AUDI TT ROADSTER – Um carro que podia ser muito mais!

Recentemente tive a oportunidade de passar um tempo ao volante do AUDI TT ROADSTER!

Começo de domingo… tarde ensolarada… nada mais natural que a primeira coisa que se faça ao entrar no carro e dar ignição seja abaixar a capota de lona do roadster (antes mesmo de colocar o cinto, rs). Preparativos a parte, desloco a alavanca do câmbio DSG para a posição esportiva e vamos para a parte divertida.


Alguns quarteirões depois, começo a sentir na pele uma coisa que um velho amigo me disse sobre carros conversíveis – que a capota abaixada era algo muito mais agradável em finais de tarde ou, até mesmo, à noite. Em dias de sol forte, o efeito é escaldante, mas eu não podia deixar isso me incomodar antes sentir do que o pequeno coupé conversível da AUDI é capaz.


A primeira geração do TT foi muito criticada pela falta de equilíbrio dinâmico, aspecto esse que a AUDI soube muito bem abafar. Realmente, era um carrinho arisco em algumas circunstâncias. Tendo isso em mente, a atual geração do TT é, de fato, um carro muito mais refinado que o seu antecessor, mas, na minha singela opinião, podia ser muito mais.


Vamos falar primeiro dos aspectos positivos!


CONFORTO


Carros conversíveis tem um problema congênito muito sério – a perda de rigidez do chassi se comparado a variante de teto rígido. Vamos pensar, por exemplo, em uma caixa de sapato tampada – quando você tentar torcer ela, vai ser necessário uma dose de esforço notável; agora, se você pegar essa mesma caixa, tirar a tampa e tentar torcê-la, notará que a quantidade de esforço reduz consideravelmente.


Com carros conversíveis, o princípio é o mesmo! Quando você está no meio de uma curva, as forças que atuam tentando torcer a carroceria do veículo, por analogia, são basicamente as mesmas atuando na nossa caixa de sapato!


Fabricantes automotivos resolvem esse problema de rigidez do chassi nos conversíveis aplicando reforços estruturais na parte inferior da carroceria. O grande problema é que, para compensar a ausência de “teto”, o engenheiro acaba sendo obrigado a adicionar grandes quantidades de metal à parte inferior para atingir um bom valor de rigidez e isso implica um acréscimo de peso considerável.


Algumas marcas lidam razoavelmente mal com essa “compensação” criando conversíveis muitas vezes 100 – 200 quilos mais pesados que o “irmão” teto rígido. Além disso, é muito comum ouvir motoristas de conversíveis reclamarem sobre o quão barulhento e duros são seus veículos.


Pelo menos nesse sentido, a tecnologia da AUDI parece ser top notch com o TT ROADSTER. No tempo que passamos com o carro, nenhum barulho, rangido ou desconforto ao rodar foi percebido, muito pelo contrário, o chassi do conversível da AUDI foi muito bem e cumpriu com primazia o dever de rodar pelas ruas irregulares de São Paulo sem qualquer desconforto.



CÂMBIO


Já cansei de dizer que a caixa de dupla embreagem DSG da AUDI é um padrão a ser seguido em termos de eficiência. É estupidamente rápida e não hesita nas trocas, além de ter um excelente papel em termos não somente de mero desempenho esportivo, mas também na hora de visitar o posto de gasolina.

Acoplado com o motor 2.0 Turbo com injeção direta de combustível (FSI), que gera cerca de 200 cvs e 28,5 Kgfm de torque, o câmbio DSG faz o TT Roadster se comportar muito além da expectativa. Você realmente não espera tamanha agilidade nas aceleradas mais vigorosas. A sensação quando a velocidade sobe é de se estar a bordo de algo que tem, pelo menos, 250 cvs e uns 30 Kgfm de torque.


A AUDI declara que o TT ROADSTER acelera de 0 a 100 kmh na casa dos 7 segundos baixos. Concordo com esses números.

Agora, o que me frustra um pouquinho no DSG da AUDI é a falta de sensibilidade que a caixa transmite ao motorista. É tudo muito eficiente, muito liso, muito rápido…MUITO ALEMÃO para o meu gosto. Poderia ter uma especificação mais agressiva para lembrar que você está a bordo de um CARRO ESPORTE.


