BMW 118i 2012 – Um legítimo BMW?!

Você, lendo esse blog sobre veículos esportivos, deve estar pensando: por que cargas esse louco está falando de um BMW série 1 de entrada?!

Pois é, muitas vezes, mero desempenho em linha reta diz muito pouco sobre um carro. Para saber se o carro é esportivo, o importante é a dirigibilidade, ou seja, como o carro se comporta dinamicamente.

À primeira vista (e que primeira vista horrível, pelo menos para mim), pode parecer que um hatchzinho 1.6 não tem o suficiente para despertar fortes emoções; e, realmente, “forte” não seria o melhor adjetivo para qualificar a sensação ao volante da 118i 2012.

Mas o carro tem seus méritos. Vejamos quais são!



O QUE MELHOROU?!

MOTOR

Bem, parece que a era dos motores aspirados está com os seus dias contados. Até mesmo a BMW, notória por seus motores aspirados de alto giro, parece ter dado o braço a torcer. Nessa onda recente de motores sobre-alimentados, a BMW veio discretamente optando pelos motores turbo. Em 2007, a marca colocou o motor N54 no BMW 335i – um motor de 6 cilindros em linha bi-turbo, produzindo cerca de 306 cavalos e uma quantidade massiva de torque em baixas rotações. O resultado foi surpreendente e o carro foi um sucesso. Foram os primeiros passos da BMW em direção aos turbos nos tempos modernos (há algumas décadas, a BMW usou a sobrealimentação em diversos modelos).

Não tardou muito para que o resto da linha BMW começasse a ver as turbinas espalhadas em uma gama imensa de modelos. Atualmente todos os modelos contam com um motor turbinado – série 3, série 5, série X, série Z, série 7 e, até mesmo os modelos ///M.

O grande ponto, no entanto, é que até agora estávamos acostumados a ver as turbinas funcionando junto de  motores grandes – 6 e 8 cilindros. Faltava um motor menor turbinado para dar um fôlego extra aos modelos de entrada da BMW, haja vista que os antigos BMW 118i, 120i, 318i e 320i deixavam muito a desejar no aspecto de desempenho!

No novo BMW 118i, a marca parece ter acertado em cheio! Embora o motorzinho 1.6 turbinado não seja sinônimo de FOGUETE, esqueça, pelo menos, aquele sentimento de pé atolado no acelerador e sonolência dos antigos modelos de entrada da marca! O BMW 118i é um carro ágil. Torque muito bom em baixas rotações e uma potência razoável.

Estamos falando de 170 cvs e 23,9 Kgfm de torque para um carro que pesa um cerca de 1.5 toneladas. É gostoso afundar o pé no acelerador e sentir o pneu cantar (ainda que de leve) nas saídas de farol. É assim que um BMW deve ser!

DIRIGIBILIDADE

Aqui, novamente, a BMW merece elogios. Se há uma palavra que define a nova série 1 se comparada à antiga é evolução. O antigo série 1 tinha um chassi sublime, mas pouco feliz com as nossas ruas mais irregulares. O carro antigo era muito rígido, o que era muito bom em uma condução mais forte, porém, “de doer” no dia-a-dia.

Nesse sentido, o novo série 1 parece ser um carro muito mais acertado para andar em terrenos mais irregulares, e, notem, esse carro também é equipado com pneus run-flat. Durante o trajeto que fizemos, deu para sentir que o carro não perdeu aquele espírito arisco de comer curvas com vontade, mas, agora, o carro passa uma sensação de neutralidade muito grande, mesmo quando contornando curvas com o asfalto bem irregular.

Resumindo, o carro continua com um comportamento dinâmico bem esportivo, mas, agora, trata melhor seus ocupantes. Não há mais chacoalhadas enervantes dentro do novo série 1.

Junte a isso o fato do motor turbo com uma quantidade razoável de torque em baixas rotações combinado com uma excelente tração traseira e pronto! Você tem a receita de um carrinho mais do que honesto em termos de desempenho e diversão. Por diversos momentos durante o teste, me peguei induzindo a traseira a sair, aplicando leves contra-esterços na direção. Sinceramente, eu esperava muito menos do carro. Foi muito bacana sentir aquela traseira dar uma desgarrada de leve sem grandes pancadas no acelerador, ou seja, muito mais simples de corrigir.

