AUDI RS6 – A PROPOSTA FAMILIAR PARA O ESPORTIVO “COMPLETO”

Em um mundo ideal, o entusiasta automotivo com dinheiro deveria simplesmente poder comprar o carro esportivo que mais quisesse. A realidade, no entanto, não é bem assim.

Muitas vezes, dinheiro é apenas o primeiro dos problemas.

Tente vender a ideia de comprar um Porsche 911 ou uma Ferrari para algumas esposas e a mera menção desses nomes pode soar pior do que uma traição, afinal, como pode um pai de família, com filhos para criar e uma esposa para cuidar ter um pensamento tão egoísta ao cogitar comprar uma máquina que ultrapassa os 300 km/h, mal carrega bagagem e só leva um acompanhante?

É pensando nisso que as montadoras foram sensíveis aos anseios daqueles que querem muito um carro de desempenho esportivo, sem abrir mão de certa praticidade ou chamar tanta atenção.

Nesse nicho encontramos BMW ///M, Mercedes AMG, Jaguar R Line e Audi RS.

A tecnologia tem sido um pivô fundamental em conferir a esses carros uma versatilidade excepcional, ainda que a experiência seja um pouco mais simulada no aspecto esportivo.

E isso me traz ao atual Audi RS6, carro que tive a oportunidade de avaliar na versão preparada pela Pitstopshop e sobre o qual vocês viram o episódio do Amigos por Carros a respeito.

AUDI RS6 Korncars I

O AUDI RS6

A história do RS6 começa na geração C5, em meados de 2002. Montado na base do Audi A6 sedã e perua, à época a Audi montou um motor 4.2 V8 bi-turbo, com cerca de 450 Hp e 59 Kgfm. Tração Quattro (integral) e equipado com o não tão bom câmbio tiptronic de 6 marchas. Era uma proposta híbrida entre a esportividade do então BMW M5 e39 e o luxo do Mercedes Benz E55 AMG kompressor. O peso era de 1840 kgs (sedã) e 1865 (perua) com fluídos. 0 a 100 km/h vinha na casa dos 4,5 segundos.

AUDI RS6 2002 Korncars

Em 2008, já em uma nova geração do RS6, a C6, a Audi resolveu equipar o modelo com um 5.0 V10 derivado da Lamborghini, só que equipado com um par de turbinas. O resultado: 570 Hps e 66 Kgfm. Novamente tração Quattro e equipado com o câmbio automático da ZF com 6 marchas. O grande problema com essa geração era o peso – com fluídos, 2025 kgs, tornando-o demasiadamente mais pesado do que a BMW M5 E60 e Mercedes Benz E63 AMG. O potencial de modificações era imenso, mas não o modelo não teve o sucesso do primeiro carro. O 0 a 100 km/h era basicamente o mesmo da primeira geração, sendo a principal diferença o tempo de 0 a 200 km/h, onde a geração C6 é quase 10 segundos mais rápida que a C6, com 12,7 segundos.

AUDI RS6 2010 Korncars

Em 2012, a Audi introduziu a geração C7 do RS6. Vítima do downsizing? Talvez.

A marca abandonou a ideia do V10 biturbo em favor de um V8 4.0 também com dois caracóis. A potência caiu para 560 Hps, mas o torque subiu saudáveis 5kgfm, para 71 Kgfm. Um poderia pensar que o carro ficou “manco”. Pois é, não é bem assim.

Primeiro, o carro fez uma bela dieta e seu peso caiu 115 kgs, para 1910 Kgs com fluídos. O modelo também adotou uma brilhante caixa automática da ZF com 8 marchas, muito mais rápida e “viva” do que das gerações anteriores.

Dessa vez, não há mais versão sedã para o modelo. 0 a 100 km/h é feito em 3,7 segundos e o 0 a 200 km/h é meio segundo mais rápido que o antigo C6.

Lembrando que até aqui estamos falando do carro em sua configuração completamente original. Leve em conta que você terá uma perua, capaz de carregar 5 passageiros e com um porta-malas excepcional. O acabamento é o padrão premium que temos visto na Audi nos últimos 6 anos, na minha opinião o melhor entre a tríplice alemã (Audi, BMW e Mercedes) e recheado de aplicações de alcântara (exceção feita ao teto da cabine).

A ergonomia interna é interessante. De fato, houve um esforço da marca em reduzir a quantidade de botões no painel e centralizar tudo na telinha central.

Há milhares de ajustes de direção e banco (todos automáticos) e os bancos são muito bons, estando em um nível intermediário entre conforto e esportividade. Curiosamente, sentado a bordo do RS6 C7, você não tem impressão de estar sentado em uma “banheira”, diferentemente da sensação a bordo do E63 AMG e do M5 F10.

Os modos de condução são os típicos já vistos em outros modelos recentes da marca – Eco, Comfort, Dynamic e Individual (este último  permite configurar os parâmetros ao gosto do motorista).

O carro que testamos estava com o famoso kit padaria, feito na PitStopShop: filtro, escape (downpipe Supersprint e midpipe sem catalisadores) e remap APR stage 2. O resultado da preparação é um RS6 com 630 Hps e 95 Kgfm na roda! O medidor racelogic indicou com precisão diversas puxadas de 0 a 100 km/h em assustadores 3,3 segundos. Nada mal para um carro que o ajudará a não passar a impressão de crise de meia idade.