FREIOS


Eis aqui um aspecto que merece uma considerável observação. Eu costumo gostar muito de sistemas de freios que se comunicam muito bem com os motoristas e com isso quero dizer freios que conversam com o motorista e permitam que ele saiba exatamente onde o carro vai parar. Nesse sentido, a dosagem de pedal no TT ROADSTER é incrivelmente boa em termos de sensibilidade, exatamente como um carro esportivo deve ser.


ACABAMENTO


Como já disse em outras ocasiões, o acabamento AUDI tem sido um padrão a ser seguido. Materiais de qualidade e com design futurista sem ser enjoativo. Confesso que esperava um pouco mais do TT, afinal, ele é um carrinho que apela mais aos sentidos que um AUDI A3 Sportback, por exemplo.

Ou seja, não dá para falar mal do acabamento do TT ROADSTER pois ele é baseado no irmão familiar – o AUDI A3 – mas não machucaria a AUDI ter materiais um pouco mais diferenciados para o TT.


VISUAL


Aqui não há como negar que o TT ROADSTER é um show stopper por onde passa. Quer chamar a atenção, não tenha dúvidas que esse carro vai lhe ajudar bastante. O mecanismo da capota é rápido e preciso, em questão de segundos você estará com nada entre o céu e a sua cabeça.


No quesito visual, o TT ROADSTER é um carro que agrada. É um design frio, alemão, arrendondado e sem vincos espalhafatosos que cansam. Todo o design é muito fluído e simples. Realmente, o TT ROADSTER é um carro que tem seu charme e carisma. Não é à toa que o carro é o sonho de consumo de legiões pelo mundo.

Não obstante todos os pontos positivos acima, ainda assim, após o meu tempo com o carro, minha sensação foi de uma ligeira frustração – EXPLICO!


UM CARRO RAZOÁVEL?


Pois é, até aqui dissemos onde o TT ROADSTER é razoavelmente bom, mas esse é o problema do carro. Constantemente, quando penso em falar de um atributo do carro, me vejo batendo de frente com o adjetivo “razoável”.


Não que “razoável” seja um palavra ruim. Acho que quando você utiliza esse adjetivo é necessário contextualizar. Ou seja, olhando friamente para o TT ROADSTER é uma tremenda sacanagem falar mal de um carro esportivo alemão, com um motor que produz 200 cvs e 28,5 Kgfm, câmbio de dupla embreagem e um visual bacana.


Agora, quando você começa jogar com o contexto, eu acredito que o leitor vai conseguir entender o que eu quero dizer com o adjetivo “razoável”! Vamos começar pelo conjunto motor e câmbio, que é excelente, mas é o mesmo que equipa desde o Audi A3 Sportback até a recente geração do VW Jetta top de linha ou Passat. Não que isso seja um demérito, mas você espera que no TT ROADSTER esse conjunto seja um pouco mais apimentado, não? Pois é, aqui começa a primeira parte da adjetivação do TT ROADSTER.


Tudo bem, você tem uma posição de dirigir mais focada em esportividade, mas tirando isso, eu encontrei sérias dificuldades em achar diferenças com os irmãos familiares da própria Audi e da VW. Esperava um câmbio mais mal-humorado, sensações mais ariscas ao pressionar o acelerador e acabei me frustrando.


Mas, afinal de contas, isso implica dizer que o conjunto motor e câmbio é ruim no TT ROADSTER? Claro que não, mesmo porque o TT ROADSTER é um carro mais leve se comparado ao A3 ou a um JETTA novo, o que resulta em um desempenho marginalmente superior, mas não é especial ou diferenciado como o visual do carro parece querer sugerir.


Dentro do carro, o maldito “razoável” aparece para incomodar novamente. Os materiais de acabamento, a sensação da cabine, uma vez passada a impressão inicial, é de se estar em algo um pouquinho mais apimentado que A3.

O que quero dizer, em curtas palavras, é que o TT ROADSTER gera uma expectativa razoavelmente grande de ser um belo carro esportivinho exótico, mas acaba sendo muito comportado e civilizado, parecendo um carro de passeio comum!


