CHEVROLET CAMARO ZL1 2013 – MUITO MAIS QUE O CAMARO AMARELO

Maldito seja o dia em que dizia que os carros esportivos norte-americanos modernos eram ruins. Realidade seja dita, eu tinha minhas razões até meados dos anos 2000. Os modelos da terra do Tio Sam não me davam motivos para apreciá-los. Na parte dinâmica, exceto pelas quantidades enormes de torque e potência dos motores grandes, não tinham muito mais a oferecer. Na parte interna, o acabamento nunca me agradou.

Há males que vêm para bem. Com a crise por volta de 2008, a indústria automotiva norte-americana se viu obrigada a fabricar carros melhores. Surgiram motores menores e mais eficientes; novos câmbios; acertos dinâmicos e acabamentos um pouco melhores. O consumidor não iria mais tolerar qualquer tentativa de se atribuir alcunhas clássicas, como o Camaro ou o Mustang, a carros medíocres.

A Chevrolet ressucitou o Camaro em grande estilo. Visual retrô e o melhor retro look do mercado junto com o Stang. Não preciso lembrar o sucesso do carro no Brasil a partir do momento que a marca trouxe oficialmente a versão SS com motor V8 a um preço competitivo para um carro com mais de 400 Hp.

Porém, as jóias do atual Camaro passam longe das versões “ordinárias”. Para mim, os grandes Camaros hoje em dia são: o Z28 e o ZL1. O Z28 ainda não experimentei. Por outro lado, fiquei 5 dias com um ZL1 conversível no EUA.

korncars Camaro ZL 1 VII

ASPECTOS TÉCNICOS

O ZL1 foi lançado em 2012. Seu único objetivo era ser o Camaro mais visceral, potente e torcudo já lançado. O motor LSA é derivado daquele que equipou o Corvette ZR1 na geração C6 – um V8, 6.1, acoplado a um supercharger. O resultado consiste em 580 HP a 6000 rpms e 75,6 Kgfm a 4200 rpms. O motor em si não gira muito, apenas pouco acima do pico de potência, até 6100 rpms.

korncars Camaro ZL 1 Motor

As opções de câmbio são manual ou automático, ambos com 6 marchas. A GM diz que a caixa manual original está apta a aguentar até 900 cvs, o que significa claramente que a marca reconhece que muitos proprietários têm intenções libidinosas de preparação. Engana-se você de pensar que a GM foi relapsa quanto à caixa automática. Ela é completamente nova, sem relação com aquela encontrada no Camaro SS e também está preparada para aguentar um pouco mais que o OEM spec.

O Camaro ZL1 pode ser adquirido como um coupé ou conversível. O peso do ZL1 oscila entre pouco mais de 1800 kgs (versão com câmbio manual e coupé) ou pouco menos de 2 toneladas (1993 Kgs, para ser mais específico, na versão conversível com caixa automática).

A GM afirma que o ZL1 Coupé é capaz de ir de 0 a 100 Km/h em 4,2 segundos e atingir a máxima de 296 Km/h na versão coupé. Espere números piores para o conversível.

korncars Camaro ZL 1 I

POR DENTRO DO CAMARO ZL1

A grande vantagem da versão conversível é que aquela sensação claustrofóbica que se tem no Camaro coupé é ausente. Por dentro, tudo muito parecido com a versão ordinária do carro, exceto pela maior atenção com detalhes. Bancos e painéis com revestimento em alcântara. Acabamento melhorado. Nesse quesito, por dentro, o ZL1 parece um carro mais especial e melhor feito do que o Shelby GT500 que testei aqui no site.

A posição de dirigir é baixa. Difícil enxergar onde o carro começa e termina, afinal, o Camaro é um carro muito grande e largo. Com a capota baixa, a vida fica mais fácil, porém, a mínima sensação da facilidade seria dizimada nas ruas brasileiras. Na terra do Tio Sam, as vias são absurdamente largas e os estacionamentos são legítimas “avenidas”.

A direção tem ajuste de profundidade e altura. Os bancos completamente elétricos facilitam encontrar a melhor posição.

A central de multimídia no painel oferece tudo que se espera – bluetooth, radio por satélite, GPS, câmera de ré etc. Bem completo e fácil de manusear. É um carro simples e sem complicações.

korncars Camaro ZL 1 interior

ANDANDO COM O CAMARO

Um recurso muito bacana no ZL1 é a possibilidade de dar ignição remota no carro. Truque muito assustador para aqueles que estão “fuçando” seu carro parado. Você chega como quem não quer nada, fica a uma distância suficiente para acionar o alarme, pressiona o botão de travar uma vez, aperta-o novamente e segura. Pode ter certeza que os curiosos não entenderão nada e, em alguns casos, tomarão um susto, especialmente devido ao ronco do V8 acordando.

