Mini Cooper John Cooper Works

Existem determinados carros que mesmo sem dirigir você já suspeita que devem ser muito bons. Confesso que minha experiência no volante dos Minis é pequena, mas sempre suspeitei que eram ótimos em termos de dirigibilidade. Precisava de um teste de verdade para confirmar!

Finalmente tive a chance de conduzir o Mini mais visceral: o John Cooper Works ou, simplesmente, o JCW, que é uma versão mais apimentada do Mini Cooper S.

O JCW é tão bom que chega a ser difícil de acreditar! É carro com tantos atrativos que nem sei por onde começar. É divertido, comunicativo, razoavelmente forte, totalmente direto e sublime em termos de dirigibilidade.

Faz anos que não me sinto tão adrenado depois de dirigir um hot hatch! Eu sempre digo, um bom carro esporte não se mensura com preço. Muitas vezes há carros caríssimos, que se intitulam esportivos, mas, simplesmente, falham miseravelmente em botar um sorriso no rosto dos proprietários.

Acreditem em mim quando eu digo: O JCW é um carro que nasceu para fazer quem dirige dar risada! É tremendamente bom e divertido.

HISTÓRIA

Antes de entrarmos no mérito do carro, cabem pequenas notas a respeito de um senhor chamado John Cooper, fundador da empresa John Cooper Works, no ano de 2000. Basicamente, a empresa começou suas atividades produzindo kits de performance para os Minis feitos sob a gestão BMW.

John Cooper faleceu pouco depois da empresa ter sido propriamente fundada e essa ficou nas mãos do seu filho, Michael Cooper. Em 2007, a BMW, dona da marca Mini, começou a acreditar que o nome “JCW” poderia ser muito forte como uma sub-marca (na linha do que a série ///M é para BMW) e adquiriu a licença para utilizá-lo diretamente nos Minis, vindo, posteriormente, em 2008, a adquirir por completo a empresa. Michael Cooper ainda é consultor da BMW para assuntos relacionados aos veículos Mini JCW.

ASPECTOS TÉCNICOS

O modelo de série mais agressivo do Mini são as variantes John Cooper Works, que são disponíveis nas versões tradicional, clubman e coupé, assim com nas variantes conversíveis do modelo. A versão Countryman do JCW já está a venda em solo europeu e deve ser mostrada no salão do automóvel brasileiro de 2012.

Novo membro da famíia JCW – O Countryman, que deve chegar até o final do ano.

O JCW é tem motor 1.6, sobrealimentado por turbo, 4 cilindros, desenvolvido em parceria pela BMW e PSA (Peugeot-Citröen). A única coisa “tímida” sobre esse motor é a cilindrada, porque, de resto, mostra bem o timbre esportivo dos Minis JCW.

O conjunto produz cerca de 212 cvs de potência com torque de 26,5 Kgfm, que pode pular para 28,5 Kgfm com a função overboost  acionada. Não parece muito para os padrões de carros esportivos modernos, mas… lembrem-se, não estamos falando de um carro enorme, mas sim de um MINI COOPER, que tem cerca de 1130 Kgs!

O JCW original é equipado somente com um câmbio manual de 6 marchas. Se você ver algum pseudo-JCW por aí com câmbio automático, provavelmente se trata de um Mini Cooper S com apenas um kit de performance do JCW (chip + filtro + escape do JCW).

Além disso, o JCW vem equipado ainda com uma série de sistemas de segurança advindos da BMW, tais como: (i) Electronic Limited Slip Differential (EDLC) mais avançado do que o disponível na versão S do Mini Cooper, para ajudar as rodas motrizes do eixo dianteiro a girarem juntas; e (ii) Dynamic Traction Control (DTC), o controle de tração que equipa as BMW modernas. Em termos de freios, o JCW conta com freios da marca Brembo.

Quanto ao desempenho, o JCW na carroceria tradicional é capaz de fazer de 0 a 100 Km/h em 6,5 segundos e atingir a velocidade máxima de 237 Km/h. Juro que estes números parecem pessimistas, pois o JCW parece ser mais rápido que isso!

A Mini já tem no forno também uma versão ainda mais apimentada do JCW – a “GP”! Essa variante contará com o mesmo conjunto motriz do JCW, mas, agora, produzindo 220 cvs e torque de 27 Kgfm / 28,7 Kgfm (com overboost). Os números de desempenho do GP são ainda melhores que os do JCW tradicional, indo de 0 a 100 Km/h em 6,3 segundos e atingindo a máxima de 242 Km/h. No pacote estão inclusos também freios maiores e mais eficientes. O carro é apenas 30 Kgs mais pesado que o JCW tradicional.

Visualmente falando, o GP conta com um body kit muito semelhante ao dos veículos de competição da série de corridas Mini GP. Por dentro, não há mais bancos traseiros e a cabine é inundada por detalhes de acabamento mais agressivos, assim como alcântara.

O GP deverá começar a ser vendido no início de 2013.

