PORSCHE 911 GT3 991- A NOVA “VELHA” GUARDA AUTOMOTIVA?!

Em tempos modernos, onde os carros estão cada vez mais digitais, com milhares de assistências eletrônicas, você poderia pensar que os tempos da velha guarda automobilística morreram.

Será que ainda é possível atingir o nirvana a bordo de um carro esportivo moderno?!

Graças a um grande amigo, tive a oportunidade de dirigir um Porsche 911 GT3 991.

Uma breve volta, mas suficiente para absorver quão especial um carro pode ser.

Em curtas palavras, se a evolução dos carros esportivos seguirá o caminho visto neste carro, acho que veremos o surgimento do entusiasta automotivo do século XXI.

O GT3 991

1 KORNCARS PORSCHE 911 GT3 991

Pode parecer meio óbvio, mas esqueça tudo o que você possa ter visto no Youtube ou lido a respeito do GT3 991. Ao vivo, é simplesmente muito difícil mensurar o que esse carro é. Quero realmente me esforçar para dar um depoimento imparcial, ainda mais sendo fã de Porsches, mas não é todo dia que você tem uma das experiências automobilísticas mais incríveis da sua vida.

Com o GT3 991, a Porsche abandonou o lendário motor Mezger e veio com um bloco completamente novo, com injeção direta de combustível. Trata-se de um 6 cilindros, boxer, 3.8, aspirado, capaz de render 475 cvs a 8250 rpms e 45 Kgfm de torque a 6250 rpms. O carro pesa com fluídos 1505 Kgs.

A única opção de câmbio é a caixa de dupla embreagem PDK de 7 marchas. Houve muita polêmica quando a Porsche disse que não ofereceria a opção de câmbio manual, mas se você pensa que esse PDK do GT3 é o mesmo que você encontra nos demais modelos da marca, está enganado.

Eu poderia citar os números de aceleração e velocidade, mas isso é apenas uma parcela ínfima da avaliação que se pode fazer desse carro. Agora, como em todo review que se preze, eu preciso falar disso, então: 0 a 100 km/h em 3,5 segs e velocidade máxima de 315 km/h.

O novo GT3 segue a mesma linha de modernização dos modelos 991 da geração do 911. O acabamento é mais refinado do que o da geração 997. Como em todo GT3, há aplicações de alcântara na direção, bancos e outros cantos da cabine.

KORNCARS PORSCHE 911 GT3 991INTERIOR 2

A central PCM também é basicamente a mesma encontrada na mais moderna das Cayennes ou Panameras. Por um momento, você até pensa se tamanha tecnologia de interatividade combina um carro cuja proposta é tão focada em performance em track days. Nada que os primeiros milésimos de segundo pressionando o pedal da direita não façam você jamais questionar as aptidões dinâmicas do GT3.

KORNCARS PORSCHE 911 GT3 991 iNTERIOR

Uma ausência notável, no entanto, é a de uma câmera de ré. Em um carro semi pista? Viadagem? Não, apenas um profundo apreço pelo parachoque traseiro magnífico do carro, pois a visão traseira é um pouco perturbada pelo aerofólio.

A posição de dirigir, por mais evoluída e moderna que seja, ainda é clássica do 911. Impressionante como mesmo a bordo do mais moderno dos 911, você consegue fazer uma relação com o mais antigo deles. Para quem conhece o modelo de outras histórias, é tudo muito familiar.

Por mais que o GT3 pareça um racecar, ali dentro, nada de dimensões largas e espalhafatosas. É um carro com excelente visibilidade externa e um ótimo senso da posição que o carro ocupa na via. Você senta baixo na cabine e enxerga muito bem as “ancas” dos dois lados do carro.

Chega de conversa… vamos a como é dirigir o GT3 991

ANDANDO COM O GT3 991

Porsche 911 GT3

Logo ao dar a partida e manobrando, algumas constatações interessantes. O GT3 se comporta como um animal muito diferente de um Carrera S.

O atual 911 Carrera é um carro que passou por um processo que chamo de “Panamerização” – o acelerador é muito mais dócil e suave para botar o carro para andar. A calibragem do PDK no Carrera 991 é muito mais um perfil “automático” de ser do que na geração 997.

No GT3, a pegada é completamente distinta – a sensação é muito mais “mecânica”, você sente o PDK acoplar e as embreagens funcionando. O GT3 991 é um carro que realmente não faz muitas concessões à usabilidade nesse tipo de situação. Chego a ter até mesmo uma sensação familiar com os primeiros PDKs que surgiram em 2009, mas as semelhanças acabam por aí.

A direção manobrando é ligeiramente mais pesada do que a do Carrera. Ainda é bem mais leve do que o conjunto hidráulico do GT3 997.

