COMO EXPERIMENTAR UM CARRO ESPORTIVO ?

Muitas pessoas que apreciam carros esportivos sempre me perguntam como podem dirigir um sem ser dono. Realmente, no Brasil, as oportunidades são escassas, mas graças a bons amigos, excelentes oportunidades aparecem, seja devido a eventos organizados por algumas marcas ou simplesmente porque alguém lhe empresta o próprio carro (nesta última hipótese, creio que nem preciso explicar a carga de responsabilidade).
Agora, para quem tem a chance de viajar para o exterior, em especial, para os Estados Unidos, o que não falta são empresas voltadas a esse tipo de entretenimento. Recentemente, tive a chance de conhecer os serviços da empresa World Class Driving, na Cidade de Las Vegas. Visitem o site aqui.

 

Há variadas opções de passeios disponíveis. Considerando a minha agenda, eu resolvi escolher o Red Rock Tour, que lhe dá a oportunidade de dirigir 3 carros super esportivos por um trecho de rodovias nas proximidades do famoso Grand Canyon, nas imediações da Cidade de Las Vegas. Preciso admitir que inicialmente, minhas expectativas não eram muito altas.
Após algum tempo experimentando os mais variados veículos esportivos, você acaba se acostumando a sentir esses carros de uma maneira convincente. Na minha cabeça eu imaginava que estaria nos Estados Unidos, um país notoriamente conhecido por ser draconiano na hora de fazer valer as suas leis, portanto, esperava mais um tipo de test drive meia boca de um bocado de carros incríveis, pois o passeio seria por estradas públicas.
Para minha surpresa, não foi nada disso. Porém, para não ser precoce quanto aos finalmentes, vamos por partes.

MARCANDO O PASSEIO

Como grande parte das coisas do país do Tio Sam, a World Class Driving é uma empresa extremamente organizada, o que significa que todos os passeios são previamente agendados e pagos com certa antecedência, ou seja, nada de chegar lá no dia e querer dar um volta de Lamborghini ou Ferrari.
Acesse o site com alguns meses de antecedência, escolha o seu passeio e marque a melhor data. Passadas algumas telas, você deverá ter escolhido se vai levar um acompanhante ou não, bem como se vai contratar seguro para os automóveis que irá dirigir. Se você leu atentamente o que eu acabei de escrever, deve, provavelmente, ter arregalado os olhos com a palavra SEGURO.
Pelo menos quando o assunto é Brasil e carros esportivos, contratar o seguro do carro é algo capaz de fazer o mais bravo dos homens (ou mulheres, para não ser machista) chorar como um bebê. Muita calma nessa hora!
O seguro sugerido pela empresa fornece uma cobertura razoavelmente abrangente para quaisquer acidentes com os veículos durante o seu passeio a um custo de não mais que algumas meras dezenas de dólares. Portanto, a não ser que você tenha um “sensor aranha” e esteja isento de qualquer bobeira ao volante, seja sua ou de terceiros, não seja mão-de-vaca nessa hora. Nada melhor que curtir um belo esportivo sem medo de ter dores de cabeça.
Feito isso, tudo, se bem me recordo, incluindo minha namorada como acompanhante e o famigerado seguro, a conta toda fechou em pouco menos de 600 dólares. Antes de pular novamente da cadeira com o valor, leia até o final e tire as suas conclusões. Lembre-se, alugar um super esportivo por um dia, tal como uma Ferrari Califórnia em Miami pode lhe custar mais de 1000 dólares.
Passeio escolhido, data agendada e pagamento feito, foi só esperar até a data da viagem.

ESCOLHENDO OS CARROS

Se você leu até aqui deve estar se perguntando a respeito dos carros, né?
O leque de escolhas é variado e no Red Rock Tour você escolherá 3 para dirigir nas estradas desertas do Grand Canyon. Os carros são agrupados em dois times. No meu passeio especificamente, os grupos eram compostos pelos seguintes carros: time (a) com Ferrari 458, Lamborghini LP 570-4 Performante e Jaguar XKR-S Conversível; e time (b) com Ferrari F430, Mercedes Benz SLR e outro Jaguar XKR-S, só que coupé.
Infelizmente (e esse é meu único comentário negativo), a escolha entre os times acima é por sorteio antes do começo do passeio. Portanto, há um risco que caso você queira dirigir algum dos carros especificamente, dependendo do seu time, acabe não sendo possível.
Meu conselho, no entanto, é que em algum momento você se aproxime das pessoas encarregadas pelo briefing do passeio e tente deixar claro que você tem interesse em algum veículo especificamente.

