CAMARO Z28 1991 – Bom e velho american muscle!

Tendo dirigido o Corvette C6, me restava, no mesmo dia, experimentar outro mítico exemplar da escola americana de carros esportivos, um Camaro Z28 1991.

Camaro Z28 1991 korncars IV

Minha experiência com carros americanos antigos é escassa, porém, se há algo que preciso notar é que, hoje em dia, esportivos americanos, apesar de ainda apelarem para a ideia de muita potência por pouco preço, perderam muito do carisma que um dia tiveram.

Antigamente, o esportivo americano era um carro que, muito embora fosse simples na sua concepção, exigia uma certa capacidade do motorista. Não era qualquer um que podia enfrentar aquele V8 com aquela força e torque sem fazer uma burrada com facilidade. Esse senso de urgência que os bons e velhos american muscle passavam, infelizmente, precisou ser colocado de lado para que os carros da terra do Tio Sam pudessem ser vendidos mundialmente e apelar para uma gama muito maior de consumidores.

Hoje em dia, qualquer um consegue dirigir um Camaro SS 2012 (exceto aqueles com claustrofobia). É um carro com todos os mimos e assistências eletrônicas possíveis. Porém, o mesmo já não se pode falar sobre o carro testado neste review. Pense em um carro “cru” e é isso que você terá. Sinceramente, eu não esperava muito do Z28 1991 testado, mas a minha experiência ensina que esse tipo de conjuntura sempre tende a render as melhores surpresas.

O CAMARO Z28 1991

Como todo esportivo norte-americano que se preze, o coração do projeto todo está no motor e no caso do Z28 testado não poderia ser diferente.

O motor é um 5.7 litros e V8. Trata-se do mesmo motor que equipava o Corvette da época.  Para não canibalizar o Vette, no entanto, o Z28 foi obrigatoriamente equipado com câmbio automático de 4 marchas. Entre preparações e ajustes, aspirado, o motor do carro testado rende singelos 368 CVs. Pode não parecer muito para os padrões atuais, mas, lembre-se, estamos falando de um carro com 22 anos de idade. Se parasse por aí, eu estaria satisfeito. Porém, esse Z28 conta com o empurrão de algumas “long necks” de NOS, que lhe rendem 150 CVs adicionais, totalizando 518 CVs.

DIRIGINDO O Z28 1991

Camaro Z28 1991 korncars IX

Pense em um veículo onde tudo é “INDIRETO”. Mas, afinal, o que isso quer dizer? Nas palavras do meu amigo, Leone, “a direção não tem folga, está é de férias mesmo“. Tem horas que você chega a pensar que se trata de jipe off-road, pronto para atacar terrenos acidentados. É uma direção que lhe força a se adaptar para conduzir o carro de maneira mais agressiva e medir com antecedência para que lado você pretende ir.

O acelerador do carro é completamente “velha guarda”. Se você for gentil com ele, a resposta vai ser… inexistente. Agora, pressione-o com vontade, vencendo aquela resistência e peso iniciais característicos de carros esportivos antigos, para sentir o V8 roncar com gosto, invadindo a cabine como se fosse um NASCAR, destracionando o eixo traseiro com vontade e despejando uma quantidade de torque que parece interminável. Sob condições agressivas de pilotagem, é simplesmente um tesão! Agora, na hora de manobrar o carro, a combinação de direção leve, com folga e anestesiada, bem como um pedal de acelerador desses é, no mínimo, perigosa. Olhe bem em volta para não sair autografando calçadas e carros alheios, rs.

No quesito freio, ou melhor, falta de, é curioso. O carro parece simplesmente não ter freios, o que é meio desesperador, especialmente considerando que o carro tem caixa automática e as palavras “trocas sequenciais” não existem no vocabulário do Z28. Agora, após algumas bombadas no freio com o carro em movimento, as coisas melhoram. Não arrisco a dizer que ficam boas, mas são suficientes para prevenir uma “cagada” maior.

Quanto ao câmbio, não há muito o que falar. Trata-se de uma caixa automática de 4 marchas, mais do que capaz de suportar a força do carro. Na realidade, um carro tão bruto e indireto como o Z28 testado nem combinaria com uma caixa manual. Acho que é muita coisa para um motorista comum processar, rs. Talvez, se o carro fosse original, eu ousaria dizer que merecia uma caixa manual com, pelo menos, 5 marchas, mas, como está hoje, melhor deixar para outra ocasião e focar no acelerador pesado, direção indireta e freios do tipo “puta que o pariu“.

A posição de dirigir é baixa, bem próxima ao chão do carro. Nesse aspecto, muito boa. Em termos de visibilidade, se prepare para observar um capô longo o suficiente para um helicóptero pousar em cima. O banco tem uma pegada mais voltada para o conforto do que para a performance. É até um contraponto que ajuda bem a suportar a rigidez da suspensão do Z28, também preparada para fazer o carro aguentar a potência alterada para cerca do dobro da original.

Queria poder falar mais para vocês do chassi do Z28 1991, mas, infelizmente, a combinação da direção com folga, freios não exatamente comunicativos e acelerador “leg press“, me fizeram ter mais parcimônia no volante do carro, rs.

CONCLUSÃO

Se você leu até aqui, provavelmente deve estar pensando: “porra, mas nada agrada o Korn“. Aí que vocês se enganam. Apesar do pedal de acelerador temperamental, da direção em férias, dos freios “puta que o pariu” e da suspensão rígida, a hora que aquele V8 resolve roncar, é FODA. Simplesmente embriagante ouvir aquele NASCAR arrepiando os tímpanos. É um carro “CRU” e autêntico. Mostra bastante o que foram os american muscle do passado e quão distante estamos daquela época.

Particularmente, eu me diverti MUITO a bordo do Camaro Z28 1991. É um carro que exige respeito e que você tem que estar acordado o tempo inteiro para dirigir, o que torna sair com ele um “evento” em si. Esse não é o tipo de carro que você usa para ir trabalhar ou ao supermercado. Você sai com ele para se sentir desafiado e para inflar a sua masculinidade.

Trafegar com um carro desses pelas ruas de uma cidade como São Paulo é como se você andasse esfregando na cara da população comum que você é um cara diferente, de personalidade e como o mundo ordinário é chato. Cada vez que você provoca o V8 debaixo do capô, é um “tiro de adrenalina”, você sente na pele um arrepio subindo pelas costas e só lhe resta dar risada.

Não é um carro para qualquer um. Tem seu público específico. Apesar de não ser meu tipo de carro favorito, tenho o maior respeito possível. É um representante muito mais digno da escola americana de esportivos do que o Corvette C6 que  dirigi no mesmo dia. Parece que os americanos tentaram manter o mesmo espírito, mas castraram boa parte da emoção em seus esportivos modernos.

Às vezes, para testar um carro, você precisa “pensar fora da caixa“. Uma das coisas mais importantes neste aspecto é a EXPERIÊNCIA. Se eu sentasse minha bunda a bordo do Z28 esperando uma tocada e refino de um esportivo europeu, eu falharia miseravelmente em passar para vocês que leem os textos este momento, que, com certeza, vai ficar marcado na minha história a bordo de carros esportivos!

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