ASPECTOS NEGATIVOS


Não obstante os diversos aspectos do TT Roadster que eu julguei apenas razoáveis, existem certas características do carro que eu, por falta de melhor expressão, não gostei.


CHASSI


O primeiro ponto que me desagradou foi o chassi do carro. Esperava muito mais nesse aspecto e fiquei meio frustrado. Acelerando o carro e fazendo mudanças mais bruscas de direção, foi notável certo retardo do TT ROADSTER em se adequar ao meu comando. Parecia que o chassi do carro queria ficar na posição inicial e depois de alguns milésimos de segundo de hesitação respondia.

Não me entendam errado, se eu estivesse falando de um carro de passeio comum, a resposta do chassi nessa situação estaria ótima, mas para um carro esportivo, que tem um centro de gravidade mais baixo, amortecedores mais duros e direção mais direta, poderia ser muito melhor.


DIREÇÃO


A direção do carro me pareceu anestesiada. Você aponta o carro na curva e espera que a direção comunique o que está se passando com o eixo dianteiro. Em uma acelerada mais vigorosa, você quer sentir a força sendo despejada no chão.


É preciso que o motorista tenha constante sensibilidade do que se passa com o carro. Nesse sentido, a direção assume um papel de suma importância, afinal, você que ela reaja aos seus comandos, especialmente nas situações de tocada mais esportiva.


A direção do TT ROADSTER deixou muito a desejar nesse aspecto. Nas aceleradas em linha reta, eu sabia que os pneus estavam lixando o asfalto procurando tração, mas não porque a direção estava me contando isso, e sim pelo barulho dos pneus cantando!!! Nem uma puxadinha para nenhum dos lados…nada!!! Poderia ter acelerado com um dedo no volante que não faria a menor diferença!

Como se não bastasse a falta de sensibilidade ao volante, o carro tinha uma tendência muito evidente de sair de frente. Qualquer “patadinha” mais forte no acelerador no meio de uma curva e lá ia o carro “passarinhar” fora do traçado. Sair de frente por si só não é algo ruim, especialmente em um carro tração dianteira, afinal, a correção do excesso é feita levantando o pé do acelerador de maneira sutil até o carro agarrar novamente.


Muitas montadoras fazem seus carros terem essa tendência de sair de frente justamente pela correção ser mais simples. Porém, o que irritou no TT ROADSTER foi essa tendência de sair de frente cumulada com uma direção meio anestesiada. Vejam bem, quando o carro está nessa situação é porque algo deu errado e, nessas horas, sensibilidade do volante é imprescindível! Se você for alguém meio despreparado para essa situação e não prestar atenção nos pneus cantando, será fácil tomar um susto.


CONCLUSÃO


Concordo que chamar o Audi TT ROADSTER de ruim seria uma tremenda sacanagem, ainda mais considerando que vivemos em um país cuja indústria nacional resume chamar de “esportivos” veículos com saias, rodas maiores, spoilers e siglas que sugerem agressividade. O TT ROADSTER é um carro alemão, com muita tecnologia e um visual muito bacana, que, por si só já seriam características suficientes para elogiar o conversível!


Não podemos nos esquecer que o carro tem o aclamado motor 2.0 TFSI e o câmbio de dupla embreagem DSG Audi. Realmente, o carro não parece ter singelos 200 cvs e apenas 28,5 Kgfm de torque – anda muito mais do que a frieza dos números sugerem.


Agora, daí até dizer que o TT ROADSTER é um carro que atiça os sentidos, que é fora de série, já seria forçar a barra, em especial porque dentro do carro é constante a lembrança dos irmãos mais familiares, tanto da AUDI como da VW.


Além disso, a direção anestesiada e o chassi um tanto letárgico nas mudanças mais bruscas de direção fazem crer que há melhores opções para quem busca algo mais excitante na condução, como um Mini Cooper S cabrio, que, por exemplo, pode inclusive custar menos, mesmo que ande um pouquinho menos em linha reta.


Portanto, para resumir, o TT ROADSTER é um carro bom, mas que poderia ser muito mais. Vamos ver o que a AUDI tem no forno para a nova geração do seu pequeno esportivo conversível!