COMEÇANDO O PASSEIO

Como instrução prévia ao passeio, lhe pedem para chegar pontualmente na sede da empresa, ainda na Cidade de Las Vegas, no horário marcado. Ao chegar, algumas confirmações são feitas com a recepcionista.
Alguns minutos depois, vem o primeiro contato com os organizadores do passeio. Algum integrante do World Class Driving virá instruir o grupo de motoristas. Para quem entende um pouco de carros, aqui você efetivamente começa a perceber a seriedade da empresa. O cara que falará sobre os carros os conhece em detalhe e vai lhe dizer como se comportar em cada um deles.
Propositadamente e notando que nenhum dos demais motoristas parecia conhecer muito bem os carros (aliás, acho que eu era o único cara sentando lá que tinha ideia do que são cada um dos carros) pergunto se posso ajustar o modo de condução das Ferraris no Manettino. Para minha surpresa, a resposta imediata foi para mantê-las no modo “sport”. Uma pena, mas, considerando a quantidade de gente entusiasmada demais e com pouca noção de volante desse tipo de carro, uma alternativa prudente.
Feito o briefing, partimos em um grande furgão para um estacionamento nas imediações da cidade. Sobe-se alguns andares e  se tem o primeiro contato com os carros, enfileirados um atrás do outro e com os motores ligados.

Converso um pouco com alguns dos integrantes do World Class Driving a respeito das minhas experiências passadas com carros esportivos e a conversa vai muito bem. Todos são “petro heads”  e entusiastas desse mundo. Curiosamente, a conversa acaba chegando a uma conclusão a respeito do quanto eles admiram Porsches e como os carros são recompensadores ao volante, assim como confiáveis.
Alguns dos instrutores organiza eventos do Porsche clube em Las Vegas e me mostrou uma série de fotos de um evento recentemente organizado no circuito de Laguna Seca. Aliás, observados os preços de aluguel de pista de Laguna Seca, acho que está na hora de Interlagos, Capuava etc. caírem na realidade com os novos preços. Chega de devaneios… de volta ao passeio.
Chegando no local, hora de algumas fotos com os carros e do sorteio dos integrantes de cada time. Felizmente, sou escolhido para o time que tanto queria e tive a chance de conduzir a 458 e Performante especialmente. Escreverei textos a respeito de cada um dos carros nos próximos tempos.

DIRIGINDO OS CARROS

Os carros saem em grupos de 3, como antecipado, e deverão acompanhar o ritmo de um carro madrinha, mantendo distância uniforme do carro da frente. O pessoal do World Class Driving é bem claro em dizer que será possível explorar o potencial dos carros e que basta seguir as instruções transmitidas via rádio pelo carro madrinha.
Acelerar os carros com o câmbio em neutro ou “yo-yo driving” (tipo de condução quando um motorista reduz bastante a velocidade, dando muita distância do carro da frente, para, então, acelerar bruscamente) são terminantemente proibidos, justamente para evitar chamar atenção indesejada.
De todos os carros disponíveis, o que eu mais antecipava dirigir era a Ferrari 458, afinal, havia ouvido maravilhas sobre o carro. Para minha surpresa, os demais motoristas pareciam hipnotizados pelas capotas retráteis da Lamborghini e do Jaguar, tanto é que ignoraram o melhor carro disponível ali.

 

Entro na 458. Nenhum sinal de carro cansado ou esmirilhado. O carro dá sinais de uso, mas nada fora do comum. Quando olho o odômetro, observo um número nefasto que, a primeira vista, parecia ser 4000 e poucas milhas, mas, quando percebo atentamente, vejo singelas 40.000 e tantas milhas rodadas. Checo o carro para ver ser os extintores estão por lá, haja vista a fama inflamável da 458… ok… ok… piada infame, mas que tinha que ser feita com todos os meus amigos Ferraristas.

