SUBARU IMPREZA WRX 2011 – FEITO PARA SER PREPARADO

Subaru Impreza WRX II korncars

No mundo dos entusiastas automotivos, a palavra SUBARU atrai uma legião de fãs ensandecidos pela marca, sejam eles jovens, velhos, homens ou mulheres. Realmente, a SUBARU deixou seu legado nas provas de Rally do mundo inteiro, especialmente sob a pilotagem de Colin McRae na década de 90.

Colin Mcrae Korncars

Hoje em dia, arrisco a dizer que não há SUBARU mais conhecido que o Impreza, produto-chefe da marca. Minha experiência dirigindo o Impreza se resume à versão conhecida como “WRX” . Tive a oportunidade de dirigir na minha vida um modelo 2003, um 2006, um 2008 e um 2011. Curiosamente, apesar de todos serem chamados pelo mesmo nome, são “animais” de tocada completamente diferente.

Os modelos mais antigos, pré-2008, são carros, na minha opinião, bem agressivos e que transpiram o seu DNA esportivo. Seja no acabamento simples, no volante de pegada mais pesada que o de um carro de passeio comum, na suspensão razoavelmente firme ou na embreagem que requer uma bela pisada para ser acionada. Porém, a partir de 2008, a SUBARU decidiu que o Impreza WRX deveria apelar para uma gama muito maior de compradores.

Com isso, não há como negar que o WRX perdeu muito de seu caráter agressivo. A partir de 2008, o carro passou a ser mais bem equipado e melhorou no acabamento. Até aí, ok! O problema foi que a direção passou a ser bem mais leve e menos direta… a embreagem passou a ter o mesmo peso de um carro de passeio comum e a suspensão… bem… tornou o WRX um carro confortável. Se antes você podia questionar a sanidade de quem dirigia um WRX diariamente, a partir de 2008, o carro passou a ser uma escolha sensata para quem procura um carro com desempenho, mas que pode ser utilizado todo santo dia.

Subaru Impreza WRX Interior korncars

Em suma, missão cumprida, SUBARU.

O problema é que o público cativo do WRX torceu feio o nariz pelas mudanças feitas no carro . Muitos criticaram que o carro havia se tornado “manso”. Junte-se a isso que o visual do carro não foi exatamente um vencedor de concursos de beleza automotiva, tanto é que alguns o chamam de “Ugly” (feio, em inglês), uma alcunha muito menos gloriosa que a da geração anterior, conhecida por “Hawk” (falcão, em inglês). Além disso tudo, os primeiros WRX da atual geração, fabricados entre 2008 e 2009 tiveram alguns problemas mecânicos sérios (sugiro conversar com pessoas “entendidas” em Subaru para entender o tamanho do problema).

As coisas não estavam indo bem para a atual geração do Subbie WRX, até que a partir de 2010, a marca resolveu olhar um pouco mais para o passado e trazer um pouco mais das características que fizeram do carro um grande sucesso. É sobre esse carro que venho falar!

Para facilitar a referência, vou dividir esse review em algumas partes.

(i) MOTOR

O WRX é equipado com um motor 2.5, 4 cilindros boxer e turbo. Em 2008, quando a atual geração foi lançada, o WRX vinha com razoáveis 227 Hp e 32,6 Kgfm. A partir de 2009, esse motor recebeu um belo upgrade, passando a contar com 265 Hp e 35 Kgfm. Tendo dirigido ambos os modelos (2008 e 2011), é notória a diferença de força entre os propulsores. Não que o primeiro motor não tivesse me impressionado, mas não me pareceu algo realmente incrível, especialmente comparado ao desempenho do 2.0 TFSI do Audi A3 acoplado com câmbio DSG de dupla embreagem do alemão.

Porém, e há um grande “porém” nessa estória, apesar do acréscimo de potência e torque, dirigindo o WRX 2011, não há como negar que o motor parece trabalhar com uma zona de segurança muito elevada. É notável que esse motor tem muito mais potencial! Tanto é que sob acelerações mais fortes, você tem aquela sensação que algo “mais” vai acontecer e… não acontece.

Não me entendam errado, o WRX 2011 é um carro MUITO RÁPIDO. A Subaru declara que o carro é capaz de 0 a 100 Km/h em cerca de 5 segundos, mas em nenhum momento ele parece querer dar a entender que é capaz disso tudo. O motor não se comporta de maneira agressiva em nenhum momento. Tudo é muito civilizado e sério. Falta um pouco de “pegada” para esse motor, um toque mais emocional, por falta de melhor palavra.

Não é por nada que o Subbie é notoriamente conhecido por ser intensamente “fuçado” por seus proprietários em busca de um “algo mais”. As modificações vão desde a famosa “chipadinha”, com filtro e escape novos, até gente que investe pesado, com troca de turbinas, intercoolers maiores, entre outras alterações mais pesadas.

