MUSTANG V6 CONVERSÍVEL 2012 – SIMPLICIDADE CATIVANTE

KORNCARS Mustang V6 2012 Conversível I

Não há carro que seja ruim ou bom por si só. Você precisa sempre tentar entender a proposta do carro.

Na minha viagem de começo de ano, resolvi que meu companheiro de aventuras automotivas pelos 5 dias que ficaria em Los Angeles deveria ser algo que estivesse em sintonia com a paisagem local. Por motivos óbvios, o carro teria de ser conversível. Por razões financeiras, não poderia ser um modelo europeu, nos moldes de Lamborghini, Ferrari, Bentley ou Aston Martin.

Olhando para o meu leque de escolhas no quesito custo benefício, a HERTZ tinha à disposição o FORD MUSTANG V6 conversível 2012. Acho que minha decisão não me tomou mais do que alguns segundos, afinal, ao sair de São Paulo, tinha pensado em alugar um singelo e entediante sedã médio.

Escolha feita, documentos nas mãos, vamos para o pátio pegar o carro. Olho no final do corredor e lá está um dos muitos Stangs conversíveis da locadora. Entro e me acomodo no banco. Ignição dada, retrovisores ajustados, banco e direção na posição certa… hora de abaixar a capota e curtir o vento no rosto… OOOOOPS… tinha esquecido que estava com a minha sempre “tão compreensiva” senhora (hoje, noiva) me aguardando na entrada com as malas.

Após encostar o carro na área de saída da locadora, lá estava ela  aguardando impacientemente minha chegada com olhar de poucos amigos… Durou alguns segundos, até a hora que ela viu o legítimo representante dos muscle cars americanos aprumando-se lentamente. Uma chegada em grande estilo, despertando o olhar de cobiça de todos aqueles que deixavam o pátio a bordo de minivans ou SUVs.

Se até agora era tudo encanto, chegava a hora de curtir a parte mais legal do momento e finalmente abaixar a capota! Pois é… mas e as malas, né? Por óbvio, naquele momento, ou aproveitava para verificar a capacidade do porta-malas, ou fingia que as malas eram pessoas e colocava cinto de segurança nelas no banco traseiro, afinal, o espaço que restava no porta-malas com a capota baixa era o suficiente para guardar uma mala de mão.

Com toda o bom senso que a circunstância exigia, as malas viraram filhos, presas nos bancos traseiros com os cintos de segurança e de capota abaixada rumamos para o hotel!

O MUSTANG V6 2012

Se você tinha na sua memória longínqua que o Stang é equipado com aquele tenebroso motor V6 4.0 da FORD que produzia meros 200 cvs, esqueça! Em 2011, a linha do carro recebeu novos motores. O carro testado já é equipado com o novo V6 3.7, que produz respeitáveis 310 cvs a 6500 rpms e 38,7 Kgfm de torque a 4250 rpms. Tudo isso esparramado em um conjunto que pesa cerca de 1550 Kgs.

A tração, como em todo pony car que se preze, é traseira. O câmbio pode ser manual ou automático, ambos com 6 marchas. No meu caso, não havia opção pela caixa com o pedal masculino (de embreagem), então, me restou a caixa automática com trocas sequenciais. O mais curioso nesse aspecto é que fiquei procurando como um idiota as malditas “borboletas” ou algo que intuitivamente servisse para trocar as marchas no modo manual, até que achei uma das coisas mais toscas que já vi em um carro.

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Pois é, esses botõezinhos de mais e menos ao lado da alavanca do câmbio servem para subir e reduzir marchas.

Por dentro do carro, em termos de acabamento, a impressão inicial é bem mais negativa do que positiva. Exceção feita à direção e ao odômetro, em estilo retro, o carro é um festival de plásticos duros para todos os lados. OK, são bem colocados e não parecem quebrar com facilidade, mas, definitivamente, nem um pouco especiais.

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Os botões têm comandos simples e práticos, ou seja, nesse sentido, o Stang ainda é um daqueles carros que não precisam de um manual de 700 páginas para que se ligue o rádio ou ajuste o ar condicionado. Centrais de multimídia, telas gigantescas para você ver televisão etc., nada disso é item de série no carro, especialmente levando-se em conta que se trata de um veículo alugado para “as massas”.