 

Saímos vagarosamente. Carro madrinha na frente, Lamborghini em seguida, Ferrari 458 e, atrás de mim, o Jaguar. O carro madrinha é um Jaguar XJ Supersport, com pouco mais de 500 Hp e toda a suntuosidade britânica possível. Por mais forte que a “barca” possa ser, considerando minha experiência anterior com os sedãs da linha “R” da marca, meu ceticismo com relação ao sucesso do passeio aumentou momentaneamente, afinal, um carro gigantesco de luxo me mostrando onde “dar pé”  em uma estrada sinuosa no meio do deserto? Sério?

 

Todas as minhas dúvidas acabaram quando ouvi no meu rádio dentro da 458: “Everybody, try to keep up“, ou seja, uma ordem expressa para tentar acompanhar o ritmo do carro madrinha. Dou alguns toques na “borboleta” de câmbio da esquerda, entrou a segunda marcha e afundo o pé com gosto na 458… nessa hora acho que só consegui gritar “P*** QUE O P****”. O ronco não invade a cabine, ele explode dentro dela. Terceira marcha, troca de marcha estupidamente rápida… Quarta marcha, por volta de 6000 rpm, noto que me aproximo rapidamente da Lamborghini, que havia aliviado o acelerador, enquanto vejo a “entreprise britânica” sumir no horizonte.
MALDITO RODA PRESA NA LAMBO! Não obstante a minha frustração com o cara, eu entendi perfeitamente. Imaginem um cara que nunca andou de carro esportivo na vida. De repente, o cara está atrás do volante de uma Lamborghini versão de pista, conversível e cujas trocas de marcha são controladas por hastes atrás do volante. Junte na equação o fato de que os hipnotizados pela capota retrátil simplesmente ignoraram o frio de alguns graus abaixo de 0.
Algumas aceleradas explorando até altas bandas de rpm na quinta marcha (sim, o cara na Lambo se soltou um pouco mais) e curvas de média-alta depois, estou realmente impressionando com a 458. Direção magnífica, chassi muito comunicativo e a resposta dos pedais incrível. Uma pena ser um carro de 1,5 milhão de reais aqui no Brasil. Na minha opinião, olhando apenas para a máquina, é incrível, mas não vale esse preço.

 

Chega a hora de subir a bordo do Lamborghini LP 570-4 Performante e ir na caça do carro madrinha por meio daquelas retas e curvas no meio do Grand Canyon. Para tanto, todos os carros param em um ponto designado no meio do deserto e as trocas são feitas.
Minha impressão inicial é de como o carro é mais apertado para o motorista comparativamente com a 458. No quesito acabamento, a 458 também parece mais especial. Porém, estou aqui para sentir a experiência de dirigir um Lamborghini V10 com 570 Hps, com a capota abaixada e no meio do deserto.

Uma das coisas mais interessantes do tempo que passei a bordo da Lamborghini não se refere ao carro propriamente, mas sim ao fato de que descobri que pode nevar no deserto. Se me falassem isso antes do passeio, eu diria que é um dos maiores paradoxos que já ouvi.

Alguns minutos de capota abaixada, muito vento depois e uma cara congelada, fui surpreendido por algo parecia pequenos flocos de chuva cristalizados pelo frio muito estúpido. De repente, minha namorada estende a mão e grita: NEVE! Ok… Ok… não foi uma nevasca, mas foi o suficiente para começar a entender quão utópicos os conversíveis podem ser: se estiver muito quente, você derrete; caso contrário, se estiver muito frio, você congela. Juro, baseado nas minhas experiência recentes com esportivos conversíveis, acredito que a melhor hora para dirigí-los com a capota abaixada é durante as noites de verão ou primavera.
Mas vamos falar um pouquinho mais da Lambo. Pois é, se a primeira impressão foi de que a Performante parecia um carro menos refinado que a Ferrari 458, nas primeiras aceleradas, a impressão virou certeza. Assim que ouço o carro madrinha pedir para acompanhá-lo, reduzo algumas marchas na borboleta esquerda e afundo o pé com vontade, esperando sentir o magnífico V10 da Lambo, assim como aquele ronco encorpado que sempre fui apaixonado quando ouvia passar por mim.
Porém, amigos, quando os giros subiram, fiquei esperando aquele estrondo agressivo do V10 e… nada. Poxa, estou a bordo de um Lamborghini conversível, versão semi-pista, e em nenhum momento senti os decibéis estourarem os meus tímpanos. Foi um ronco alto e constante, até mesmo agressivo, mas nem perto do que minha orelhas ouviram quando a 458 chegou a cerca de 4000 rpms. Eu até conseguiria justificar isso se a tocada da Lambo fosse melhor que a da Ferrari.
Quando ouvi pela primeira vez o Jaguar XJ-R madrinha me mandar a ordem no rádio para  acompanhá-lo, mais uma vez, tapa na borboleta da esquerda algumas vezes, segunda marcha, cerca de 5000 rpms e pedal lá embaixo. Fico esperando o momento que a performance da Lamborghini será melhor que a da Ferrari, mas, para minha surpresa, em linha reta, a 458 parece ser mais solta.
Entramos em uma curva de alta para a direita e eu me aproximo rapidamente do carro madrinha, afinal, dessa vez, não há ninguém entre nós. Sou obrigado a aliviar para não ultrapassá-lo. Algumas retas e curvas depois, algumas constatações interessantes, para não dizer, negativas, sobre a Performante.