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9 comentários sobre “AUDI TT ROADSTER – Um carro que podia ser muito mais!

  1. Um TT nada mais é que o Fusca da Audi, ou melhor, o Fusca é o TT da Volks.

    Mas quando você vai pro TTS ou TTRS a coisa muda completamente de figura.
    Se estiver num modelo que flertou com a APR então…
    hmmmmmmm….

  2. Ah, talvez eu esteja sendo muito chato, porque já te procurei por outros meios: youtube, instagram e agora aqui, mas refaço a pergunta que fiz, porque acho que aqui talvez seja mais fácil de ser lido e respondido:

    Eu tenho uma curiosidade (na verdade é uma necessidade já que estou a 6 meses pra comprar e não sei ainda qual pegar), consigo comprar o TT RS por 353 mil (0km), teria como opção o boxster (mas é aspirado e modelo de entrada da porsche) por 380-400 mil, tem também o BMW Z4 e o SLK 55 AMG, qual vocês me indicariam pra ter mais divertimento (não vou negar que quero pussy magnet) e uns TD’s? (sei que o TT RS MKII está no fim da vida, mas será que chega no brasil em 2015 (MKIII)?) Abraço.

    Obs.: Uma coisa que me seduz num carro é o som do escape, tanto que o meu hot hatch de dia-a-dia é um fusca APR2, que tesão que é o som do escape original dele, faz o jetta parecer carro manso…

    1. Cara, das suas opções eu ficaria entre o TTRS e o Boxster S 2013 semi-novo, que devem sair pelo mesmo preço. Entre eles, o Boxster é a minha escolha. É incrivelmente bom e equilibrado em todos os aspectos “tocada” e chama muito mais atenção do que qualquer dos demais mencionados. Talvez perca um pouco na linha reta, mas é um carro tão bem desenvolvido! Aliás, se for atrás do modelo antiguinho, um 2011 completíssimo não deve ser mais do que 250 mil reais!

      1. Oi Korn, obrigiado pela resposta cara!
        De coração.

        Meu medo de pegar o porsche é trocar um top de linha da Audi (TTRS) pra ficar com um de entrada da porsche.

        Mas entendo que seja muito mais chamativo o porsche.

        A parte boa é que vou conseguir fechar essa semana próxima.
        Em negocio eu consegui um Audi TT RS Roadster por 330 mil (semi novo 4 mil km)
        E consegui um Boxter do modelo anterior por 250 mil 9modelo S e relativamente completo, o som é o bose e não aquele modelo high end diposnivel nos porsche).

        Ambos de importação oficial, o bom do audi é garantia estendida até 2017 e o seguro pro meu perfil fica quase 15 mil reais mais barato.

        Mas o apelo visual e de acerto do boxster me chama muita atenção (mid engine, tração traseira…)
        vou tentar fazer um TD neles (aqui fica uma ressalva do nosso mercado, eu tenho dinheiro, estou disposto a comprar mas é quase impossível conseguir testar, como comprar um carro desse no escuro? é muito dificil).

        quando comprar posto aqui e te convido a dar umas voltas se quiser 😀

        Abraço

      2. Oi, Korn!
        Desculpe a chatice, mas eu consegui nesse sabado um 911 Black Edition 11/12 por 360 mil.

        Então tenho como opções um TT RS Roadster por 330, um Boxster 2010 PDK por 280 e um 911 Black Edition por 360.

        Desses o 911 tá ganhando agora, a não ser que você me diga que esse modelo seja mico. hahaha.

        Fico no aguardo da sua opinião por confiar em ti.

        Abraço

      3. Simplesmente pelo fato de v. colocar um mito no garagem, é de se pensar sim. O que v. tem com o 911 BE – ele é na base do Carrera, e não do Carrera S, ou seja, são 345 Cvs e tração traseira. É um carro muito valente e forte sim, especialmente pq ele vem equipado com PDK (dupla embreagem da Porsche). Agora, há carros mais baratos que vão andar mais. Tirando isso, é um 911 muito bem equipado e completo. Foi vendido 0km a um preço extremamente competitivo. É um bom produto. Eu, particularmente, levaria um 911 para casa. Mas não dá para negar que o TTRS é um monstrinho de performance!

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