(ii) CÂMBIO E EMBREAGEM

O câmbio do WRX, para mim, é um dos pontos que mais merecem críticas. O funcionamento em si é muito agradável e fácil de manusear, mas em nenhum momento dá conta da alma esportiva do carro. Poderia ter uma manopla com engates um pouco mais justos e curtos. Parece, honestamente, um câmbio de um carro de passeio comum.

A embreagem, na mesma linha do câmbio, não parece em nenhum momento dar conta que temos 265 Hp e 35 Kgfm de torque debaixo do capô. O curso dela é muito longo.

Apesar de conseguir com tranquilidade realizar punta-taccos com o conjunto original, se eu pudesse colocar o câmbio e embreagem do Honda Civic SI no WRX, seria excelente (tirando aquela questão do engate áspero da terceira marcha do Honda), a pegada perfeita para a performance do Subbie.

Até aqui, confesso que a minha opinião é demasiadamente subjetiva. Agora, se há algo que realmente incomoda para mim são as meras cinco marchas do WRX 2011. Esse carro implora por um câmbio de 6 marchas com relações mais curtas! No trajeto que percorri com o carro, me peguei várias vezes procurando uma marcha mais baixa para sentir na plenitude a força do WRX. Houve horas em que para fazer uma ultrapassagem na estrada, não bastava ir da quinta para quarta, era preciso procurar uma terceira!

(iii) CHASSI, SUSPENSÃO E TRAÇÃO

Para a proposta esportiva do carro, eu esperava um canal mais direto de comunicação entre chassi e suspensão. O centro de gravidade dos Subbies pós-2008 é, na minha opinião, mais alto que nos modelos anteriores, porém, com engenharia automotiva, seria possível contornar isso. Porém, o rumo tomado pela marca com WRX me desagrada muito, pois, ao invés de ter uma suspensão mais rígida e firme, o WRX tem um conjunto que parece focar essencialmente em conforto.

Nas mudanças de direção mais bruscas, você sente o Subbie inclinando de maneira excessiva para um carro que tem como objetivo ser ESPORTIVO. Sob irregularidade de asfalto, o Subbie gosta de chacoalhar. No dia a dia, conduzindo por trechos urbanos, a civilidade da suspensão é muito bem vinda. Por outro lado, há um grande comprometimento dinâmico.

Graças a Deus, no entanto, o WRX tem um grande truque na manga para contornar isso tudo – a tração integral, traço distinto e marcante de todo Impreza. É muito legal quando você entra em uma curva, com o carro meio “molenga” e afunda o pé no acelerador. Apesar de haver grande torção na carroceria, o carro gruda como se estivesse sobre trilhos e enrruga aslfato com vontade. Que carro seguro e plantado! É até curioso, pois, inicialmente, ao fazer uma tomada de curva, o WRX inclina bastante, mas, de repente, ao “dar acelerador”, o carro gruda e ganha velocidade no meio de curvas de maneira surpreendente.

(iv) Freios e Direção

Nesses quesitos, o WRX não se compromete. Os freios poderiam ser melhores. Esperava um pedal com mais sensibilidade aos comandos do motorista, mas em nenhum momento no trecho testado o WRX 2011 deu sinais de cansaço nas frenagens mais fortes.

A direção é bem comunicativa e direta, como um carro esportivo demanda. Gostaria apenas que fosse um pouco mais pesada.

(v) Fator diversão

Não há como negar que a expectativa antes de assumir o volante de um WRX seja de que se vai dirigir um carro muito divertido. Porém, depois de dirigí-lo, sinto que conheci um carro com desempenho acima da média, mas que entrega muito menos do que propõe no quesito diversão. Parece que o carro está em conflito com a sua identidade.

Se por um lado o motor rende incríveis 265 Hp e 35 Kgfm de torque, a entrega de força ocorre de maneira extremamente linear e civilizada, sem contar o longo câmbio de 5 marchas. Se as saias, aerofólios e apêndices aerodinâmicos sugerem agressividade, o ronco do escapamento é monótono. Se por um lado você tem um dos melhores sistemas de tração integral do mundo, por outro, o conjunto de chassi e suspensão voltados para o conforto acabam apagando um pouco da alma do carro.

CONCLUSÃO

Subaru Impreza WRX IV korncars

Talvez o problema seja comigo, mas o WRX 2011 é um daqueles carros que eu esperava muito mais por um lado e acabou me dando muito mais por outro. Queria um pocket rocket agressivo e acabei tendo um carro com um tremendo desempenho e razoável praticidade para ser utilizado todos os dias.