 

Em primeiro lugar, o câmbio! Tenho amigos que simplesmente adoram os trancos na troca de marcha nos câmbios semi-automatizados. Alguns chegam a criticar os de dupla-embreagem pela suavidade das trocas. Honestamente, eu estou no grupo dos que acredita que quando há tranco demais o sistema é ineficiente.
Ok, chamar a caixa E-gear da Lambo de porcaria e lenta, seria uma sacanagem. Porém, os trancos nas subidas de marcha tornam-se cansativos. Parece uma cadeira de balanço e você sente a perda de ritmo do carro.
Em segundo lugar, a Performante não parece tão estável quando a Ferrari. Se eu estivesse falando somente da Lamborghini LP 560-4, a versão comum do Gallardo, eu até entendo a perda de sensibilidade com a estrada em virtude da tração integral, mas isso não é perdoável vindo de um carro semi-pista. Nas curvas de alta eu tive uma sensação artificial do que se passa embaixo do carro.
Algumas milhas depois a bordo do Lambo, eu não posso dizer que não me diverti, mas esperava que o carro fosse muito mais envolvente e radical do que realmente é.
Chegada a hora da última troca de carros e assumo o controle do recém lançado Jaguar XKR-S na versão conversível. Em termos de pura e simples força em linha reta, para meu espanto, o “Cat” não deixa nada a desejar comparativamente aos demais carros testados no passeio. No entanto, dinamicamente falando as coisas mudam de figura.
A proposta do XKR-S era ser um GT um pouco mais apimentado que a versão simplesmente designada por “R”. De fato, você sente um carro um pouco mais afiado, acredito até que esse tenha sido o Jaguar mais na mão que eu já dirigi, mas está muito longe de ser uma máquina agressiva. Nas curvas a rolagem de carroceria é bem notável. Os freios, muito embora não tenham dado o menor sinal de fadiga, são puramente discos de aço, nem ao menos ventilados. O câmbio não é nada mais que uma caixa automática.
Visualmente, o XKR-S transpira agressividade, mas não pense se tratar de um coupé GT semi-pista, nos moldes de uma Ferrari 599 GTO. Você efetivamente sente a perda de força devido ao conversor de torque da caixa de câmbio automática. As borboletas atrás do volante são razoavelmente obedientes, mas o câmbio não esta sintonia com o resto do carro.

CONCLUSÃO

Eu poderia continuar falando uma página atrás da outra sobre cada um dos carros dirigidos, mas cada um deles será objeto de um texto próprio.
Na realidade, esse texto tem muito mais a função de contar para vocês sobre a experiência. Como é possível observar, deu para curtir demais cada um dos carros e conhecê-los muito bem.
Acelerar um conjunto de carros super-esportivos por uma região de tirar o fôlego de tão bonita, por estradas muito bem pavimentadas e com muita segurança. Essa para mim é a conclusão do passeio oferecido pela World Class Driving.
Para quem quer realmente sentir esses carros em ruas no mundo de verdade, eu recomendo totalmente o passeio, seja você um mero apaixonado por esse tipo de carro ou, até mesmo, alguém contemplando a compra de algum dos modelos oferecidos pela empresa. A organização e o profissionalismo da são, sem sombra de dúvidas, um belo diferencial.
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