FERRARI 458 – SIMPLESMENTE ÉPICO


Se você andou lendo meus últimos posts, já deve saber que tive a chance de dirigir e experimentar em detalhes a FERRARI 458.

Antes de dirigir a 458, eu ouvi opiniões elogiando demais, mas algumas também criticando que o carro teria perdido um pouco a alma dos modelos que a precederam. Em geral, levando em conta apenas o aspecto mecânico, eu só ouvi elogios, exceto por um ou outro amigo que insistiu em dizer que o câmbio de dupla embreagem, embora mais eficiente, tirou a emoção do carro (acreditem em mim, há pessoas que realmente apreciam trancos nas trocas de marcha, que para mim são um sinal claro de falta de eficiência, rs).
Portanto, até a hora de sentar minha bunda no banco do motorista de uma 458, eu já tinha criado altas expectativas. Quando se faz isso, as chances de se frustrar são tão altas quanto, mas, se correspondidas, pode ter certeza que será algo de outro planeta.
Será que a 458 correspondeu às minhas expectativas?

ENTRANDO NA 458


Não dá para esconder. Toda pessoa minimamente fã de carros esportivos fica nervosa na presença de uma FERRARI. O simples fato de preferir esportivos alemães, não quer dizer que não aprecio o que a FERRARI representa para mundo dos carros.

Tratando-se da Ferrari 458, um carro altamente elogiado pela mídia internacional especializada e proprietários, mesmo após todos os percalços de seu lançamento, eu estava muito ansioso.
  
Muitos amigos me disseram que o acabamento do carro era excepcional, que realmente mostrava o quão especial a 458 era. Minha primeira impressão, ao observar a cabine é que realmente a Ferrari trabalha nos detalhes hoje em dia. É possível notar claramente que o carro melhorou comparativamente com a F430 e está anos luz à frente da 360 modena.
O couro dos bancos é de ótima qualidade, assim como a espuma, que tem a rigidez certa, envolvendo o piloto da melhor maneira para uma tocada esportiva, mas sem cansar. Nenhum dos botões dentro do carro parece ter sido tirado de algum modelo barato, tudo parece sólido, de material de alto padrão e feito para durar. Nesse ponto, você que conhece um pouco a marca deve estar se perguntando se estamos falando mesmo de uma FERRARI, rs.

 

Sim, meu caros leitores, o carro está muito bem acabado e o design do carro por dentro está de muito bom gosto. A prova realmente que o acabamento do carro foi feito para durar está no odômetro do carro testado, no qual consta 44 mil e tantas milhas. Há sinais de uso no carro, mas muito longe de DESGASTE acentuado (como eu veria na Lamborghini Performante dali alguns minutos).
Se há uma coisa que eu tenho que destacar negativamente sobre o interior da 458 é que os comandos, especialmente os de seta, não são exatamente intuitivos ou fáceis de usar de primeira. Demora um pouco para se acostumar com essa moda minimalista de comandos que a FERRARI implementou na 458.

 

Por fora, por mais que alguns critiquem o visual, não há como negar a presença marcante do cavalinho ao lado de outros carros. Se há um carro inconfundível e que realmente se destaca, até mesmo nas ruas norte-americanas, é a FERRARI. Eu, particularmente, gosto da 458 em termos de design, pois ela congrega elementos de muitos mitos da marca que a precederam.
As saídas triplas de escape fazem uma clara referência a F40. A silhueta do carro em si parece uma versão arrendondada da ENZO. A 458 tem um design mais suave e que parece mais leve que o da F430.
Chega de enrolação e vamos ao que interessa!

DIRIGINDO A 458

Um pouquinho de aspectos técnicos da 458. O motor é central, 4.5 litros, V8, com tecnologia de injeção direta de combustível, que produz 562 Hp a 9.000 rpms (beliscando o corte de giros) e 55 Kgfm de torque a 6.000 rpm. Como toda boa Ferrari, é tração traseira.

 

O câmbio da 458 é de dupla embreagem, com 7 marchas, da GETRAG, que é o mesmo que equipa a Mercedes Benz SLS AMG, mas com configuração própria da Ferrari e totalmente diferente em termos de respostas aos comandos do motorista. O carro pesa cerca de 1245 Kgs.
 
Em termos de performance, a Ferrari divulga que a 458 pode ir de 0 a 100 Km/h em cerca de 3,4 segundos; de 0 a 200 Km/h em 9,2 segundos; fazer o quarto de milha (400 metros) em 10,8 segundos; e atingir a velocidade máxima de 325 Km/h.
 