Mas, afinal, como é que é dirigir o JCW? Falar sobre um JCW não é algo mensurável com números de performance, cavalaria, torque ou peso/potência, muito embora esses dados sejam muito importantes.

DIRIGIBILIDADE

Se você procurasse no dicionário o significado do termo “dirigibilidade” não tenho dúvidas que seria possível defini-lo com uma foto do JCW.

O JCW é um daqueles carros que nasceu para ser usado e abusado pelos seus motoristas. Aperte a tecla “Sport” e o acelerador responderá mais rápido, assim como a direção ficará mais pesada e direta – neste momento você estará pronto para absorver a experiência Mini em sua excelência.

Muita gente gosta de torcer o nariz pelo fato dos Mini Coopers serem carros de tração dianteira, exceto por algumas versões do Countryman (que são integrais). Com o JCW a receita não é diferente. Porém, eu acho uma tremenda sacanagem partir do pressuposto de que o carro é bom “para um tração dianteira”. O JCW é muito mais do que isso.

Sinceramente, eu não sei quem são os engenheiros por trás do projeto do JCW, mas a BMW deveria começar deixar esses caras assumirem mais projetos dentro do grupo. Antes de dirigir o carro, eu esperava um carro com excesso de força para o conjunto e, por isso, temia que fosse um “cabritinho descontrolado”, ainda mais colocando na equação a suspensão rígida e os pneus run-flat.

Muito pelo contrário, apesar do carro ser, em geral, “duro” para os padrões de nossas ruas, ainda assim acho que o JCW está muito longe de ser desconfortável. Obviamente, os run-flats estragam um pouco da experiência, mas o carro ataca curvas, mesmo de asfalto irregular, com uma compostura de dar medo! É PLANTADO! Parece que o carro lê a mente do condutor e responde instantaneamente aos comandos!

O carro é baixo e os ocupantes sentam bem próximos do assoalho, logo, o centro de gravidade do JCW é onde deve ser – lá embaixo! Mudanças súbitas de direção são a melhor maneira de você compreender o quanto o conjunto do carro é seguro e comunicativo. Quando dizem que o Mini Cooper é um “Kart”, hoje, acredito que há muito pouco de metáfora nessa frase.

O câmbio, como adiantado, é manual de seis marchas, com engates curtos e precisos e com uma embreagem comunicativa com o peso certo. É um carro que facilita demais a vida do motorista na hora de fazer um punta-tacco – a posição dos pedais é simplesmente perfeita. O freio do carro responde ao menor movimento feito com os pés e dão a exata noção de onde o carro vai parar. Sendo tão leve, é incrível como o carro transmite segurança nesse aspecto – em nenhum momento você sente aquele “peso” do conjunto nas frenagens mais fortes.

Todas as reações do JCW em todos os aspectos (pedais, direção, suspensão, chassi e freios) são afiadas, diretas e totalmente comunicativas. Faz muito tempo que não dirigia um carro tão na mão quanto o JCW. A melhor maneira para resumir isso tudo é no sentido de que todos os sistemas do carro parecem funcionar em perfeita simbiose. É um carro que quase não necessitaria de ajudas eletrônicas, muito embora elas estejam lá.

Se já não bastassem tantos elogios ao carro, há um detalhe muito legal – o ronco do escape do JCW, que é grave e encorpado! Você não acredita se tratar de um 4 cilindros, mas, além disso, esse Mini também tem válvula de alívio, ou seja, toda vez que seu pé desencostar do acelerador, você vai ouvir o famoso “TSSSSSssssss”.

Em curvas de alta me vi procurando em alguns momentos o limite de aderência, pelo menos para sentir qual seria a reação do carro. Novamente o JCW me surpreendeu, pois a quantidade grip que o carro oferece é simplesmente fora de série. Eu juro que eu tentei sentir aquela saída de frente tradicional dos carros com tração dianteira, mas não consegui. Isso é resultado de um excelente projeto de engenharia automotiva – o conjunto sobra perto dos números de potência e torque, ou seja, há espaço de sobra para apimentar mais ainda o brinquedo.

Engana-se quem pensa que o JCW é um carro acima da média comparado apenas aos demais hot hatches. O modelo é realmente um carro esportivo sério. Se você topar com um desses por aí em marcha baixa (coisa do tipo segunda ou terceira marcha) e o carro estiver na banda de rpm certa, você vai tomar um susto, pouco me importa se o seu carro tem mais cavalos debaixo do capô. A relação peso-potência é ótima e a turbina do carro enche muito rápido.

A hora que vem o pico de torque, com a turbina soprando a toda força, o JCW tem uma puxada muito forte, que parece sugerir muito mais que os 212 cvs declarados. Como empurra! Tendo dirigido Audi A3 Sportback, Subaru WRX, Volvo C30 T5, BMW 130i, Audi S3 Sportback, nenhum desses (considerando veículos originais) passa a sensação de “força” do JCW até meados da terceira marcha! Tenho minhas dúvidas se algum dos modelos mencionados, saindo de primeira marcha em partida lançada consegue acompanhar o fôlego do JCW até uns 150 Km/h.