Logo ao dar ignição, o ZL1 faz um excelente trabalho em deixar claro que ele é um produto especial e distinto. Pontos para GM. Nada como comprar um Camaro no topo da cadeia alimentar e se sentir diferente dos demais que compraram aquele modelo comum V6.

korncars Camaro ZL 1 III

Com o carro em ponto morto não há como resistir a tentação de bombar o acelerador. Vem aquele som caraterístico de NASCAR na orelha cada vez que o giro sobe. Quando eles resolvem descer, aquela clássica “borbulhada” típica dos motores norte-americanos de performance. Sensacional! Hora de botar a fera para andar, cujo apelido carinhoso que lhe dei foi “Darth Vader”.

Manobrando, você não diz estar dirigindo um esportivo de verdade. A direção é leve, o acelerador tranquilo e macio. Tudo muito civilizado. Assim que saio do local onde peguei o carro, apenas “cruzeirando”, me recuso a crer que um carro com uma cara de bad boy como esse pode ser tão gentil e educado.

Dou a primeira cutucada incisiva no acelerador, a traseira puxa sensivelmente para a direita, me vejo compensando o torque steer no volante, me sentindo a bordo daqueles american muscles da velha guarda. Alivio o acelerador, o ZL1 endireita e traciona. Ronco nas alturas, supercharger cantando na minha orelha; primeira, segunda e terceira marchas preenchidas… FREIOS!!!! Curva para direita, aponto a frente, no meio dela, resolvo dar acelerador… WHHHHHHAAAPPPP, cantada de pneu, traseira querendo me dar boa noite… o controle de tração começa a trabalhar. Que susto… minha esposa, à essa altura, estava um pouco “branca”.

Ok, melhor tratar com respeito. Segundos atrás, ele se comportava como um esportivo moderno civilizado para instantes depois querer chutar a minha bunda com força. Lembremos que estamos em um país de primeiro mundo e qualquer direção perigosa vista pela polícia vai me botar na cadeia. Nesse momento, digo para minha esposa a seguinte frase: “Amor, eu vou ser preso até o final da semana!”.

Algumas milhas se passam, começo a me familiarizar com o ZL1. Andando como um ser humano normal (coisa que estou longe de ser), é um carro gostoso demais. Estou vivendo o sonho americano. Chego no hotel, melhor descansar e deixar para andar mais no dia seguinte, com a cabeça e os reflexos renovados.

Dia seguinte, pela manhã, abaixo a capota, saio vagarosamente da garagem após o manobrista me entregar o Darth Vader. Essa é a parte mais legal desse tipo de carro. A 60 mil dólares, ele é um sonho muito mais acessível para o americano comum do que as Ferraris, Porsches, McLarens e Lamborghinis, portanto, onde quer que eu fosse nos próximos dias, vez ou outra, as pessoas me faziam perguntas e tiravam fotos. Parece que esse tipo de carro é meio que “orgulho nacional”.

Korncars Camaro ZL1 frente

Pego uma curva de alta velocidade, afundo o pé próximo de sua saída para uma longa reta… WWWWHHHHHAAAAPPPP… puta susto de novo. A traseira quis dar bom dia dessa vez. Olho para minha esposa. Novamente, ela está meio assustada. Repito: “Eu vou ser preso…”, complementado alguns segundos depois por um “… se eu não bater ou morrer com essa porra”.

Confesso que estava receoso. Parei em um posto de gasolina e fui verificar a calibragem dos pneus. Estavam meio desregulados, mas o que mais me assustou? Os pneus traseiros já haviam dado adeus às marcas de segurança há um bom tempo. Ou seja, o Darth Vader estava se comportando como um “cabrito louco” justamente pelos pneus estarem naquelas condições. Cogitei trocá-lo na locadora pelo novo Corvette, mas resolvi dar uma chance para o ZL1.

Com o tempo fui pegando a mão e percebi que quando os PZERO esquentavam, o ZL1 ficava mais previsível. Ainda bem que resolvi ser paciente, caso contrário, teria tido uma má impressão do carro. Ao me acostumar, começou um caso de amor. Em alguns dias, já arriscava desligar o controle de tração e fazer retornos largando aquela bunda gorda do Darth Vader. Continuei repetindo várias vezes que seria preso e que minha mulher ia ter que me tirar da cadeia, mas com uma risada enorme todas as vezes. Estacionamentos cobertos? Ótimas oportunidades para ouvir aquele ronco do LSA com capota abaixada!