A direção continua ótima como na antiga série 1. Apesar de ter assistência elétrica, você tem razoavelmente noção do que está se passando com o eixo dianteiro. Continua comunicativa e direta, sem ser demasiadamente leve ou pesada. Na medida certa.

O QUE PODERIA TER MELHORADO?!

CÂMBIO

A BMW vem fazendo um forte marketing por trás do novo câmbio da BMW série 1, porém, engana-se o consumidor de achar que se trata de uma caixa de dupla embreagem semi-automatizada no melhor estilo das BMW mais esportivas (ou até mesmo uma versão mais simples dessa caixa).

Trata-se de um bom e velho câmbio automático, só que com 8 marchas. Ou seja, esqueça trocas instantâneas de marcha. Uma pena! Se a BMW se tocasse disso, com certeza esse carro teria muito mais potencial. Andando no carro, parece uma versão levemente aprimorada do antigo STEPTRONIC, que não era ruim, pelo contrário, até respondia muito bem às ingerências dos motoristas no modo manual, mas não deixava de se comportar como um bom “automaticão”.

É covardia comparar a eficiência desta caixa com a de dupla embreagem semi-automatizada. A vantagem, pelo menos, é que agora não falta marcha para poupar combustível, afinal, o motor dá grandes quantidades de torque em baixos giros e é um mero 1.6. As chances de você frequentar constantemente o posto tendo uma BMW 118i 2012 são baixas.

ERGONOMIA

Falar que a ergonomia interna do novo BMW série 1 piorou seria uma sacanagem, mas, sejamos sinceros, a BMW tinha que tomar muito cuidado para aprimorar a posição de dirigir comparando-se com o antigo série 1. Afinal, espaço interno sempre foi uma crítica do antigo série 1, então, como melhorar esse aspecto sem sacrificar a excelente posição de dirigir? Inovando muito pouco!

Melhorou? Definitivamente sim, mas poderiam ter feito mais. A posição de dirigir continua ótima e o carro ganhou ligeiramente mais espaço em todos os cantos da cabine, mas, ainda assim, para as pessoas com mais de 1.80 m o carro continua “compacto”.

Isso não significa que você viaja desconfortavelmente, muito pelo contrário, mas eu acho que há muito potencial inexplorado.

ACABAMENTO

Tudo bem que estamos falando dos modelos de entrada do série 1 e da própria BMW, mas esse é um outro aspecto poderia ter sido aprimorado.

Visualmente falando, você se sente dentro de um carro atualizado. Novos padrões para os instrumentos e para o IDrive. Porém, passada a euforia da novidade, o comprador vai ser obrigado a se deparar com um carro mais recheado de plásticos do que gostaria.

Não me entendam errado, não estou dizendo que as peças são mal colocadas ou que parecem baratas, mas, em última instância, o carro é um festival de plástico para tudo quanto é lado. Por melhor que seja o plástico, todos nós sabemos que ele não envelhece tão bem quanto alumínio, aço escovado ou, até mesmo, couro.

Causa até um contraste marcante, afinal, o carro tem IDrive com a interface dos irmãos maiores e mais caros, mas tudo isso é cercado por plásticos infindáveis. Já que falamos em couro, mais uma vez, se você acha que comprando o BMW de entrada vai sentir aquele cheirinho característico do couro BMW, esqueça.

Os modelos 118i vendidos pelos preços entre 114 mil (entrada) e 123 mil (Sport) reais não têm bancos de couro, mas sim um tecido sintético BMW, que não é desagradável ao toque ou parece ser feito de material vagabundo, mas, ainda assim, é um pecado sério em um carro nessa faixa de preço.

BMW 118i Urban

Não custaria tanto assim para a BMW abolir o uso desse tecido nos carros que vem para o Brasil. Por mais que esse tipo de tecido venda em países europeus, não podemos negligenciar o contexto, ou seja, na Europa o BMW é vendido como um mero hatchback urbano. Aqui no Brasil, por outro lado, comprar um BMW representa status e, por essa lógica, ao entrar em um BMW você espera, pelo menos, um carro com bancos de couro.

Aliás, se me perguntassem pessoalmente o que eu acho disso tudo, eu começaria por dizer que qualquer carro que custe, no mínimo, 100 mil reais, jamais poderia ser vendido sem bancos de couro, central de multimídia, faróis de xenon, ajustes elétricos de banco e ar-condicionado digital. É o mínimo do mínimo!