ERGONOMIA INTERNA

Por dentro, o visual do JCW é parecido com o Mini Cooper S, com alguns detalhes mais aprimorados de acabamento e uma central de multimídia que vem da BMW, com GPS, Bluetooth e todos os mimos que um carro premium deve ter.

O design interno em si é um tanto retrô e simplista, mas muito bem acabado. Os botões de acionamento dos vidros ficam no console central e simulam interruptores de aviões. Muito bacana também o velocímetro “gigante” deslocado para a direita. Na frente do motorista só uma coisa: o conta giros, afinal, que outro dispositivo você precisa em um carro manual??? Deixe o controle da velocidade para os radares, rs.

Curiosamente, o que o Mini Cooper tem de pequeno por fora, quando você entra na cabine e se acomoda, o carro é razoavelmente espaçoso. Há sensação de amplitude muito boa e, notem, eu tenho cerca de 1,85 cm de altura. Os bancos são de material de altíssima qualidade e são perfeitos para uma pegada esportiva, fornecendo suporte razoável para o motorista, mas sem ser uma “cadeira” de tão duros.

Realmente, se você não tem a necessidade de acomodar quatro pessoas ou não precisa de porta-malas, o JCW tem todos os ingredientes para divertir quem quer um carro esportivo mais low profile.

VISUAL

Como eu já disse, hoje, no mercado brasileiro, o JCW pode ser adquirido nas configurações tradicional, clubman e coupé, além de duas variantes conversíveis (a do modelo tradicional e do coupé). Sinceramente, Mini Cooper “de verdade” tem que ser o tradicional.

JCW Tradicional

A versão coupé, na minha opinião, parece um carro desconexo da “aura” Mini de ser. Se já não bastasse o encolhimento do espaço interno devido ao teto mais baixo e a ausência de bancos traseiros, o visual externo em si parece, por falta de melhor palavra, um “remendo”. Por outro lado, a versão clubman parece absorver melhor as características mais clássicas do design da marca, porém, não deixa de ser esquisito, pois, visualmente, parece um Cooper tradicional “espichado” –  se você realmente precisa de um pouco mais de espaço interno e praticidade, eu perdoaria a compra da versão clubman!

JCW Coupé

O Mini tradicional, por sua vez, pode não ser um carro com o tipo de beleza sufocante de um Aston Martin, por exemplo, mas é um carro com um design muito simpático e de personalidade, com uma forte influência retrô dos Minis originais. É uma excelente releitura moderna do clássico Mini.

No caso do JCW especialmente, o carro conta com uma série de detalhes que deixam o visual externo mais agressivo, tais como parachoques, saias e rodas mais esportivas ainda, bem como a hipótese de se colocar uma aerofólio traseiro. Dependo da combinação de cores que o proprietário escolher, pode ficar com um aspecto geral bem chamativo ou muito próximo do Cooper S – vai do gosto.

CONCLUSÃO

Qualquer Mini Cooper que seja nunca será uma escolha racional de carro. Está mais para um brinquedo de gente grande. Refleti muito tempo tentando encontrar um argumento racional para justificar ter um Mini Cooper e falhei miseravelmente.

Espaço interno… NÃO, se você pretende levar muitas pessoas além de você e mais uma pessoa.

Conforto… NÃO, considerando o estado de nossas ruas, apesar do conjunto não ser tão desagradável mesmo com os pneus run-flat.

Porta-Malas… Você só pode estar de brincadeira… conheço carros que tem porta-luvas maiores!

Consumo… Talvez, se você andar com pé bem leve, afinal, o motor é 1.6 turbo. Agora, qual a chance de você andar devagar com um carro que tem uma dirigibilidade tão sublime?! Não se engane nessa hora!

Por outro lado, se você relevar esse aspecto “racional” – como, de fato, deve fazer quando contemplar a compra de um carro esportivo – você acabará tendo uma infinidade de razões emocionais para comprar um JCW.

O JCW é um daqueles carros que lhe faz cair da cama cedo no final de semana, enquanto as ruas estão vazias, para curtir um pouco do que o carro é capaz! Melhor ainda se for uma estradinha vicinal vazia e excepcional se for um dia de track! Não tenha preconceitos quanto à tração dianteira, por cerca de 90 a 110 mil reais, dependendo do ano (2010 a 2012) – preço cobrado por um JCW semi-novo, não há maior diversão ao volante que você possa comprar.

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3 comentários sobre “Mini Cooper John Cooper Works

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    1. Ainda não testei o modelo novo. Tive um do modelo antigo e, de fato, é espaçoso para quem dirige. O que me broxava muito no Cooper antigo era a rigidez da carroceria e suspensão, bem como o acabamento, que deixava a desejar em termos de qualidade e barulho. Era fenomenal de dirigir. Se o novo melhorou nesses aspectos, é um resultado positivo para aqueles que o usam diariamente.

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