Assim que começo a trafegar com o GT3, todas as semelhanças com um Carrera morrem de vez. Trafegando no modo com normal, sem acionar o Sport ou o Sport Plus, o GT3 é suave, mas nem de perto lembra o 911 mais ordinário. Ok, acelerador fica mais anestesiado e a direção fica um pouco mais “elétrica”, mas ainda sensível. Porém, assim que você opta pelo modos mais agressivos de tocada, a magia começa a acontecer.

O pedal do acelerador é ligeiramente mais pesado do que o de um 911 comum, mas assim que você o pressiona com mais violência, SANTO DEUS! O carro dispara com uma explosividade absurda. Até 4 mil rpms, parece um Carrera S um pouco mais forte, acima disso, o que acontece é o suficiente para eu dizer para vocês que é algo que nunca senti em um Porsche na minha vida.

Entre 4500 e 7000 rpms, é um orgasmo sonoro, mas entre 7000 rpms e 9000 rpms… sim… 9000… é algo que beira o inexplicável e que quase faz você lacrimejar de tão espetacular. Obviamente, o fato do carro testado estar equipado com um escape Innotech (IPE) traz um fator PUTA QUE ME PARIU completamente fora de série.

Se minhas palavras a respeito do ronco não lhe convenceram, é porque ainda não falei a respeito do chão do carro. O único carro que andei na minha vida que parece ter um “efeito solo” parecido com o que senti a bordo do GT3 991, foi o Pagani Zonda. Há uma sensação racing incrível. Em asfalto perfeito, você se sente pregado ao chão de uma maneira, que faz os antigos GT3 997 parecerem carros de passeio comuns.

Como estava me acostumando ao carro, jamais colocaria a prova o limite de tração do GT3 991, mas o pouco que pude perceber, é que o carro muda de direção como uma navalha afiada. Se os antigos GT3 com a direção hidráulica eram excepcionais em ler o asfalto por onde o carro trafegavam, não chego a dizer que o 991 transmite esse mesmo feeling, mas a forma como o carro reage como um todo ao menor toque de volante é algo que jamais senti a bordo de qualquer outro Porsche. É extremamente rápido e direto.

3 KORNCARS PORSCHE 911 GT3 991

Muito se falou que a direção elétrica do GT3 991 era algo completamente novo e distinto dos demais modelos 911 e eu estava curioso para sentir isso na prática. Colocando em poucas palavras – você consegue sentir muito bem a rolagem das rodas e o grip mecânico vindo dos quatro cantos do carro, mas, ao mesmo tempo, o peso é mais leve do que você veria em um conjunto hidráulico puro. Há sensação em um nível menor do que antigamente, mas mais do que suficiente para você colocar o GT3 aonde você quiser na via.

Quanto ao PDK do GT3, bem, eu já tive a chance de experimentar muitos carros com caixas de dupla embreagem e afirmo isso categoricamente: eu nunca testei câmbio mais rápido hoje do que o do GT3. É uma caixa que, segundo a Porsche, foi desenvolvida unicamente para o modelo. As trocas têm violência e velocidade estúpidas. Não é de se surpreender que o GT3 991 tem feito bonito contra carros sobrealimentados e com muito mais torque. Chame do que você quiser, macumba, magia negra… mas é simplesmente excepcional saber que você tem um carro de rua com um câmbio tão rápido.

Outro ponto interessante sobre o câmbio é a troca de marcha por meio dos comandos manuais nas borboletas. Elas são muito mais rígidas no acionamento do que em qualquer outro PDK. É uma experiência muito mais truculenta cambiar as marchas de forma manual nesse carro. É uma delícia, mas não há como negar que é como se o sistema lhe chamasse de lerdo e antiquado tamanha a diferença da velocidade de trocas comparativamente ao modo automático.

Outra coisa bacana é, agora, ao puxar as duas borboletas o carro entra em neutro e permite que você acelere o carro em ponto morto. Se você soltar o lado esquerdo, seria como se você tivesse soltado embreagem em um carro manual (também conhecido como o modo “burn out“). Não há também o kick down, ou seja, a experiência no modo manual é completamente dependente do motorista.

O escalonamento de marchas do GT3 também é algo muito diferente daquilo que vimos nos modelos 997. Se nos antigos GT3 manuais, as marchas eram longas, fazendo uso de toda a elasticidade inerente aos Mezger, dessa vez, elas são muito mais curtas. E aqui, talvez, seja o contexto no qual o câmbio PDK comece a fazer muito sentido.

Você poderia me perguntar como o que eu acho que seria o GT3 991 com o câmbio manual e minha opinião, por mais amante do pedal da extreama esquerda que eu seja, é que talvez fosse simplesmente muita coisa para o motorista normal absorver. Eu acho, sinceramente, que o GT3 991 seria um animal muito diferente do quão genial ele é hoje se ele fosse manual.

