Um dia de "track-day"…

Desde pequeno você sabe se a paixão por carros está gravada no seu código genético.

Tudo começa com brinquedos. Quando se é pequeno existe aquela escolha fatídica: ou você vai gostar de bonecos de ação (comandos em ação etc.) ou você vai enveredar para os “carrinhos”. Passam-se alguns anos e quando você adquire certa consciência sobre uma ou duas coisas da vida (supondo que você escolheu os “carrinhos”), começa a assistir algumas corridas televisionadas e a implorar para o seu pai comprar todas as revistas de carros.

Chega o primeiro video-game e você se vê imerso no mundo do simuladores de corrida. Com 18 anos, com sorte, a CNH está na mão e você mal pode esperar para botar sua mão em um carro de verdade…seja da sua mãe, da sua avó, pai, tia, tio, amigo ou o SEU.

Algum tempo passa até o momento em que você finalmente adquire aquele carro esportivo que você tanto sonhou. Ele chegou…está lá…parado na sua garagem, olhando para você. Talvez você vá usá-lo somente aos finais de semana e, neste caso, só você entende aqueles cinco minutos iniciais da sua manhã de sábado, durante os quais você se acomoda no banco do seu carro, pisa no freio (e/ou na embreagem), espeta a chave e dá ignição…de repente…a sua garagem estremece com um estrondo. Uma sensação que não pode ser mensurada com palavras.

O carro esporte é bem diferente do seu carro comum. As reações são mais diretas, a potência sobre o pedal direito é muito maior, assim como a possibilidade de uma infelicidade acontecer quando se abusa no lugar e hora errados. O carro esporte sempre demandará respeito do seu dono. Ele pode ser temperamental, mal humorado e machucar se não for respeitado.

Para aquelas pessoas conscientes, é óbvio que dominar o carro esporte demanda certo tempo. Vão se alguns meses…anos…e você sente que já está em sincronia com o brinquedo. Uma vontade começa cutucar na sua cabeça… uma inquietação…VOCÊ QUER EXPLORAR O POTENCIAL DO CARRO!

Pronto…eis que surge a maravilhosa idéia de colocar o carro em um autódromo.

É uma sensação estranha, uma mistura de ansiedade com medo. Ansiedade por mal poder esperar para entrar na pista e medo de fazer alguma besteira.

Chega o dia! Muito provavelmente você dormiu muito mal na noite anterior. Você pula da cama…aqueles longos minutos entre tomar uma chuveirada e comer qualquer coisa parecem uma eternidade…

Você chega ao autódromo e ouve o ronco de outros carros. Confraterniza com amigos que estão lá pelos mesmos motivos que você. Você ouve o briefing atentamente, quer prestar atenção em todos os detalhes.

Chega a hora de entrar no carro, ajustar o banco em uma posição que favorece uma pilotagem mais dinâmica e seguir rumo à pista. A adrenalina está a milhão e seu coração vem na boca…3…2…1 VAI!

Você afunda como nunca o pé no pedalzinho da direita…vem a primeira curva…CUIDADO…freia antes…faz em velocidade baixa…

Passam-se algumas voltas e você começa a entender o significado de traçado ideal. Mais um tempinho e começa a entender o que é ter suavidade na condução, sem movimentos bruscos. ACABA a primeira bateria de voltas…você volta para os boxes como um mix de dever cumprido, mas com a sensação que pode melhorar dentro do seus limites.

Vem a segunda bateria, desta vez, com mais confiança, os pontos de frenagem começam a ficar mais próximos das curvas, a velocidade no meio das curvas começa a aumentar, o nível de concentração fica muito mais alto…você começa a se soltar mais e os primeiros erros começam a brotar (errinhos, graças a deus…aquela traseira fica mais feliz que o normal, mas não chega a rodar…UFA). Suas voltas começaram a melhorar e a ficar mais rápidas. TESÃO!!!

Mas, ainda assim, você percebe que muito embora esteja evoluindo, ainda assim…é “é peixe pequeno” perto de alguns dos seus amigos, que estão literalmente “dando aula”! Você checa o estado dos pneus do seu carro e eles começaram a dar sinais de que o dia tem sido divertido!

Chega a terceira bateria…você vai para a pista disposto a evoluir novamente e, dessa vez, deixa de tocar centrado em si mesmo, mas começa a observar algumas linhas de traçado dos demais na pista e começa a pegar algumas “manhas”. Você começa a subir nas zebras com mais vontade, a fechar melhor o ponto de tangência e se diverte nunca antes naquela tarde. Sua condução fica mais limpa e você começa a entender uma ou duas coisas a respeito do seu carro…Você sabe do que o brinquedo é capaz…

Termina a terceira bateria do dia, mas, e aí? Você foi o cara…deu aula…foi um “petardo” na pista? Não necessariamente, talvez bem longe disso, mas quando você estaciona o carro finalmente você respira fundo e se enche de alegria. O carro deixou de ser um acessório, uma ferramenta. Você e o carro agora tem um vínculo maior que é muito difícil de explicar.

Quando você sai e dá uma olhada nos pneus, vê que agora existem marquinhas nas bordas deles…um sorriso se abre…Definitivamente você aproveitou o seu carro da melhor maneira possível.

SONHO REALIZADO. Chega…vamos para casa, mas antes…esperemos ele esfriar…lavemos ele…guardemos ele…”nos vemos semana que vem”…e que essa próxima semana passe voando.

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3 comentários sobre “Um dia de "track-day"…

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