessem pego tudo do modelo anterior e aprimorado. Materiais são um pouco mais premium, com menos plásticos duros espalhados.

A central de multimídia é uma outra evolução em termos de interatividade, com tudo que um carro de cerca de 130 mil reais deve ter – informações sobre o veículo, modos de condução, GPS, rádio, bluetooth etc. O sistema é razoavelmente intuitivo de usar depois que você se acostuma com a posição do “pad” ali perto do câmbio e com os diferentes menus.

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Há um heads up display e, além disso, onde era o antigo conta-giros, entrou um novo equipamento que mostra também a velocidade, com uma micro central mais moderna do que da última geração.

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O espaço interno cresceu marginalmente. No bancos traseiros, agora, cabem crianças pequenas (e não mais anões). Brincadeiras à parte, é notável que há um pouco mais de conforto para aqueles que vão atrás. Ok, eu não recomendaria a ninguém fazer longas viagens ali, mas dá para encarar curtos trajetos (desde que o motorista e passageiro sentados na frente não tenham mais de 1,80 m e nem você).

Os bancos evoluíram demais, assim como a posição de dirigir. Agora, você tem um apoio extra na parte de baixo, no melhor estilo BMW, e os ajustes parecem ser muito mais complexos do que o do antigo modelo. O couro também é bem superior. O pecado são os ajustes ainda manuais, mas nada que incomode absurdamente.

Já que toquei no assunto posição de dirigir, devido mérito deve ser dado a um componente em específico – a direção, que além de ser regulável em altura, tem simplesmente o melhor ajuste de profundidade que eu já vi em um carro. É incrível o quão junto ela pode chegar do motorista.

A direção tem uma pegada um pouco mais grossa que a do modelo anterior. As borboletas atrás do volante são finalmente corretas – direta para subir as marchas e esquerda para reduzi-las.

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A principal conclusão sobre a cabine do novo Cooper S é que ela mudou da água para o vinho. É um local tremendamente melhor. O mais legal é que, ali dentro, o Mini mostra toda a sua simpatia e personalidade, sem aquela aura séria e fria de um hatch alemão. Menção honrosa ao sistema de som Harman Kardon.

korncars-mini-cooper-s-f56-som-harman-kardon

DIRIGINDO O COOPER S

O Cooper S possui 3 modos de condução: GreenMidSport (ou, como a própria marca chama nesse último caso, “máximo go-kart feeling”).

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Para testar as aptidões civilizadas do novo carro, eu começo a avaliação no modo Green, supostamente o mais amigo do ambiente. Logo ao acioná-lo, você percebe que o acelerador fica preguiçoso, as trocas de marchas são antecipadas e, inclusive, a Mini “gamificou” essa parte colocando um peixinho na central de multimídia que fica cada vez mais feliz à medida que o condutor dirigir civilizadamente.

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A suspensão do Mini Cooper S novo é outro sinal dos novos tempos – FINALMENTE VOCÊ PODERÁ UTILIZAR O SEU MINI TODOS OS DIAS SEM SE PREOCUPAR COM DORES DE COLUNA OU COM ACABAMENTOS DESMONTANDO! Sim, amigos e amigas, o novo carro é ainda firme, mas ele não quer mais lhe machucar em ruas irregulares.

Mas… se por um lado o carro é agora civilizado para o nosso asfalto lunar, será que ele perdeu aquela pegada extremamente esportiva? A melhor maneira de descobrir isso foi partindo para o modo mais agressivo de condução. É nessa hora que os “sentidos” do Cooper acordam, mas com só um detalhe: esse carro em específico está com uma preparação que leva o 2.0 turbo de 192 cvs e 30,6 Kgfm para 280 cvs e 42 Kgfm.

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Tração dianteira? Tudo isso de torque?! Se eu não tivesse andado em Golfs GTI com esse nível de preparação e visto como essa nova geração de hatches tem tecnologia de ponta para tolerar esse tipo de coisa, eu estaria preocupado.

Saindo da imobilidade, assim que o Cooper S chega aos 3500 rpms, os pneus começam a cantar e há um torque steer, fazendo o eixo dianteiro dançar, mas, logo em seguida, vem a tração e o carro segue forte até consideravelmente acima dos 6000 rpms. Durante esse platô, o Cooper S preparado pela Pitstopshop esbanja uma pancada linear e crescente, sem aquela clássica perda de rendimento ao chegar próximo do corte de giros.