Algumas concessionárias da marca têm a versão top disponível, com todas as perfumarias que eu disse acima, mas aí o preço sobe para incríveis 150 mil reais! Rodas maiores, IDrive maior, borboletas no volante, bancos em couro, faróis de xenon e por aí vai.

Interior da versão full – A/C digital, IDrive com tela maior, bancos de couro, borboletas no volante etc.

VISUAL

Antes de jogarem pedras e me xingarem pela falta de objetividade, eu sei que estamos no âmbito do “gosto não se discute”, mas daí até falar que o novo série 1 é um carro bonito? Agradável aos olhos? Acreditem em mim, eu passei boa parte de uma tarde inteira com o carro, olhei por todos os ângulos possíveis e imagináveis… quando eu achei que eu ia começar a gostar da traseira, eu acabei não conseguindo.

É um design esquisito. Já vi fotos na internet das versões mais top, com detalhes da série ///M, realmente, melhora um pouco. Mas nas versões disponíveis até o momento (standard, urban e sport), ainda não desce bem, pelo menos para mim.

BMW 118i na versão full. Definitivamente mais agradável aos olhos.

CONCLUSÃO

Em linhas gerais, é fácil concluir que o novo modelo de entrada é um carro superior ao antigo em todos os aspectos. Só pelo fato de ter a perfomance que tem, já é um belo salto em relação à antiga série 1. Porém, o comprador de um carro nessa faixa de preço merecia ser mais mimado! Faltam perfumarias indispensáveis em um BMW.

Não obstante, o que mais me marcou é a sensação de estranheza por andar em um BMW sem, no mínimo, um 6 cil. É uma sensação de que falta algo. O carisma da BMW sempre se definiu pelos motores de alto giro e, especialmente, mais recentemente, pelos motores 6 cil em linha e o 5.0 V10, ambos extintos. Os atuais motores podem ser mais eficientes, mas carecem do apelo dos antigos.

Obviamente que ninguém vai sentir falta dos antigos 4 cilindros BMW que equiparam os carros da marca até o ano passado e, nesse sentido, só temos a agradecer a marca por ter se modernizado e entrado na era dos turbos de vez. O próximo passo deve ser o câmbio de dupla embreagem.

Para responder, então, a pergunta do título desse texto: trata-se de um legítmo BMW? Pela dirigibilidade e conjunto, sim. Pelo motor? Talvez.

O verdadeiro teste para mim será quando vier a versão mais apimentada do 4 cilindros turbo BMW, que deverá desembarcar por aqui até o final do ano e deverá ocupar o “meio de campo” entre a 118i e o 135i. Aí sim terei condições de dizer para vocês se o novo 4 cilindros turbo conseguirá despertar sensações como o bom e velho 6 cilindros em linha aspirado!

Teria o BMW 118i? Por essa faixa de preço? Huuummm…só se eu quisesse muito ter um BMW 0km com cara de carro atualizado.

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5 comentários sobre “BMW 118i 2012 – Um legítimo BMW?!

  1. ótima resenha! quanto a traseira é verdade, preferia a outra. Mas acho que é questão de costume, daqui a 6 meses ela vai estar mais bonita aos olhos, o modelo todo.

  2. cara, uma coisa eu falo, quando voce tem um carro desses é que voce percebe o quanto sao futeis ar digital, banco de couro, e outras viadagens que ela nao tem,o banco da sport é maravilhoso, muito melhor que couro, mais fresco, mais confortavel, e nao molha igual banco comum, se for parar para pensar, ainda existem muitos superesportivos que nao tem nem cambio automatico, nem banco de couro, nem ar digital.. rs o carro é sensacional, anda muito, voce tem a sensaçao de estar dentro de um carro de aprox. 220cv, anda mais que o o jetta tsi,civic si, A3 de 211cv, fato!

  3. Ultimamente, o carro cresceu no meu conceito… o que parecia esquisito visualmente, começa a ficar agradável aos olhos… Só a BMW consegue isso comigo… rs

  4. Quem compra BMW não quer somente status, quer qualidade também. Ontem dirigi uma 118i sport… Passada a euforia inicial, quando comecei a reparar no interior e vi aqueles bancos de tecido e a forração simples que é… não dá vontade de pagar 120 mil… e ainda por cima tiraram GPS o Angel Eyes, acabaram com a 118…Depois entrei numa 116i, aí de chorar…se vc esquecer que tem o logo azul e branco no volante, parece um carro popular, juro…não acredita? Vai numa concessionária e veja!

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