AUDI RS3 – O foguete "prático"de bolso!

Suponhamos que você tenha um certo pode aquisitivo que lhe permita comprar um carro esportivo. Além disso, vamos supor também que você é um cara prático, ou seja, você quer um carro ágil, sem dimensões espalhafatosas, que acomode quatro pessoas com conforto, tenha um bom porta-malas e acabamento…acima de tudo…um carro que possa ser utilizado todos os dias se você quiser e, se possível, que conviva bem com o estado de conservação das nossas ruas.
A essa altura você deve estar se perguntando, será que existe um carro esportivo tão “coringa” assim?

No meu ver, a Audi parece ter uma solução perfeita para muitas, se não todas, as exigências do nosso intrépido comprador!
Recentemente, tive a oportunidade de dirigir o recém chegado RS3. Antes de rasgar elogios sobre o “brinquedo”, preciso adiantar que esse carro tem um pecado gigantesco, mas que não é sua culpa. Mais adiante eu conto que pecado é esse.

Vamos ao carro. O tempo com o carro foi bem curto, mas deu para sentir que as palavras da imprensa internacional foram precisas. Realmente, esse carro é excelente. Em termos de performance, é o benchmark da categoria. Não deixe a “fantasia” de hatchback enganar você. Esse é um legítimo carro esportivo.


 
ACELERAÇÃO


A aceleração do carro é visceral, mas, ao mesmo tempo, muito suave e precisa. O conjunto é um motor 2.5, 5 cilindros e TURBO. Isso tudo se traduz em cerca de 340 cvs e torque de aproximadamente 46 kgfm. Aliado com o excelente câmbio de dupla embreagem AUDI (pioneira em colocar esse câmbio em carros de passeio), palavras não fazem jus à pancada que o carro dá nas acelerações mais fortes. A AUDI diz que o hatch faz de 0-100 kmh em cerca de 4,5 segs.


 
 
Sinceramente, o carro é muito forte, mas, com o nosso combustível, para conseguir essa marca creio que será necessário recorrer ao controle de largada do carro. A sensação (vejam bem, “sensação”) é de um carro que fará de 0-100 kmh em cerca de 5 segs baixos.
Convém ressaltar, no entanto, algo que me incomodou um pouco. Em algumas ocasiões, mesmo com o câmbio no modo mais agressivo, achei a resposta do acelerador meio lerda. Especialmente em baixas velocidades, quando pressionava o pedal, era notável um certo retardo na resposta. Pode ser que seja devido ao fato do carro que andei ter apenas 100 km rodados e, talvez, o acelerador ainda não tivesse se habituado com o tipo de “tocada” de alguém.

DIRIGIBILIDADE


Então, aqui eu não quero falar sobre o quanto o carro pode ser rápido em linha reta. Quero contar o pouco que pude observar e sentir em termos de direção, frenagem, suspensão e funcionamento do câmbio.

 
 
Direção. Nesse aspecto, o RS3 foi uma gratíssima surpresa. Creio ter sido o primeiro AUDI que eu dirigi cuja a direção é relativamente comunicativa e bem direta.
O que quero dizer com isso? Quando você dá o comando na direção, um carro ótimo vai lhe permitir sentir exatamente o que está se passando com as rodas dianteiras.

AUDIs sempre tiveram motores bem em cima do eixo dianteiro, o que significava uma direção um tanto anestesiada, afinal, o carro com essa característica acaba ficando com muito peso deslocado na frente, o que contribui para que saia de frente nas curvas mais fechadas. Você sabe para que lado está virando, mas tudo parece meio artificial.

Com o RS3, o carro parece mais orgânico, você sabe o que se passa com as suas rodas dianteiras quando vira a direção. Isso é excelente. Diferente de tudo que eu vi em outros AUDIs.

 
 
Suspensão. Você pode gostar muito da tocada de um carro esportivo, mas, se você vive em uma Cidade como São Paulo, conviver com suspensões duras, de pouco curso, pode ser um pesadelo dependendo da rua que você passa.

Nesse sentido, acredito que o RS3 achou um ponto neutro muito interessante entre suspensão esportiva e utilidade diária. Isso quer dizer que o RS3 é um travesseiro? Não! Mas longe de ser desagradável como, por exemplo, um BMW com pneus run-flat (cof…cof…BMW…está ouvindo?). Ou seja, o carro tem uma suspensão agradável, quase confortável para o dia-a-dia, porém sem abrir mão da precisão necessária para uma tocada esportiva.

Freios. Aqui um outro ponto que me agradou muito. O pedal tem uma excelente comunicação com o motorista. A dosagem de força no pedal é corresponde exatamente à expectativa do motorista. O sistema é extremamente eficiente, requerendo muito pouco esforço para uma freada mais incisiva.

 
 
Câmbio. Bem, difícil falar mais uma vez sobre um câmbio que é tão aclamado. Mas, verdade seja dita, a AUDI acertou no seu conjunto de dupla embreagem. Responde muito bem, não hesita e é extremamente rápido. Falta, às vezes, sentir um pouco mais que o câmbio está lá. É tudo muito automatizado, não há trancos. Por outro lado, o câmbio, nas reduzidas de marcha, gosta de jogar o giro lá em cima…junte a isso o ronco metálico na medida certa…pronto…não vai faltar diversão aos ouvidos.