Assim que os pneus esquentam um pouco mais, a fritada de pneus melhora bastante, assim como o torque steer. Obviamente, se você for um pouco mais linear no acelerador, que é bem direto, a coisa fica mais “plantada”.

Agora, o brilhantismo do Cooper nunca foi mensurado somente em linha reta. Quero ver como o novo carro ataca as curvas. São 100 kgs a mais do que o antigo R56. O F56 pesa 1315 kgs e tem o entre-eixos maior. No meu vocabulário, mais peso é sempre um sinal negativo, mas o entre-eixos mais longo certamente é algo positivo.

A direção continua sendo um exemplo a ser seguido. Finalmente os sistemas modernos estão chegando próximo em termos de sensibilidade das caixas mais velha guarda. Você tem uma excelente leitura das condições da via e de aderência do carro. Ela é um pouquinho menos direta que a do modelo anterior, mas se à primeira vista isso seria um problema, o grande mérito da nova geração é justamente como o carro se comporta no meio das curvas.

2014 Mini Cooper S (F56); top car design rating and specifications

O carro é muito mais plantado e seguro de andar forte do que a geração anterior. As reações tornaram-se ainda mais previsíveis! Você sobe no freio, aponta a direção, encaixa a frente e monta no acelerador. É um nível de refino e tocada que dá aulas a muitos outros hatches e, em especial, à geração anterior. A sensação que você tem é que esse novo carro é muito mais tolerante com erros.

Em um local mais vicinal como esse no qual conduzimos esse Cooper S preparado pela Pitstopshop, arrisco dizer que pouquíssimos carros conseguiriam acompanhar o ritmo. Um outro aspecto muito bacana é que estávamos fazendo a avaliação sob um calor extremo, circunstância em que um carro turbinado preparado certamente poderia esquentar um pouco e perder desempenho, mas o Cooper S com filtro BMC, downpipe e remap segurou desempenho durante todo o dia.

Segundo o preparador, esse Mini é capaz de velocidade máxima na casa dos 270 Km/h. Infelizmente, não tivemos a oportunidade de verificar essa marca, mas uma coisa eu afirmo com certeza, houve momentos durante o teste que mantendo os giros ali na casa dos 4 a 5 mil rpms de segunda ou terceira marcha que esse Cooper S pareceu sensivelmente mais forte até mesmo que a BMW M235i. Nada mal mesmo!

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CONCLUSÃO

Esse Mini Cooper S preparado conseguiu despertar em mim uma sensação de entusiasmo em um teste automotivo que confesso fazer alguns meses que não sentia. Foi um daqueles testes intensos e cheio de coisas legais para falar. De fato, não há um aspecto singelo no qual o Cooper S F56 seja pior ao R56.

Se você é proprietário do antigo modelo, gosta muito do carro e o customizou para deixar com a sua cara, eu não sei se recomendo a você ir conhecer o novo carro. É quase impossível você não querer o upgrade, pois você vai ter tudo de bom que o seu antigo carro tinha, com muito mais praticidade, acabamento, ergonomia e força (em especial se você fizer o tratamento Pitstopshop).

A pergunta que não quer calar: muitos sabem da minha paixão pelo Golf GTI MK VII, então, será que o Mini Cooper S F56 tem as credenciais para assumir o posto do meu hatchback tração dianteira favorito? Eu acho que sim! Ambos são tremendas máquinas. São excepcionais. Acho até que o Golf com esse nível de potência é mais “plantado” nas arrancadas, mas há uma aura de “diversão” com o Mini Cooper, uma personalidade muito bacana, que eu simplesmente não acho no Golf GTI.

É como se o Golf GTI fosse simplesmente um grande produto de engenharia automotiva, enquanto que o Cooper S F56 também é, mas foi feito por pessoas com senso de humor. Em especial, essa “pegada” do Cooper S fica evidente nos pequenos detalhes a bordo, bem como na forma como ele gosta de atacar curvas. A melhor maneira de mensurar isso é pela quantidade de sorrisos durante o teste. Ambos me impressionaram bastante, mas o Cooper S é um carro que certamente me fez rir um pouco mais durante as poucas horas que passei com ele!

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Um comentário sobre “MINI COOPER S (F56) – EXCEPCIONAL EM TODOS OS SENTIDOS

  1. Nenhuma surpresa meu caro, so eatava esperando vc enchergar o obvio, um carro q foi feito para o prazer, seja ele racional ou emocional…nao ha como compara lo a um hatch de 4 portas com vocacao mais pela razao q a emocao…
    abs!

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