O passeio começa de dentro de um estacionamento, ainda dentro do perímetro urbano da Cidade de Las Vegas. Saímos todos de dentro de um estacionamento de alguns andares. Estando dentro de uma FERRARI com motor central, sem nunca ter dirigido ela, alguém deve pensar que conduzir a 458 dentro de um estacionamento não deve ser exatamente a tarefa mais fácil… rampas de acesso, valetas, lombadas etc.

 

Graças a deus, em países de primeiro mundo, estes obstáculos foram feitos realmente para cumprir a função de reduzir a velocidade de quem trafega e não de riscar parachoques ou destruir amortecedores. Para minha surpresa, a 458 se mostra um carro extremamente fácil de conduzir nessa situação. O acelerador não é nenhum pouco arisco, o peso da direção é razoavelmente leve e os freios de cerâmica, embora barulhentos, não dão o menor susto no quesito ineficiência sob condições normais de uso.
Assim que saio do estacionamento, após um pouco de anda-e-para por algumas ruas e avenidas, nem de perto a 458 mostra qualquer tipo de impracticalidade que se espera de um super carro. Mesmo aquele sonoro ronco parece estar calado e sossegado, que permite, graças à válvula de escape, ter uma conversa com a minha namorada.
Portanto, até aqui a 458 se mostrou um excelente carro, não pela sua tocada esportiva, mas sim pela civilidade que permitiria a qualquer um com uma carta de motorista dirigi-la. Se fosse há uns 15 anos quem diria isso de uma FERRARI, não é?
Passada essa fase de informações realmente ‘interessantes’ quando o assunto é FERRARI, vamos falar da tocada magnífica da 458!
 
Assim que entramos na região do deserto, com retas enormes e sem nada visível no horizonte, ouço o carro da frente mandar acompanhar o ritmo dele. Nessa hora, a 458, no modo Race, estava confortavelmente em quinta ou sexta marcha, por volta dos 2000 rpms. 

Fiz questão de dar uns dois tapinhas na “borboleta” da esquerda, ao invés de simplesmente afundar o pé e provocar um kick down. O câmbio me obedece telepaticamente com respostas imediatas, o ronco invade a cabine, estamos a cerca de 5000 rpms com mais 4000 rpms até o corte de giros em segunda marcha. Afundo o pé com vontade, como se fosse abrir um buraco no chão do carro, sinto um arrepio e um formigamento vindo do meu estômago… uma coisa de outro mundo… 
 
Os giros disparam rumo aos 9000 rpms e, pouco antes de cortar, pressiono a borboleta da direta, fazendo a terceira marcha me jogar para frente (nada como o câmbio de dupla embreagem nessa hora). Durante a terceira marcha eu estou em êxtase, engato a quarta marcha e começo a me aproximar muito rápido do então piloto da Lamborghini na minha frente… o F**** D*  P*** tirou o pé.
 


Calma, ouço da minha namorada… Alguns instantes depois, outra puxada forte! Dessa vez, pareço ter me acostumado com a força do carro, mas se tem uma coisa com a qual você nunca se acostuma é com aquele ronco. Se o ronco de uma Ferrari é lindo quando ela passa, estando dentro, é melhor ainda! Por volta de 3500 a 4000 rpm, a válvula do escape entra e aquele som espetacular dá uma porrada com vontade nos seus tímpanos. Nem tente conversar agora, será inútil… apenas absorva o fato de que você vai prejudicar sua audição de uma maneira sensacional.

 
Algumas puxadas depois, combinadas com algumas curvas de alta e média velocidade, já tenho uma opinião formada sobre o carro. Em termos de conjunto, o carro é “plantado”  na estrada em todas as condições. Rolagem lateral inexiste. Nas aceleradas mais contundentes, a frente levanta, mas em nenhum momento dá sinais de leveza. O carro é dócil e fácil de tocar forte, inspira confiança. Você aponta a direção e a resposta é direta e justa, dando noção exatamente de para onde o carro vai. O freio, embora barulhento enquanto frio, depois de aquecido, transmite segurança e precisão de maneira anormal.
 
Em termos de força, pelo menos levando em conta a minha experiência, sou obrigado a dizer que o Nissan GTR 2012 e o Porsche 911 Turbo PDK 997 parecem ser notavelmente mais fortes de segunda, terceira e até meados da quarta marcha. De alta, em quarta marcha, já não acredito que o Godzilla e a Barata (apelidos carinhosos do GTR e do 911 Turbo, respectivamente) levem vantagem, só que até lá estaram na frente da 458. Até aí, mérito da sobre-alimentação.
 
