Porsche 911 Turbo (993) – É disso que é feito uma lenda

Se você tem lido meu blog com certa frequência, já deve ter percebido minha preferência por carros esportivos da década de 90. Naturalmente, se você também é fã dessa “era”,  você deve gostar de carros como o Audi RS2, BMW M3 E36, Ferrari 355, Porsche 911 (993), Honda NSX, Toyota Supra, entre outros.

Na minha opinião, a década de 90 é a última parada para quem gosta de carro esportivos que requerem tocada e competência dos motoristas. As poucas e escassas ajudas eletrônicas existentes nos esportivos dessa época são, muitas vezes, inúteis ou desnecessárias, rs. Por outro lado, a sensação ao volante é completamente recompensadora!

Recentemente, um grande amigo me concedeu as chaves do que eu considero um dos carros mais míticos dessa era  – o Porsche 911 Turbo 993. Se você olhar hoje para o mercado dos Porsches 911, você descobrirá que a geração 993, fabricada entre 1993 e 1998, valoriza a cada ano. Eu sempre questionei muito a razão disso, mas, após ter dirigido um turbo dessa geração, eu consigo entender!

A geração 993 é, para muitos, o último de uma espécie muito clássica de Porsche 911 – de veículos refrigerados a ar! Pode parecer um detalhe ínfimo se você não é muito chegado a aspectos técnicos, mas, quando a geração 996 foi introduzida com sistema de refrigeração a água, muitos torceram o nariz e aclamaram como a morte de um clássico. Graças a deus não foi isso que aconteceu e, apesar da falta de popularidade dos 996, tivemos a brilhante geração 997 e, agora, a incrível 991.

Porém, eu acho que a constante valorização do 993 se deve muito mais à tocada do carro do que o sistema de refrigeração a ar.

O PORSCHE 911 TURBO (993)

993 Turbo Standard

Tem-se notícia que os Porsches 911 Turbo 993 são raríssimos no Brasil – são aproximadamente 15 unidades do modelo em solo nacional. Em virtude disso, é um modelo muito cobiçado entre os mais fanáticos pela marca. Comprar um brinquedo desses requer uma forte dose de perseverança e bolsos muito profundos, afinal, donos de 993 Turbo dificilmente estão dispostos a abrir mão dessa jóia rara.

O 993 Turbo foi lançado em 1995 e foi produzido até 1998. O carro é equipado com um motor 6 cilindros boxer, 3.6, sobrealimentado, que produz 402 Hp a 5750 rpms e 55,1 Kgfm de torque a 4500 Rpms. O 993 Turbo foi o primeiro 911 sobrealimentado a ser equipado com sistema de tração integral.

Curiosamente, dentro da linha de produção, durante os anos em que foi fabricado, temos duas versões do carro: os primeiros modelos, do começo de 1996 até próximo do final deste ano, tinham transmissões mais frágeis e a central eletrônica era praticamente “imapeável”, ou seja, a famosa “chipada” não era possível. Os modelos do final de 1996 e dos anos seguintes resolveram esse pequeno inconveniente. Quer saber diferenciar os modelos sem perguntar o ano? Olhe para as “calotinhas” na roda – se tiver um símbolo do escudo Porsche, é dos mais antigos, por outro lado, se estiver escrito a palavra “turbo”, se trata de um modelo mais recente!

993 Turbo dos mais recentes – notem o “turbo” na roda.

Além dessa diferença interna, a Porsche também fabricou uma versão Turbo S a partir de 1997. As principais diferenças para o Turbo tradicional são as seguintes: (i) Potência – nos veículo para o mercado norte-americano, a potência foi aumentada para 424 Hp, enquanto que para os europeus o salto foi para 450 Hp; (ii) Freios – as prinças do Turbo S são amarelas, de composto um pouco superior ao da turbo tradicional; e (iii) Visual – o aerofólio traseiro é um pouco maior, as saídas de escape são duplas de cada lado e há entradas de ar atrás da porta. No Brasil, se não me engano, há 5 ou 6 unidades do Turbo S 993!

Aerofólio e saídas de escapamento duplas do Turbo S.
Essa 993 Turbo S pertenceu ao famoso comediante americano – Jerry Seinfeld. Notem as pinças amarelas.

Em termos de performance, a Porsche declara que o 993 Turbo tradicional faz de 0-100 Km/h em cerca de 4,5 segundos (carro de produção em série mais rápido do mundo em 1995 nessa marca), de 0-160 Km/h em cerca de 10 segundos e tem uma velocidade final de 290 Km/h. O carro pesa exatos 1500 Kgs.