Parece que há uma mensagem subliminar no WRX 2011 que exige que ele seja “fuçado” para mostrar o mundo a sua razão de ser. Aquela suspensão original, para quem busca uma “pegada” mais esportiva, tem que ser trocada. Aquele motor merece ser preparado para render mais e funcionar de maneira mais agressiva, preenchendo com gosto aquelas 5 longas marchas . Aquelas saídas duplas de escapamento de cada lado imploram por um ronco que faça jus ao visual e proposta do carro.

O problema é que ter um carro fuçado não é para qualquer um. Uma oficina de confiança e um bom preparador são recursos escassos em terras tupiniquins. Muitas vezes, o dinheiro gasto e as dores de cabeça enfrentadas com um veículo preparado acabam não prevalecendo sobre o resultado final. Junte-se a isso, no caso do Subbie WRX, que a rede de autorizadas no país não é exatamente a maior parceira dos proprietários na hora de dar garantia e manutenção nos veículos originais… imagine precisar de uma assistência autorizada para um carro modificado?

Realmente, o WRX não é o tipo de carro que eu teria, apesar de respeitar muito a legião de fãs do carro e todos os meus amigos que têm um. Acredito que pelo dinheiro pedido, no quesito diversão, uma BMW 135i semi-nova pode entregar mais.

Subaru Impreza WRX V korncars

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10 comentários sobre “SUBARU IMPREZA WRX 2011 – FEITO PARA SER PREPARADO

  1. Bom, acho que antes de falar que uma 135i usada seria uma melhor opção, seria melhor comparar preços.

    Preço da 135i mais barata no webmotors custa 117 mil reais e está com 44 mil quilometros, ano 09/10.
    WRX ano 09/10 na faixa dos 30-40 mil quilometros custa não mais do que 85 mil reais.. Eu acharia muito válida a comparação com outro carro, mas desde que o preço fosse o mesmo e a proposta do carro também.

    Também prefiro muitos outros carros no lugar do meu Fiesta. Prefiro um Audi S3 2011, mas esse tipo de comparação não cabe aqui

  2. O motor do Impreza é 4 cilindros.
    Na verdade, o único 5 cilindros que não é em linha que conheço, é o VR5 que equipa alguns VW europeus, uma variação do VR6.
    No mais muito boa a avaliação. Parabéns!

  3. Queria saber sua opniao entre o Subaro WRX e o BMW 130, no qual se equivalem no preço. Qual no quesito diversão é melhor.

    1. Eu prefiro a BMW 130i. O WRX tem mais potencial para arrancar potência e torque, ser preparado etc. Porém, o BMW praticamente não precisa de nem um tipo de preparação/ajuste em termos de freio e suspensão. Além disso, é TRAÇÃO TRASEIRA e estou para conhecer carro integral ou FWD que seja mais divertido que tração traseira. É muito fácil fazer a aquela traseira da 130i ir passear. O único inconveniente da 130i é que não tem muito o que aprontar com o motor dela. No máximo, com um belo filtro, escape e remap v. vai pular para uns 300 cvs de motor… Uma dessas com câmbio manual é simplesmente um dos carros mais gostosos de dirigir que já conheci.

      Como carro para usar todo dia, a suspensão e espaço interno do Impreza são superior.

      1. Estou na maior dúvida entre esses dois carros, realmente após ler a avaliação fiquei meio desapontado com o WRX (que é meu sonho!). Me sinto encurralado nessa questão pois não estou enxergando qual outro possa fazer frente a esses dois. Tem outra opção na faixa de 80/90 mil?

    1. A45 – mais refinado de todos. É um legítimo Mini GTR. Preciso, afiado e bem acabado.
      EVO X – Eu acredito ser o melhor pacote de rua para a pista dos 3. Gosto muito. Por dentro, acho ok.
      WRX STI – É o que menos gosto. Último da minha lista. Na minha opinião, menos capaz do que o EVO X na pista. Sem contar que subaru no Brasil é meio complicado.

      Em linhas gerais, é isso. Os 3 são belos carros. No final do dia, vai do gosto do cliente. Eu teria o A45.

      1. Bom post! Reflete a realidade. Deveria testar um WRX STI 2010-12. Resumidamente, vai reescrever este post suprindo todos os defeitos que identificou no WRX. Sedan e manual de preferencial 🙂

  4. Na minha humilde opnião temos todos os “defeitos” da versão wrx resolvidos na versào wrx STI. Freios brembo, câmbio 6 velocidades com engates extremamente perfeitos, controle de ajuste do diferencial traseiro, suspenção firme, rodas bbs em aluminio forjado tudo isso unido a 310 cv e a fantastica tração SAWD.
    O detalhe é que tudo que é bom tem seu preço. Um teste com wrx sti seria uma boa pedida !
    Fica a dica.

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