Agora, como é que dirigir um carro com uma pegada esportiva-familiar com toda essa força?

A TOCADA DA RS6

AUDI RS6 Korncars IV

Não me importa que no papel a RS6 pese quase 2 toneladas, muito menos o modo de condução que você esteja, a hora que o pedal do acelerador vai até o chão, a sensação de “porrada” contra o banco é estúpida. O torque em especial dá uma sensação de leveza para o RS6 que você duvida estar a bordo de um carro tão familiar e pesado.

Ok… tenho que dar mérito para a tração integral do carro. Se houvesse aquela fritada de pneu a cada saída, talvez, as dimensões titânicas do RS6 ficassem mais evidentes. O ponto é que a qualquer cutucada mais agressiva no acelerador, o RS6 desponta ferozmente, sem titubear. É uma puxada precisa e muito forte.

Em linha reta, tirando carros esportivos puros bem fuçados, o RS6 não deixa nada a desejar. A sensação de força é muito parecedida com a de 911 Turbo ou  Nissan GTR. Pode-se dizer com contundência que ele não faz feio frente a esses esportivos. Aliás, arrisco dizer que contra alguns carros tração traseira, em determinadas circunstâncias, como saindo da imobilidade, é praticamente impossível o RS6 tomar.

A resposta do acelerador é aprimorada também em relação ao modelo original. É impressionante você ter toda aquela força ao menor toque do pedal. O delay do acelerador existe, mas não chega a incomodar como em outros modelos da marca.

Como todo carro sobrealimentado por turbinas, há um certo turbo lag. Nesse RS6 preparado, ele acaba por volta dos 3800 rpms, quando você é então arremeçado com um senhora violência contra o banco. A força abrupta se mantém constante até o quase o corte de giros, por volta dos 6500 rpms.

As dimensões do RS6 começam a aparecer na hora que você começa a provocá-los em algumas curvas. Não há rolagem de carroceria em excesso, muito pelo contrário, mas você sente a força G do carro empurrando ele para fora do traçado é evidente. Seria até injusto com os esportivos puros se fosse de outra forma. O carro muda de direção com a precisão de um carro que teria uns 400 kgs a menos.

Outro sinal do peso do carro se faz evidente também nos freios. Em nenhum momento durante o teste o RS6 deu sinais de brake fade, mas após uma volta em um trecho bem sinuoso, encostei o carro e saía fumaça em uma quantidade notável dos freios. O curioso, no entanto, é que não houve perda de eficiência em momento algum, exceto pelo pedal que ficou um pouquinho mais macio.

AUDI RS6 Korncars II

Tenho que dar um desconto, no entanto. Ali, onde conduzi o RS6, é um local onde carros com menos potência e peso brilham, onde eu jamais esperaria que o RS6 seria capaz de imprimir o ritmo de condução que eu experimentei. Grata surpresa. O carro entretem como o melhor dos esportivos puros.

A direção do carro é excepcional no modo Dynamic. Ela enrijece de uma forma excelente e completamente proporcional ao desempenho do carro. Acho que nunca experimentei uma direção elétrica que se tornasse tão pesada sob tocada agressiva. É o certo. Direção leve nessas condições é uma receita para uma experiência pobre e, até mesmo, perigosa.

Em termos de câmbio, novamente, a tecnologia fazendo maravilhas. O câmbio ZF de 8 marchas em sua calibragem mais esportiva, como a que vimos no RS6, é tão rápido e afiado que você se nega a acreditar que há um conversor de torque ali. Dessa vez, não há dúvida quanto à eficiência do sistema. Bate de frente com as melhores caixas de dupla embreagem por aí.

AUDI RS6 Korncars III

CONCLUSÃO

Em suma, para concluir minha opinião sobre o Audi RS6 preparado na PitStopShop: a tecnologia é um fator fundamental para embaralhar o mercado de carros esportivos. Eu realmente jamais imaginei que a indústria automotiva nesse segmento chegaria ao ponto de fazer uma State performar no nível de um carro esportivo de verdade.

É um pacote muito interessante: em termos de força e sensação de puxada, a preparação deixa o RS6 com uma ferocidade absurda nas acelerações. Em nosso teste, o racelogic cronometrou 0 a 100 km/h em 3,2 segundos. Não estamos falando de um número declarado pela montadora ou impresso em revistas, mas sim de algo que nós testamos e testemunhamos in loco.

Se você está aí sentado, sonhando com ter um carro esportivo, mas, infelizmente, não pode comprar seu Porsche, Ferrari ou Lamborghini, o Audi RS6 preparado pela PitStopShop é sem sombra de dúvidas a proposta adequada e sensível aos anseios dos pais de família em busca de emoção atrás do volante. Seria honesto dizer que esse RS6 talvez tenha sido o carro esportivo mais rápido, versátil e utilizável que eu tive a oportunidade de testar em minha vida.

Ficou curioso para saber mais!? Entre em contato com a PitStopShop. Eles ficam na Rua Fábia, 383, na Vila Romana, aqui em São Paulo. O telefone deles é o (11) 3871-0562.

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