ENTRANDO NO 993 TURBO

Entro no carro e inicialmente me acomodo no banco do passageiro. Embora o 993 pareça um carro muito menor que seus irmão mais novos, é razoavelmente confortável e espaçoso. Saímos vagarosamente, com o proprietário ao volante. Sempre prefiro dessa forma, afinal, se tem alguém que vai me mostrar a força do carro em sua plenitude, será o proprietário.

Assim que abre uma reta razoável, de repente, os giros sobem e sou jogado contra o banco! “P*** que o pa***”, digo em espanto! Fazia tempo que não sentia essa patada de um carro turbo (a última vez foi a bordo do Audi RS2), aquela sensação deliciosa chamada TURBO LAG.

É mais ou menos assim: o carro sai da imobilidade, os giros sobem… nada acontece por alguns segundos… quando… subitamente vem um assopro agudo e o 993 turbo se joga para frente com um força descomunal, arremessando os mais distraídos contra os bancos. O carro devora asfalto graças à tração integral.

É uma máquina de adrenalina! Eu sou um daqueles que sempre gostou muito do turbo lag. Dá aquela falsa impressão que o carro não tem a força que se espera por alguns instantes, quando, no melhor estilo possível de bullying automotivo o carro lhe dá um soco absurdo no peito. Quando a turbina enche, o 993 turbo é um PETARDO!

Agora, engana-se você de achar que por ser um carro da década de 90 toda a experiência é meio descontrolada. Eu mesmo achava isso até sentir ao vivo a compostura do 993 Turbo. O carro tem um chão fenomenal para despejar toda a sua força.

Primeira, segunda e terceira marcha percorridas, alguns metros de asfalto deixados para trás, e estou impressionado. Mais algumas puxadas da mesma forma e minha impressão sobre o carro só é de quanto o carro é extremamente emocional! Muitos que me conhecem pessoalmente sabem que eu sou grande fã da Porsche, mas, sinceramente, eu acho que os engenheiros da marca deveriam olhar um pouco para trás e tentar resgatar um pouco desse aspecto “emocional” ao volante.

DIRIGINDO O 993 TURBO


Visibilidade de cabine e posição de dirigir. É chegada a hora de eu assumir o volante! Estou razoavelmente nervoso, afinal, o carro é um dos meus sonhos de infância, assim como a Ferrari 355. Assim que entro no carro, minha primeira impressão é de como o carro tem uma visibilidade ótima, você enxerga exatamente o espaço que o carro ocupa. A posição de dirigir é um pouco mais elevada que nos 911 modernos, o que embora prejudique o centro de gravidade, é ótimo para enxergar a frente do carro, algo excelente na hora de conduzir em autódromos.


Resposta dos pedais. Ignição dada, sinto os pedais – altamente comunicativos. Surpreendentemente, a embreagem é uma das mais macias que eu já vi em um carro esporte – já dirigi carros de passeio com embreagens mais duras. Porém, o curso da embreagem é muito longo e o ponto de tirar o carro da imobilidade é muito sensível! Tomei um baile daquela embreagem, rs! Agora, de uma coisa eu tenho certeza, uma vez que você se acostuma com tamanha sensibilidade, a embreagem é muito tranquila de ser utilizada. Comparativamente, a embreagem da Ferrari 355, por exemplo, parece um equipamento de musculação.

Engates do câmbio e peso da direção. Os engates de câmbio são razoavelmente longos, mas, por outro lado, são muito fáceis e as marchas entram com muita suavidade. A direção é razoavelmente leve também para toda força que o carro tem – CARAMBA, até agora, não parece nem um pouco o monstro de alguns minutos atrás, engolindo asfalto marcha atrás de marcha!

A “TOCADA”. Carro em movimento, está na hora de sentir a pegada do 993 Turbo. Acelerador lá embaixo… o carro ganha velocidade… chegam os 3500… 3700 rpm e começa a montanha russa… as turbinas enchem de maneira estúpida, bruta e lá vamos nós, jogados com força contra o banco! Dou uma reduzida e dando giro no motor, e a segunda marcha entra cheia, com a turbina em pico… É uma sensação deliciosa ter toda aquela força ao menor toque de pedal!

Subo no freio e, novamente, o carro transmite tremenda segurança, altamente comunicativo. Simulo algumas mudanças de direção com o carro e o carro responde exatamente aos comandos no volante, de maneira bem afiada e direta, apesar do peso razoavelmente leve.

Honestamente, é um carro com uma tremenda sensação de velha guarda, de década de 90, mas, ao mesmo tempo, com desempenho de um carro moderno, que acabou de sair do forno! Imagino o que não deve ter sido esse carro na época de lançamento. Começo a entender porque um brinquedo desses, mesmo hoje, custa tanto!