 
 
Tração. Mais um terreno onde o AUDI brilha (ou deve brilhar, pois no trajeto em que circulamos não foi possível verificar o quanto o carro gruda), mas é de comum e notório conhecimento que hoje o sistema de tração integral AUDI é um dos melhores, se não o melhor do mundo.
 
 
ERGONOMIA
Bem, como já adiantado, apesar do coração e alma de esportivo, o carro tem toda a praticidade de um AUDI A3 Sportback, ou seja, você terá espaço para quatro adultos no carro, além de um bom porta malas.

 
 
O carro é também recheado com aquele refino de acabamento AUDI que, na minha opinião, tem sido o standard a ser seguido no segmento premium alemão. Não há materiais pobres ou vagabundos em qualquer lugar visível (e aposto que mesmo nos locais invisíveis também não deve haver), não há plásticos mal colocados ou botões de painel mal revestidos. Realmente, a sensação é de se estar dentro de um legítimo carro alemão de alto padrão.
 
A posição de dirigir é ótima. Excelente para o uso diário, embora eu esperasse que no RS3 o motorista sentasse em uma posição mais baixa do que no S3 ou, até mesmo, no A3. Um defeito dessa família A3/S3/RS3, na minha opinião, é a altura da cabine. Se você tem mais de 1,85 cm, acaba se sentando estranhamente próximo do teto – a sensação não é a mais agradável, mas você se acostuma.

Resumindo, o RS3 é um carro que tem contrato assinado com a esportividade, mas não coloca o proprietário para sofrer com os inconvenientes de um carro esportivo tradicional. É um dos melhores carros all around que eu tive o prazer de conhecer. Muito bem projetado e pensado.

O “PECADO”
Eu sei que todo consumidor em sã consciência reconhece que os preços de tudo no Brasil são abusivos. Pagamos 5 vezes mais para ter 5 vezes menos qualidade de vida, além do nosso querido governo comer cerca de 1/3 de tudo o que ganhamos, tendo como contrapartida ruas no melhor estilo Paris-Dakar e uma criminalidade sem igual. Sabemos também que as margens de lucro no Brasil são abusivas…blá…blá…blá

Porém, há certas coisas que saltam aos olhos, tal como o preço do AUDI RS3! São R$ 300.000,00 sem IPI e cerca de R$ 340.000,00 com o tributo!

Meus caros amigos tomadores de decisão na cúpula da AUDI, não há razão no mundo que explique um hatchback custar esse valor!!! Por melhor que ele seja (arrisco dizer que o RS3 é o melhor hatchback já fabricado), você simplesmente não coloca um preço assim em um carro desse tipo. É um completo non-sense.
Nesse aspecto, fica difícil não fazer uma comparação que estava evitando até agora – com a BMW 1M. Falar, em termos de mero desempenho dinâmico, que o AUDI ou o BMW é melhor não faria justiça ao quanto ambos são sensacionais. A BMW é um carro mais puro, mais old school, com câmbio manual e tração traseira…um legítimo coupé esportivo em todos os aspectos. A suspensão é mais firme e o carro menos prático. Porém, até pouco tempo atrás, era possível comprar uma 1M por cerca de R$ 250.000,00 mil em algumas concessionárias da BMW. E vejam, não estou dizendo que o preço da 1M é barato, mas já são cerca de 50 mil reais a menos!!!

Sem contar que com esses valores (300 ou 340 mil, dependendo do IPI), já é possível flertar a compra de carros semi-novos com mais prestígio esportivo, adicionando(ou não) alguns “trocados”(pesquisem o valor de mercado dos carros a seguir). Só para citar alguns exemplos: Nissan GTR 2009, Porsche 911 Turbo 2006/2007, Audi R8 V8 (2008), Porsche 911 (os mais variados modelos), Mercedes Benz C63 AMG (2008/2011) etc.

Aí eu pergunto, será que a AUDI pensou nisso ao precificar o RS3 aqui no Brasil?

Para encerrar, apesar da legítima facada no preço, o carro é sim fenomenal, impecável em muitos aspectos! Carro por carro apenas, é um dos mais versáteis que eu já vi e dirigi!
 
 
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7 comentários sobre “AUDI RS3 – O foguete "prático"de bolso!

  1. Korn, saberia dizer porque a versão RS3 que veio para o brasil, não tem os mesmos bancos concha la de fora? estilos os do RS5, porque são praticamente bancos comum do A3, alem disso a falta dos apliques na cor prata nos parachoques.

    1. Cara, não tem muita lógica. É questão de posicionamento e decisão da marca de trazer alguns carros com determinado pacote de opcionais. Concordo contigo. Os bancos seriam ótimos no carro. Ou até fazem isso para alguém comprá-los como opcionais por algum valor nada singelo.

      1. Audi do Brasil realmente ta ridícula, o RS3 mais caro do mundo é aqui, e vem capado no que puderem, absurdo. Estilo VW de ser.

  2. So para lembrar esse carro custa 50 mil euros na europa, ow seja Brasil como sempre, com o valor pago aki tu compra um GTR do ano lá.

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