O ponto é que a Porsche mudou muito a personalidade do GT3 na geração 991. O carro é completamente mais ágil e explosivo em comportamento do que o antigo 997 GT3 (seja 997.1 ou 2). Se a palavra de ordem no modelo anterior era linearidade, com aquele trabalho extenso de aceleração sem fim até os 8500 rpms, no atual GT3 991, os 9000 mil rpms parecem muito mais próximos.

4 KORNCARS PORSCHE 911 GT3 991

Havia trechos em que você simplesmente jamais conseguiria chegar no limite de giros do GT3 997 e nesse mesmo local o GT3 991 chegou lá com uma facilidade monstruosa. O antigo Gt3 997 fazia você trabalhar para extrair aquela força do Mezger, enquanto que o 991 tem uma performance muito mais acessível.

De maneira geral, o que posso dizer para vocês em termos de sensações é que os antigos GT3 tinham uma relação ainda muito íntima com o 911 ordinário, mas com o 991 existe um abismo entre o GT3 e qualquer outro 911 aspirado. Pela primeira vez a bordo de um GT3 você tem a clara sensação de que ele é animal diferente. Se você botar na equação a pegada dos freios de carbo-cerâmica (PCCB), junto com a precisão e resposta da direção, com a velocidade do PDK e relação de marchas, em cima de um chassi completamente focado e com rodas traseiras esterçantes, é realmente perturbador tentar pensar qual é o limite de tocada do carro.

Em vias públicas, é simplesmente impossível extrair tudo que esse carro é capaz. Dirigindo muitos carros ao longo dos anos, depois de um tempo, você começa a entender mais ou menos aonde é o limite e, obviamente, tenta ficar longe dele nos testes, mas, a bordo do GT3, eu juro para você que só me restou confabular a respeito de até onde seria possível levar o carro. É muito conjunto e tudo conversa em perfeita simbiose.

CONCLUSÃO

Como bom entusiasta dos carros esportivos dos anos 90 e começo dos anos 2000, houve um momento em que temi pelo futuro desse tipo de automóvel.

Os carros tornam-se cada vez mais pesados, mais eletrônicos e seguros. O resultado é que os motoristas deixam de ser cada vez mais parte da equação de pilotagem. O que deveria ser recompensador e demandar habilidades ao volante, acaba tornando-se um “Playstation”. Junte na equação que as legislações mundiais estão cada vez mais restritivas quanto ao consumo de combustível e emissão de poluentes.

Agora, nos últimos dois ou três anos eu começo a perceber que algo mudou e, mesmo embarcados com toda a tecnologia de segurança possível, estamos vendo surgir carros brilhantes. Eu jamais imaginei que poderia colocar um carro moderno como o GT3 991 tão alto na minha escala de apreciação.

Não é segredo para ninguém que me conhece pessoalmente que eu sempre gostei de Porsches e que o GT3 sempre foi o meu favorito dentro marca. Se há algo que deve simbolizar em tempos modernos tudo aquilo que um 911 significa há mais de 5 década em termos de dirigibilidade, é o GT3.

Na minha cabeça, o GT3 na geração 997 tinha todos os predicados que o faziam ser um dos meus carros favoritos – câmbio manual, motor girador, torque e potência na medida certa, um chassi afiado e uma suspensão maravilhosa. Eu queria MUITO um GT3 997.

Naturalmente, ao democratizarem o GT3 991 com o PDK e abandonarem o mítico Mezger em prol do motor de injeção de direta de combustível completamente novo, eu sabia que o novo carro seria algo muito bom, mas talvez não tão especial e muito menos melhor que o meu queridinho GT3 997. Pois é…

A questão é que o GT3 991 é muito mais do que bom. É brilhante e espetacular em todos os sentidos imagináveis da palavra. Ele muda completamente a personalidade do GT3 que até então conhecemos. Dessa vez, o GT3 é um track weapon puro. O vínculo familiar com os demais 911 aspirados é muito mais distante do que nas gerações anteriores.

O novo motor consegue ser algo ainda mais incrível do que os antigos Mezger em termos “sensoriais”. Arrisco dizer que é o motor mais espetacular que já experimentei em um Porsche. O ronco a 9000 mil rpms é algo simplesmente difícil de explicar. Apesar de ser completamente novo, ainda há uma semelhança na entrega de força – o carro notoriamente muda de comportamento duas vezes: a partir dos 4000 mil rpms e depois dos 6000 mil rpms.

Se todo PDK fosse como o do GT3, garanto que muitos fãs de manuais esqueceriam o amor pelo pedal da extrema esquerda. Sentir as engranagens funcionando, bem como a velocidade das trocas é algo incrível. Sem sombra de dúvidas, o melhor câmbio de dupla embreagem que já experimentei.

Dizem que sempre que você encontra seus super heróis, há um risco de se desapontar, mas o GT3 991 é tão genial que tenho certeza cativará o imaginário de todo entusiasta automotivo, mesmo que ele seja um tremendo “velha guarda”.

5 KORNCARS PORSCHE 911 GT3 991

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