Passado os momentos mais insanos deste review, eu comecei a reparar em outras características do modelo que me agradaram muito!

Sensação ao volante. Quando entro em um esportivo da “velha guarda” tenho a sensação de que não é possível que o carro desempenhe tão agressivamente. A primeira impressão sobre a posição de dirigir, especialmente levando em conta o Audi RS2 e a Ferrari 355, que também são dessa época, é que ela é antiquada.

No caso da RS2, os bancos pareciam de carros de passeio comum com mais apoio lateral. Na Ferrari 355, você senta com as pernas bem esticadas e quase no chão. No 993 Turbo? Você parece se acomodar em um carro de luxo da época devido à maciez do banco. Você começa a se ajustar, se sente um pouco alto no carro… Sente os pedais, os engates do câmbio e o peso da direção… A única conclusão, antes de dirigir, é que não é possível que seja um CARRO ESPORTIVO!

Hoje em dia, quando você entra em um carro esportivo moderno, você sabe a que veio e não resta dúvida quanto ao caráter do carro! Os bancos são mais rígidos. Você sempre sente que a cabine, como um todo, quer lhe “segurar” de tudo quanto é jeito. Realmente, é o sinal dos tempos modernos. Em termos de ergonomia na tocada, os carros modernos, realmente, dão um banho em deixar o motorista no lugar certo na hora de afundar o pedal da direita ou sentir a força G na curva. Por outro lado, você sente muito menos o que está se passando!

A grande vantagem dos carros mais antigos é justamente aquela sensação depois das primeiras puxadas de que “talvez” estar mais “amarrado” ao banco faria bem… rs. Mas, por outro lado, é isso que faz esses clássicos tão legais. O fato de você não estar abarrotado dentro do carro, com a bunda no assoalho e olhando para cima para enxergar a maçaneta da porta realmente, é um “plus” na hora de andar. Tem gente que vai achar uma coisa desatualizada. Eu, particularmente, gosto bastante!

Curiosamente, com o avanço da modernidade e a necessidade carros cada vez mais rígidos e plantados, hoje em dia, dificilmente, você tem um carro esportivo que não lhe dê “chacoalhadas” da pior categoria quando trafegando sob asfalto irregular. Por mais confortáveis que os sistemas eletrônicos modernos tornem os carros, há sempre aquele senso de que se está “pulando”.

Grande parte dessas pancadas secas eu coloco na conta de suspensões com o curso cada vez mais curto, molas muito rígidas e rodas com perfil muito grande. Surpreendentemente, trafegando com o 993 turbo, pude perceber como o curso da suspensão é mais agradável, sem grandes pancadas secas ou chacoalhadas desagradáveis, comparado, por exemplo, a um 911 da geração 997. Além disso, as rodas aro 18 ajudam muito o 993 turbo a conviver com o asfalto irregular.

Por último, outro aspecto muito bacana do 993 Turbo é como o carro parece sempre leve e ágil na mão!  Tudo requer muito pouco esforço.  Em curtas palavras, o 993 Turbo parece incrivelmente mais leve e solto do que um 911 Turbo moderno.

CONCLUSÃO

Para resumir o que é o 993 Turbo, eu diria que é o tipo de carro que tem todos os ingredientes de um dos melhores esportivos que eu já conheci!

Visualmente, é notadamente um 911 e, notem, em termos de design, estou para conhecer um Porsche 911 moderno que tenha tido uma aceitação tão boa quanto à geração 993. Por dentro, a geração 993 tem muitos detalhes que remetem aos 911 que a antecederam. Painel reto, com mostradores na posição vertical, um ao lado do outro – bem vintage!

Na condução, o carro é inteiramente mecânico e orgânico. A tocada depende essencialmente da peça entre o banco e a direção. O carro parece leve e ágil, requerendo pouquíssimo esforço do condutor. A direção, mesmo sendo leve, é direta e precisa.

O chassi do carro juntamente com a tração integral são mais do que eficientes para colocar a força do 993 Turbo no aslfato. A posição de dirigir mais old school pode não ser a mais eficiente na hora de andar forte, mas, por outro lado, é sensacional no quesito de transmitir o que está acontecendo com o carro durante a tocada.

Obviamente, qualquer 911 Turbo moderno (geração 997 para frente) será mais rápido e, até mesmo, mais barato na hora de comprar dependendo do ano. Entretanto, eu duvido muito que qualquer 911 Turbo moderno seja tão emocional ao volante quanto o “vovô” 993.

Simplesmente lendário!

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