Eu diria que a 458 parece muito com a SLS em termos de performance em linha reta, com a diferença que a SLS tem um caráter mais “torcudo” e, portanto, explora com “mais calma” a banda de rpms, enquanto que a 458 precisa ser provocada e “girar” bastante. Realmente, não consegui, na tocada, determinar se a 458 é ou não mais rápida que a SLS AMG. 
 
Comparativamente ao Lamborghini Gallardo e suas variantes, eu senti a 458 notoriamente “mais solta” que a versão Perfomante (versão de pista e spyder da Gallardo), a qual dirigir logo após a 458. Na minha opinião, a Ferrari 458 parece mais rápida!
 
Honestamente, o mais difícil quando a questão é analisar a performance da 458 é ignorar aquele sonoro grito vindo do escape. É tão emocional, tão embriagante dentro da cabine, que passa a sensação de se estar dirigindo o carro mais rápido do mundo. 

Se já bastasse o dinamismo por completo do carro, dentro a 458 trata muito bem o piloto. A posição de dirigir é excelente, assim como a visibilidade exterior do carro.


CONCLUSÃO


Se eu tivesse que resumir a experiência da dirigir a 458 eu diria simplesmente que foi épico. Em termos de visual, eu sou fã de carteirinha do carro, pois tem um design externo muito moderno sem ser cansativo ou exagerado e, ao mesmo tempo, fazendo referência a alguns outros veículos marcantes da FERRARI.

Em termos de acabamento interno, realmente, em nenhum momento você duvida que está a bordo de um carro feito com nada além do melhor. É impressionante como a FERRARI vem evoluindo neste aspecto desde a F355. O couro dos bancos, nas portas e no teto é excelente, macio e sem detalhes. Notem, o carro que eu dirigi tinha mais de 60 mil quilômetros e não tinha o menor sinal de desgaste prematuro, apenas de uso normal.

Quanto à performance, acho que posso dividir esta análise em dois aspectos. Em termos de conjunto, de como a 458 se comporta nas mais variadas situações de tocada mais forte, o carro é incrível, sempre extremamente estável, com a frente presa ao chão mesmo sob acelerações mais fortes. O chassi conversa magnificamente com a direção direta, com respostas quase que telepáticas aos comandos do motorista.

Se a questão é performance em linha reta, vamos lembrar que a Ferrari 458 é um carro ASPIRADO. Comparativamente a carros também aspirados com números de potência e torque semelhante, eu me arrisco a dizer que a 458 é tranquilamente mais rápida que o Audi R8 V10 (já tenho minhas dúvidas se será capaz de bater com o V10 Plus 2013) e o Lamborghini Gallardo LP-560 4 (assim como as demais variantes), mas empata tecnicamente com a SLS. 

Como o câmbio de dupla embreagem é a tendência do momento e do futuro para carros esportivos, eu diria que o da 458 é tão bom quando o do Nissan GTR, que é o mais rápido da atualidade para mim; um pouco mais rápido que PDK da Porsche 911 Turbo PDK, assim como os câmbios M-DCT e DSG, respectivamente, da BMW e AUDI. Comparativamente a qualquer outro tipo de câmbio, como o E-Gear da Lamborghini (não é dupla embreagem), a vantagem é tão grande que é imensurável em palavras.

Quando você bota todos esses pontos na equação e ainda acrescenta o fator “FERRARI” e o magnífico ronco do V8 italiano você começa a entender a razão do legado da marca. Não importa em qual lugar do mundo, se estiver a bordo de uma FERRARI, você virá um super-herói. A marca transcende de uma maneira absurda… crianças ou idosos… homens ou mulheres… a FERRARI mexe com o subconsciente de todos.

Agora, a pergunta que não quer calar: uma Ferrari 458 0km não custa menos do que R$ 1.500.000,00. Isso significa que ela é “mais carro” a ponto de custar o duas vezes ou mais que um Porsche 911 Turbo, uma Mercedes Benz SLS Amg,  um Nissan GTR 2013 ou um Audi R8 V10, entre outras opções? Na minha opinião, a resposta é NÃO.

A 458 realmente faz quem a dirige se sentir especial por todos os fatores que eu citei neste post. A tocada é extremamente emocional e o conjunto é simplesmente próximo à perfeição. Acho que a 458 pode ser o melhor carro que dirigirei em 2013, é simplesmente um carro épico. Entretanto, não é especial a ponto de justificar o SOBRE-PREÇO cobrado no Brasil. 

Se ela custasse o mesmo preço que qualquer dos outros carros que citei nos parágrafos anteriores, não tenho dúvidas que a 458 seria a minha escolha. Porém, considerando o critério “máquina” por si só, não enxergo características que justifiquem o valor cobrado aqui no Brasil.



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