Dentro do carro, mesmo diante dos mais severos engarrafamentos, em nenhum momento o Camaro ZL1 me cansou. A suspensão é extremamente bem calibrada entre performance e conforto. Pneus dianteiros e traseiros gigantescos (285 na frente e 315 na traseira) facilitavam a vida na hora de trafegar sobre asfalto irregular também.

O Camaro ZL1 não é um produto focado em pista (atribuição do Z28), mas responde de uma maneira excelente.

korncars Camaro ZL 1 V

O grande segredo para fazer curvas, sejam elas quais forem (fechadas ou abertas), é ser gentil com o Camaro ZL1. Nada de movimentos bruscos ou rápidos de direção ou acelerador. Nem pense em dirigí-lo como um esportivo europeu. Ao menor movimento agressivo, pode ter certeza que ele vai morder. Assim que você entende isso, você se surpreende como a direção é direta e com a quantidade de aderência proporcionada pelos pneus.

Aliás, quatro coisas que colocam o Camaro ZL1 na frente do Shelby GT500 que dirigi – ele não tem nem um pouco a impressão de ter um “nariz pesado”, parecendo muito mais equilibrado que o Ford; a suspensão é mais bem projetada para performance do carro; os freios são muito bons comparativamente aos do concorrente; e a direção é mais direta e sensível.

O câmbio automático não está no nível das melhores caixas do mercado, como a de 8 marchas ZF que está nos BMWs, muito menos tem o desempenho de um dupla embreagem. Porém, para um automático convencional, é excelente. Vale o elogio para o nível de resposta das borboletas atrás do volante, que, acertando o giro correto, nunca se negaram a obedecer meus comandos nas reduzidas.

O carro tem dois modos de condução essencialmente, reguláveis por dois botões em cima do câmbio: um modo normal e o esportivo. Honestamente, lutei muito em encontrar uma diferença relevante entre eles nos cinco dias com o carro. A GM fez um trabalho muito bom em conciliar usabilidade diária com performance. Os pedais (freio e acelerador), assim como a direção, são todos muito diretos, mas leves. É um carro muito tranquilo e inteligente de dirigir. O ZL1 não é disléxico tentando entender o que você quer fazer, não há atraso nas respostas, muito menos ele fica em dúvida. Uma aula para muitos carros esportivos europeus.

korncars Camaro ZL 1 modos de condução

O modo pista do ZL1, pelo que pude entender, consiste basicamente em desligar tudo. Ao acionar o botão para desligar o controle de tração (terceiro botão à direita em cima do câmbio), ele avisa que está tudo desligado e que o track mode está ligado. Simples. Algo como uma mensagem – “você está sozinho, seu idiota!”

O grande ponto negativo é o consumo. Pelas minhas contas, durante os 5 dias em que fiquei com o carro, esporadicamente conseguia fazer mais do que 5 km/l. A média foi de 2,8 km/l. Pensei em resetar isso antes de devolver para a locadora. Quando retornei o carro com o tanque cheio no aeroporto, o rapaz da empresa olhou a autonomia e se assustou com o número – 135 milhas para acabar o tanque. Ele olhou para mim e disse com um sorriso: “É… acho que você se divertiu nesses últimos dias. Fazia tempo que não via autonomia tão baixa para um tanque cheio nele.” Um final perfeito para uma semana intensa, não acham? A tristeza mesmo veio na hora de vê-lo indo embora.

CONCLUSÃO

Para resumir o que eu achei do Camaro ZL1 vou colocar da seguinte forma: assim que cheguei, fui pesquisar no mercado quanto que custava ter um desses por aqui. Obviamente, o carro é importação independente, o que me dá medo, e o preço cobrado pelos carros aqui ultrapassava os 280 mil reais. Hora de pisar no chão novamente.

Eu simplesmente adorei o ZL1. Achei sensacional o quão emocional, acertado e gostoso de andar ele é. Você pode dirigí-lo tranquilamente, ouvindo aquele V8 borbulhando, ou agressivamente, afinal, ele tem as aptidões necessárias para isso. O ZL1 pode ser preciso e direito, bem como um completo idiota lunático. O som do V8 Chevrolet é o segundo melhor ronco para 8 cilindros, atrás somente das Ferraris. O ZL1 é um carro descomplicado.

Nunca pensei que fosse dizer isso: eu quero um Camaro ZL1… exatamente como o alugado – todo preto, conversível e automático mesmo. É um carro sensacional.

Fica meu mais sincero agradecimento à Prestige Luxury Rentals em Miami por ter tornado isso tudo possível.

korncars Camaro ZL 1 Prestige

 

 

 

 

 

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