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Os bancos desse carro alugado também não são de couro, mas sim de tecido, do mais simples possível. Nada com camurça no estilo Honda Civic SI ou coisas do gênero. Estão mais para um banco comum, como o de qualquer outro carro de passeio normal. Porém, não dá para reclamar da posição de dirigir. É fácil se acomodar de maneira que todos os comandos fiquem próximos de você, portanto, a ergonomia do carro é muito boa.

O TOCADA DO MUSTANG V6 2012

Curiosamente, desde 2008, quando a atual geração Stang foi lançada, o visual do carro já entregava que não se tratava daquela legítima “balsa” norte-americana, com suspensão “amanteigada”, direção solta e pouco direta. Dirigi um V8 em meados de 2009. Na época, havia achado o carro melhor que qualquer americano que havia dirigido até então, mas faltava muito para ser um carro refinado como um modelo europeu.

Quer dizer que o V6 2012 é a solução para todas as minhas reclamações? Não. O Mustang 2012 ainda é um carro grande e faz questão de deixar isso claro, muito embora a sensação atrás do volante seja de um carro menor (não pequeno, apenas menor). É impossível não notar uma certa inobediência nas curvas mais fechadas devido à rolagem de carroceria. Na realidade, a perfeita síntese do que é um American Muscle  – tem torque de sobra ao menor toque do pedal e poucas ajudas eletrônicas, mas é um carro ridiculamente fácil de dirigir.

Nesse ponto chegamos no que eu considero o maior triunfo do Mustang – a sua simplicidade. O pony não tem a pretensão de bater de frente com carros esportivos menores e mais afiados. Chego ao ponto de dizer que o Stang é praticamente um GT com espírito adolescente. É como se ele fosse capaz de levar você por longas distâncias com muito sossego, com potência e torque de sobra, mas se você resolver fazer um burnout na saída de farol, basta desligar o controle de tração a afundar o pé no acelerador.

A direção do Stang V6 2012 muito embora seja leve demais para as dimensões e força do carro, ainda assim tem um canal de comunicação bem direto com o chassi, transmitindo muito bem o que se passa sob todas as situações. A resposta dos pedais deixa bem claro que o Stang não é um esportivo feito para ser dirigido de maneira insolente, encaixando-o nos menores espaços possíveis, dirigindo de maneira agressiva. O acelerador é razoavelmente letárgico e o pedal do freio é demasiadamente anestesiado para o meu gosto. É uma frenagem meio “esponjosa”.

No que diz respeito à pura força do motor, sinceramente, não sei se estou acostumado com carros fortes, mas os 310 cvs me pareceram meio adormecidos. Talvez seja por causa da forma como o Stang entrega toda a sua “pegada”. Como já disse, não é um motor que particularmente gosta de girar, pelo contrário, logo na saída já há torque de sobra, ou seja, você não precisa espremer o acelerador para sentir o carro andar. É incrível como o velocímetro sobe de velocidade de maneira incessante e linear.

CONCLUSÃO

Quando botei na minha cabeça que ia alugar um Stang conversível, minhas expectativas eram baixas. Sempre soube que o Ford era o melhor aluno na sua classe. É mais leve, tem potência compatível com os concorrentes com o motor 6 cilindros e, sem dúvidas, mais na mão. Porém, estando acostumado com carros esportivos mais afiados e, por falta de melhor palavra, eficientes, tinha um preconceito sobre o pony a ponto de achar que havia potencial para ser o pior carro esporte que já tinha dirigido.

Após conviver 5 dias com o modelo, aprendi a respeitar o Stang pelas suas qualidades. Falar mal do carro seria jogar fora o seu legado. A verdade é que o Stang é um carro cheio de defeitos, mas entendo a sua proposta. É confortável, com um motor torcudo e um dos esportivos mais fáceis de se divertir. A conexão do motorista com o carro é muito melhor do que eu podia esperar. Aliás, a simplicidade do Mustang é, no final das contas, sua grande qualidade.

Não arriscaria dizer que a sua direção poderia ser mais direta e comunicativa, aquele tipo de sugestão de cara chato e aficionado por um único tipo de esportivo. Temos que admirar o carro pela sua proposta. Acho que esses 5 dias com o Stang mais me ajudaram a entender a alma do carro do que avaliá-lo. Hoje eu entendo a razão de haver uma legião de fãs do modelo. É um carro sólido, simples e divertido. Para o que se propõe e pelo seu preço, está de bom tamanho.

Na linha de alguns dos meus reviews recentes, segue abaixo o vídeo feito no improviso do que é o Mustang V6 2012:

 

KORNCARS Mustang V6 2012 Conversível II

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